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1. Derrida um filósofo difícil

Este tópico é direcionado à personalidade de Derrida, bem como as suas preocupações ético políticas e uma breve biografia contextualizada. Ficamos sabendo, através do texto, que o pensamento conservador, que não aceitava Derrida como filósofo, apenas recentemente recuou em seu juízo – mas com ressalvas, como nos diz o texto. Derrida foi um pensador diverso, que abriu espaços em debates de múltiplas áreas. Sabemos também que grande parte do desconforto causado por Derrida à filosofia conservadora é consequência de sua linguagem, por assim dizer, anti-metafísica: de aí que podemos dizer que, para imergir na leitura de Derrida, é necessário abandonar a linguagem habitual da filosofia. É neste sentido que a linguagem filosófica usada por Derrida caminha na contramão da metafísica.

Jacques Derrida, nascido Jackie, era oriundo de uma família judia. Por ser judeu, foi expulso da escola aos doze anos. Outro acontecimento marcante em sua vida foi a decepção em relação à guerra da Argélia. É curioso que Derrida tenha sido motivado por outro franco-argelino, como ele, amante de futebol: Albert Camus. Com dezenove anos, se muda para a França, onde depois de ser aceito na École Normale Supérieure começa a se aprofundar nas leituras de fenomenologia e fenomenologia hermenêutica. O gérmen da desconstrução pode ser encontrado na introdução da sua tradução de A origem da geometria, de Husserl (introdução esta que ganharia uma autonomia mais tarde). Em 1960, começa a  lecionar como professor assistente na Sorbonne. Em 1964, Jean Hyppolite convida-o para lecionar na École Normale Supérieure.

Derrida, então, foi convidado por diversas universidades. Seus três livros Gramatologia, A escritura e a diferença e A voz e o fenômeno foram publicados em 1967. Derrida falece em 2004, vítima de um câncer no pâncreas.

 

2. Desconstrução

Não é possível falar em desconstrução sem citar Ser e Tempo de Martin Heidegger. Como sabemos, no §8 de Ser e Tempo, Heidegger propõe uma destruição (destruktion) fenomenológica da história da ontologia. Uma tal “destruição”, no entanto, deve ser entendida no sentido de uma experiência originária para o interior do fenômeno, isto é, uma modulação no edifício sedimentado historicamente pela tradição, mas não o abalo completo do edifício, o que seria impossível tendo em vista que somos definidos historicamente pela nossa tradição. Tal imersão para o interior do fenômeno revela sua dinâmica de acontecimento. Não à toa, a primeira parte de Ser e Tempo é uma descrição do ser-aí tal como ele se mostra na sua dinâmica de ser mais imediata, a saber, a cotidianidade mediana. Heidegger não almeja uma destruição da tradição (o que seria impossível, como dito acima) mas um dinamismo capaz de engajar o movimento do que foi sedimentado; portanto, o termo destruktion não teria nenhum valor axiologicamente negativo.

Derrida lê muito bem a proposta heideggeriana e aconselha a um amigo japonês que Destruktion seja traduzido por desconstrução. A Desconstrução, então, passa por dois momentos: a demarcação do binarismo metafísico e a inversão das teses e deslocamento do texto, fazendo com se apareça daí um quase-conceito. Tal como Heidegger, Nietzsche e Deleuze, Derrida pensou o acontecimento. O acontecimento é a tensão aberta pelo jogo de diferenças, uma “emergência de multiplicidades díspares”. O acontecimento é aquilo que há de vir, que está por vir, marcado pela ambivalência. É importante ressaltar que o atravessamento pela alteridade leva a desconstrução a assumir uma postura ético-política de cuidado do outro como aquilo que me atravessa e me diz respeito.

 

3. Crítica ao logocentrismo

 Neste tópico, ficamos sabendo que a crítica de Derrida é endereçada ao logocentrismo: à tradição metafísica que remonta ao platonismo e a Aristóteles. Há um motivo: a tradição metafísica sempre visou o eterno, o imutável, o universal etc. como realidades últimas que seriam o sustentáculo do mundo. O problema não para por aí: a tradição o fez com hierarquização: bem sobre mal, ser sobre aparência, verdade sobre mentira etc. Derrida percebe que não passam de construções arbitrárias sustentadas por preconceitos inquestionados. A partir daí, Derrida afirma que existe um princípio de indeterminação – de indecidibilidade. Isto que dizer que não há sustento para as verdades absolutas.

