Resumo: Meu gozo pessoal  

 Em “Meu gozo pessoal” Stirner vai tratar a questão sobre o uso da vida. O mundo até agora não teria se preocupado com nada que não fosse a vida, de modo que nenhuma atividade que foi feita, não importando qual, não teve por objeto final a própria vida. Porem, quem só se preocupa em viver esquecese de aproveitar a vida, de gozar a vida. E só se poderia ter esse gozo da vida usando-a. Para o homem não bastaria viver, tem-se que usar a vida, consumila, para assim aproveita-la. 

 Mas como então, poderia o homem chegar a esse gozo da vida? O homem tem que cessar a busca pelo seu eu, somente a partir do momento que o homem chega a si mesmo, ao seu verdadeiro eu, ele torna-se sua própria propriedade, e, assim, ele pode usar a si mesmo e ter o gozo. O homem tem que partir de si mesmo, e não buscar-se, para assim poder se usar como melhor lhe convém. A questão então não é mais como se adquire a vida, mas como podemos gozar dela, vivendo-a até acabar. 

 O homem que procura qualquer ideal, que vive por um ideal, não pode gozar da vida, pôs não vive a própria vida em termos próprios, mas voltados para algo fora de si. Como os homens devotos, que vivem a vida pensando em uma vida após a morte, ou os homens que vivem a vida em prol da razão, ou de uma moral já que estes vivem a serviço de um fim ou de uma ideia que é externa a eles. Quando se deve a vida a alguma coisa, qualquer que seja, o homem não pode realmente se apropriar dela, e como para gozar a vida ela tem que ser sua propriedade para que se possa gasta-la da forma que se bem entender, e dessa forma não pode gozar a vida. Nesse sentindo, o homem que vive baseado na ideia de homem, o homem liberal, também não aproveita a vida, pôs o humanitarismo também seria o fim pelo qual se viveria. O homem não tem uma destinação, não tem nenhuma missão pré-estabelecida. Ele é adestrado a seguir essas destinações, pela religião e pelas ideologias.  

 As forças do homem atuam de forma autônoma, elas não precisam de ordens para serem usadas, ou aumentadas. Um homem não deve ser mais do que aquilo que pode ser, e ele só pode ser aquilo que suas forças e capacidades o permitem ser. Não ser pode ser aquilo que não se é, nãos e pode fazer mais do que a própria capacidade. De maneira que os homens não podem ser todos e iguais, e não se pode exigir a mesma força de homens diferentes. 

 Quando falamos que “é possível que...”, por exemplo, é possível que um homem seja mais forte, estamos falando na verdade que “imaginamos que...” seja possível que um homem seja mais forte. Pôs nos avaliamos essa possibilidade do ponto de vista de nossa força. O problema é que possibilidade nada mais é do que a capacidade de pensar, e os homem obcecado sucumbem a esse fantasma do irmanável. Pensando nas possibilidades para o homem você faz com que o homem perca a sua individualidade e se torne uma ideia. Os homens que dominam, então, pensão em um ideal humano e os indivíduos tem que sacrificar sua individualidade para se tornar esse ideal. A fé faz isso, com seu ideal de homem, assim como a razão e a moral também agem da mesma maneira, através de seus devotos. No final das contas, os devotos cristãos e os pensadores modernos fizeram a mesma coisa, ambos estabelecem ideias de homem que os homens devem seguir como uma missão, impedindo-os assim de gozar a vida, já que a vida em ultima instancia não os pertence.  

 Um homem se relaciona com objetos como ele bem entende, a sua maneira. A quem tente universalizar a maneira como os homens devem se relacionar com os objetos, retirando assim a singularidade do comportamento. Mas como todos agem de maneira arbitraria com os objetos, ao seu bem entender, o importante então não são os objetos, mas sim a vontade do homem. Pôs e a forma como ele quer se relacionar com um objeto que vai dar sentindo a esse objeto. Qualquer juízo sobre um objeto, então, é uma criatura da vontade de quem ajuizou.  

 Desse modo, a liberdade de pensamento existe, quando eu posso ter todos os pensamentos possíveis, porem esses pensamentos são minha propriedade se forem minhas criaturas, e nãos e transformarem em meus senhores. Eu me relaciono com as coisas como bem entendo, sem deixar que elas me ditem como devo me relacionar. A uma diferença entre pensamento livre e pensamento próprio. O pensamento livre é puro movimento interior, o homem interior que rege todo o restante do homem. Já o pensamento próprio, não rege nenhuma parte do homem, mas é conduzido por ele, desenvolvido e interrompido de acordo com a sua vontade. 

 Os corporativistas, por um lado, dizem que as ideias nos são dadas, mas os pensadores livres dizem que nós que buscamos elas. Dos dois modos, se busca obter a verdade, de modo que essa verdade está fora de si, já que se tem que obtê-la de alguma maneira. O pensamento então acaba exercendo uma hierarquia, da qual o homem deve separar-se, pois o pensamento o aprisiona e o torna submisso. Se os pensamentos forem livres então, o homem se torna seu escravo, de modo que tem que se reservar uma ausência de pensamento, se quiser poder ser sua própria propriedade. Um aspecto desconstrutor aparece nesse momento, quando se tem que se separar da hierarquia do pensamento, invertendo seus valores. 

  A linguagem nesse sentindo, é um instrumento do pensamento usado para a comunicação. Mas as palavras nos mostram ideias fixas, ideias que aprisionam. O homem que não se liberta de um pensamento é apenas um escravo da linguagem. E preciso se libertar do pensamento, da ausência do pensamento, para poder usar a linguagem como sua propriedade. Não se pode no entanto, renunciar o pensamento, pôs o pensamento é o sentido das ideias. Porem o homem enquanto homem tem esse pensamento, mas enquanto “eu” é desprovido de pensamento, afastando a hierarquia do pensamento de si mesmo. Nesse sentindo nos vemos uma possibilidade de desvio ao logo centrismo, apesar de continuarmos no logocentrismo, pôs teríamos que ter a linguagem como nossa propriedade, a possibilidade de desvio existe já que pensamos em uma inversão dos valores da linguagem. 

 De qualquer modo o que importa e que se aja de acordo com a sua própria vontade, não importa oque a sua atitude seja crista, humana, liberal e etc, desde que ela seja sua atitude, feita por sua vontade. E não visando um fim externo a si mesmo. Não existe um pensamento que seja sagrado pôs os objetos não devem ser motivo de devoção, eles não são o centro, o que importa é a forma como o homem se relaciona com eles. Se usa de sua força da forma como se bem entende, se não se vê como destinado algo, ou meio para algo, mas sim como principio e centro, tendo a si como sua propriedade, e não pretendendo viver para prolongar a vida, mas sim para gastar, então poderá gozar da vida.