Desconstrução

          Derrida fica conhecido como autor do termo desconstrução. Aponta primeiramente para o fato de ter, em uma carta conhecida como “Carta a um amigo japonês”, direcionado o pensador Toshihiko Izutsu para uma tradução mais apurada do termo Destruktion, presente em Ser e Tempo de Heidegger.

          A desconstrução remete invariavelmente a uma tarefa irreversível, de modo que o termo deve ser entendido no sentido de não ser jamais possível reverter o processo, a compreender que algo desconstruído não poderá voltar a ser o que era antes de maneira idêntica.

          Para Derrida o acontecimento representa um elemento importante da desconstrução. O que está por vir remete a um ambivalência, no sentido de uma aporia. No entanto o autor não vê o termo de maneira clássica, como um impasse na discussão, mas como um novo começo que leva a outras direções, uma indecidibilidade.

         

Crítica ao logocentrismo

          Derrida faz uma crítica ao pensamento metafisico ocidental. Com seu teor de validade universal, e dicotomias de verdades absolutas, é posto contra a ideia da indecidibilidade. A desconstrução pretende abalar as certezas mais absolutas que se sustentam no logos. No entanto não pretende destruir o logos, mas sim mostrar um excesso de fixação do pensamento no logos, e propor um deslocamento para elementos ainda não conhecidos.

          O logocentrismo organiza os termos de maneira hierárquica, uma colocação de pares binários nos quais o primeiro predomina sobre o segundo, como em: essência/ aparência; substância/ acidentes; alma/ corpo; mente/ corpo; inteligível/ sensível; verdade/ erro; natureza/ cultura; presença/ ausência. 

          Ferdinand Saussure seria um representante do fonologocentrismo. Para ele o sognificado é fruto de uma função relacional. O significado de um signo remete à sua diferença em relação a outro signo. Para ele a fala se sobrepõe a escrita. A desconstrução irá indicar a inversão desta ordem.

Escritura

          Derrida cria a nomeclatura de quase-conceitos” para salientar que a desconstrução não opera do mesmo modo que o logocentrismo, sem pares metafísicos binários. Propõe que estão no campo aporético e não se submetem a hierarquizações.

          A escrita enquanto ato de escrever não é o mesmo que escritura, denota o sentido do que está escrito. Para Derrida todas as ideias são textuais.Textos são ‘cadeias’, sistemas de rastros, emergindo e sendo constituídos por diferenças.

 

Différance e Rastro (trace)

          Para criticar a possibilidade de uma origem absoluta, Derrida propõe os termo différance, que apresenta em sua grafia com a uma diferença com relação a sua grafia com e, différence. Neste sentido a mudança apenas pode ser notada com os termos escritos, pois possuem a mesma fonética. Différance representa um jogo de diferenças que se opõe à identidade logocêntrica.

          O rastro é um elemento que impossibilita a identificação, não permite tornar um signo presente. O rastro oculta a si mesmo e é anterior ao ente. O rastro em si não é nada, mas possibilita futuramente a determinação do ente.

 

Democracia por vir

          A democracia por vir não representa um futuro, mas sim uma ideia que deve se manter sempre imperfeita, de modo que mesmo com a democracia ela não está presente.

          Para derrida as instituições democraticas existentes são muito anti-democraticas, e devem sempre estar abertas a esta democracia por vir, de modo a estar constantemente em processo de aperfeiçoamento. 

 

 

Espectros de Marx

          Os referidos espectros de Marx dizem respeito não somente aos espectros de sua obra, como os próprios espectros do comunismo que por vezes aparecem em práticas acadêmicas, sociais e políticas.

          Os espectros para Derrida estão relacionados aos discursos aporéticos, assim como remetem à ambivalência, aspectos da desconstrução. Assim como os quase-conceitos, podem resistir às hierarquizações. Os espectros são aparições, algo que se vê e não se vê. É a aparição indecidível entre o que se vê e o que se acredita estar vendo.