O que a desconstrução faz, então, é sugerir o deslocamento do lugar da razão ocidental para um lugar ainda não conhecido – ou um não-lugar (tendo-se em vista que a palavra “lugar” remete imediatamente para aquilo que pode ser fixado neste ou naquele lugar). Esse deslocamento visa abalar – mas não destruir – o predomínio da questão do ocidente, isto é, o logos.

Como dito acima, o abalo das estruturas binárias da metafísica acarreta uma consequência ético-política: caso observemos bem, o primeiro termo do par de cada oposição assume sobre o segundo um domínio alegadamente natural. O ocidente, sob o pretexto do logocentrismo, teria outorgado ao primeiro termo do par o poder da fala, isto é, do logos; assim o bem detém o logos sobre o mal: não só detém, como determina, através de sua voz, o que é mal. Dito de maneira mais simples: o primeiro privilegiado determina a pobreza do segundo, ou melhor, quem detém o poder (a voz) detém também o poder de conceder o estatuto ontológico àqueles que não detêm o poder. Logos, em grego, significa tanto fala quanto palavra, voz, discurso, razão, proporção etc. Quem tem o logos, em todos esses sentidos, tem o poder sobre quem não tem, pois quem não tem logos, não tem razão, não tem voz, nem fala, nem palavra e só resta a ele ser determinado através de quem tem.

Associada a essa noção de centrismo, vem a noção de metafísica da presença: a cada época histórica o sentido associado ganha, digamos, facetas. Ora com o platonismo, é eidos; ora com Aristóteles, ousia; com Descartes, o cogito etc. As noções de Arché e télos, enquanto representantes da metafísica da presença, farão Derrida rechaçar do descronstrutivismo qualquer busca às origens. Para Derrida, nem mesmo Heidegger teria fugido da metafísica da presença.

 

4. Operadores da desconstrução ou quase-conceitos

 

Escritura

Como já dito no texto, Derrida procura operar fora do binarismo logocêntrico metafísico; para isso, a desconstrução trabalhará com quase-conceitos: écriture, différance, trace, hímen, pharmakon, khôra etc. A intenção é garantir noções ambivalentes, que operam fora de toda e qualquer hierarquização. Écriture, neste contexto, não significa escrever, porquanto o ato de escrever possa remeter ao logocentrismo da fala. Portanto, a escritura é um quase-conceito que retira o privilégio da escrita fonética enquanto partícipe de um binarismo logocêntrico.

Além disso, não há “fora do texto” para a desconstrução. Cumpre, no entanto, aclarar o que significa “texto” para Derrida. Textos são sistemas de traces constituídos por diferenças. Neste sentindo, não há o binarismo dentro/fora do texto enquanto parte de um contexto.

 

 

Différance e Trace

Derrida grafa a palavra desta maneira, com “a” e não com “e”. Derrida firma seu posicionamento não-logocêntrico, fora de todo centrismo que marca a cultura ocidental. Com isso, ele busca marcar a ausência de origem absoluta no campo das significações. Só existem diferenças, não identidade, como o logocentrismo que fazer crer. Différance, portanto, é o abandono da crença em significados transcendentais. A ambivalência da noção de différance pode ser vista tanto em sua origem latina (differe), que significa atrasar, retardar, prolongar... temporalmente, quanto no grego diaphereín, que significa ser outro, dessemelhante, distinto. O primeiro envolve o tempo, enquanto o segundo envolve o espaço. Temos, pois, que o elemento temporal é um recuo ou um porvir, dado que o presente não dá conta, por si só, da significação; o espaçamento também enquanto algo outro que não aqui que forma a significação.

