O texto basicamente se inicia com uma pergunta muito sugestiva colocada pelo autor, a pergunta é a seguinte: Qual é pois o lugar do nós no texto de Heidegger? Claro que a questão aqui não é esgotar ou encerrar os textos de Heidegger, mas apenas mostrar a articulação existente entre o humanismo e a verdade do ser. O autor chama essa articulação em Heidegger de magnetização ao dizer: tendo-se renunciado a colocar o NÓS na dimensão metafísica do ‘’nós-os-homens’’, tendo-se renunciado a carregar o nós-homens de determinações metafísicas do próprio homem (zoom logon ekon, etc), mantém-se que o homem  - e direi mesmo, num sentido que em breve se esclarecerá, o próprio do homem – o pensamento do próprio do homem é inseparável  da questão ou da verdade do ser. É nos caminhos heideggerianos por aquilo a que poderíamos chamar uma espécie de magnetização.

          É sob o conceito de proximidade que o autor coloca os efeitos e os indícios do que foi chamado de magnetização. É justamente o conceito de proximidade que vai constituir-se contra o humanismo e o antropologismo metafísico outra insistência do homem "é no jogo de uma certa proximidade, proximidade a si e proximidade ao ser que iremos ver constituir-se contra o humanismo e contra o antropologismo metafísico, uma outra insistência do homem, rendendo, sup(r)erando, suprindo o que ela destrói segundo vias nas quais nos encontramos, das quais dificilmente saímos – talvez – e que permanecem abertas  à interrogação."

          O texto ainda mostra que o pensamento da verdade do ser em nome do qual Heidegger delimita o humanismo e a metafísica permanece um pensamento do homem, o homem e o nome do homem não são deslocados. É a essência do homem, que aqui deveria ser pensada antes e para além das suas determinações metafísicas, a restauração da essência é também a restauração de uma dignidade e de uma proximidade, a dignidade corespondente do ser e do homem, a proximidade do ser e do homem.

          Esta proximidade não é a proximidade ontica e é necessário ter em conta a repetição propriamente ontológica desse pensamento do próximo e do longínquo. Se, portanto, o ser é mais distante de todo o ente e, entretanto, mais próximo do homem do que qualquer ente, se o ser é o que há de mais próximo, deve-se pois poder dizer que o ser é o próximo do homem e o homem o próximo do ser. O próximo é o próprio, o próprio é o mais próximo, o homem é o próprio do ser que de muito perto lhe fala ao ouvido, o ser é o próprio do homem, eis a verdade que fala, eis a proposição que dá o aí da verdade do ser e a verdade do homem.