Trace é a marca de um elemento passado ou futuro que impede a identificação. Se aplicarmos como conceitos as noções de aquirasto e rastro originário, veremos que elas se autodestroem, pois o rastro é aquilo que já não é. O rastro é a ocultação: quando o outro apresenta-se enquanto tal, é na dissimulação de si.

 

5. Derrida ético-político

Já vimos que a fuga do binarismo logocêntrico por um pensamento que advoga pela diferença leva à consequências ético-políticas. Entretanto, Derrida diz que termos como ética e política devem ser usados com muito cuidado, uma vez que eles representam o domínio da tradição logocêntrica ocidental. Por isso, Derrida usa, para o desconstrucionismo, noções como democracia por vir, hospitalidade, dom etc. para marcar sua posição fora de qualquer centrismo. Neste sentido, o uso do termo “ética” significará “abertura para o outro”. Derrida foi um ativista intenso, tendo lutado contra o racismo, o apartheid, luta pelos dissidentes tchecos etc. Além disso, a ética não diz respeito só aos homens. O resumo, entretanto, não pode cuidar de todas as noções. Segue-se, pois, depurações sobre as noções de democracia por vir, hospitalidade e animalidade.

 

Democracia por vir

Embora a noção de democracia por vir seja muito importante para o pensamento derridiano, ela está longe de ser algo além de uma promessa. Em outras palavras, podemos dizer que ela continua sempre indefinível. Derrida quer chamar a atenção, com esse quase-conceito, para os discursos democráticos de nossa época, que são universalizantes, inimigos das diferenças. No fundo, tais discursos não seriam senão uma manifestação do logocentrismo, dado que se disfarçam de acolhedores, mas querem enjaular em um conceito universal os diferentes. Desnecessário dizer, mas o que universaliza a diferença não é senão a vontade de identidade.

Podemos dizer que as chamadas instituições democráticas são profundamente antidemocráticas, uma vez que elas acolhem aspectos econômicos, sociais , políticos e morais conhecidos mundialmente, e portanto, com um viés universalizante. Ainda que o ocidente tenha orgulho de se abrigar sob a égide da democracia, esta nunca foi de fato consumada. A democracia por vir, portanto, é uma abertura neste campo para a sua própria possibilidade, uma abertura no campo da democracia para a possibilidade do outro que é nada mais do que a democracia ela mesma. É por isso que uma democracia por vir exige o olhar fraterno para o outro; é também por isso que uma democracia por vir deve abrigar o espaço da diferença, abrigar os indivíduos excluídos pelo modelo democrático até hoje vigente.

 

Hospitalidade

O quase-conceito aporético de hospitalidade tem origem no latim hospes, formado por hosti, estrangeiro, hostil. O estrangeiro é ora visto como hóspede, ora como hostil, ou seja, como inimigo. Ao mesmo tempo em que hospeda, o hospedeiro se torna refém; se a situação se inverte, isto é, se o hospedado aceita a hospedagem, ele também se torna refém. A hospitalidade é, portanto, uma questão de poder, pois o hóspede deve se sujeitar às regras do hospedeiro. Por não ser binária, a hospitalidade incondicional é marcada pela indecidibilidade: nem um, nem outro (contrariando o princípio lógico do terceiro excluso).

Derrida, então, entrevê dois aspectos da hospitalidade: em relação ao acolhimento do estrangeiro na casa, na cidade, no Estado etc., temos a pronazía; em relação ao hóspede indesejado, temos a xenofobia. Essa tensão tem consequências sérias. O hóspede, o estrangeiro, é sempre um outro que deve se adequar ao contexto do hóspede: há, na hospitalidade, uma certa violência. Para ser aceito como tal, o hóspede precisa se adequar à fala, ao logos do lugar (sotaque, costume, tradições e normas em geral): portanto, há na hospitalidade um viés logocêntrico.

 

O dom, a morte, o luto

 

O resumo discorre brevemente sobre essas três noções. O dom, caso seja possível, é aquilo que não se pode e nem se deve saber – dom do que não se apresenta, guardando uma relação com o secreto. O dom, como a hospitalidade, deve ser incondicional – essa é a im-possibilidade que torna possível o seu acontecimento.

A morte é um dar-se à morte a partir do conceito de responsabilidade. Derrida se refere a uma obra do filósofo tcheco Jan Patocka, Ensaios heréticos sobre a filosofia da história. O autor tcheco estabelece relações entre sagrado e responsabilidade, religião e demoníaco. A religião supõe a existência de um sujeito isolado do mundo, capaz de livre-arbítrio; no demoníaco, não há distinção entre homem, deuses e animais. A gênese da religião é a subordinação do demoníaco ao sagrado, ao domínio da responsabilidade e da culpa. Derrida, a partir daí, empreende uma leitura de Temor e tremo, na qual faz uma leitura do mito de Abraão e Isaac. Em A escritura e a diferença, Derrida insiste na retirada da hierarquia de do par binário-metafísico Vida/Morte. Em Espectros de Marx, Derrida se dedica a anotações sobre a morte e sobre o luto. O luto é pensando a partir do por vir e da promessa.

 

Espectros de Marx

Espectros de Marx é o título de uma conferência realizada por Derrida nos Estados Unidos, com o objetivo de discutir o destino do marxismo no ocidente. Derrida procura dar conta do duelo político que se manifesta no discurso antimarxista. Com o quase-conceito espectro, Derrida quer denunciar a hegemonização do neoliberalismo. O título da conferência não é somente uma referência ao fantasma do comunismo, mas também dos diversos espectros da obra de Marx, espectros de Marx e do comunismo.

Para Derrida, espectro não é inteligível nem sensível; portanto, é ambivalente e marca a indecidibilidade fora da hierarquia filosófica. Segundo Derrida: “um espectro é algo que se vê e que não se vê ao ver, a figura espectral é uma forma que hesita de maneira inteiramente indecidível entre o visível e o invisível. O espectro é aquilo que se pensa ver, “pensar” desta vez no sentido de “acreditar”, pensamos ver.” Derrida afirma que a espectralidade faz parte da obra de Marx. Sabemos que as primeiras palavras do manifesto comunista são: “Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo.” Para Derrida, Marx talvez não tenha se livrado totalmente dos espectros de seu tempo.

Segundo Derrida, há múltiplas espectralidades. Para mostrá-lo, Derrida afirma que há o espectro do comunismo e dos marxismos; o espectro de Marx propriamente dito, a partir da leitura de Derrida de outras obras além do manifesto; por fim, o espectro neo-liberal e a produção de fantasmas em nível econômico.

 

A questão dos animais

A questão dos animais é trata na conferência O animal que logo sou. Os temas abordados são muito complexos, como a nudez, a nominação, a denegação etc. Dentre as questões, tem-se os limites da assujeição do animal ao homem, em que medidas o homem tem direito sobre os animais e os homens como viventes que se deram a palavra. Derrida introduz uma cena em que está nu diante do seu gato; diante dessa cena, vê-se a perturbação de estar nu diante de um animal que não se mexe, não nos olha, apenas nos observa. Fala também sobre a vergonha de sentir vergonha. O homem sabe que está nu, enquanto o animal não se dá conta de sua nudez e, portanto, não sente vergonha.

Derrida propõe duas hipóteses com vistas a duas teses: nos dois últimos séculos, houve uma reviravolta quanto ao tratamento dos animais; qual o limite entre homem e animal. A primeira questão é abordada a partir da filosofia de René Descartes e o lugar que o animal ocupa nela, sempre sendo subordinando, na modernidade, ao homem. Isto é para Derrida uma guerra contra a compaixão. A segunda hipótese tange a limitrofia: qualquer busca dos limites entre homem e animal acaba numa aporia. Para ele, todas as decisões entre limites se encerram numa aporia. Para Derrida é duvidoso que a tese de que todos os viventes não-humanos sejam animais esteja correta. Para a desconstrução dessa tradição, Derrida apresenta duas vias: a primeira é que se guarde entre aspas a palavra “animal” quando nos referirmos a ele; a segunda é uma palavra quimérica, um neologismo da língua France: Animot, segundo Derrida, “nem uma espécie, nem um gênero, nem um indivíduo”.