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Resumo do texto “As ideias que marcaram o Século XX – Uma chave para leitura dos filósofos Capítulo X – Jacques Derrida.”

 

O texto “As ideias que marcaram o Século XX – Uma chave para leitura dos filósofos Capítulo X – Jacques Derrida” tem início apresentando uma rápida e clara, exposição de alguns fatos importantes e características relevantes sobre a personalidade e a obra deixada pelo pensador contemporâneo Jacques Derrida. Preocupado com problemas éticos, políticos e sociais, o texto apresenta um pensador, voltado aos problemas humanos dos mais fundamentais e contemplativos aos mais amplos e práticos.

Com uma grande obra em distintas áreas do conhecimento por onde Derrida se debruçou ao londo de sua vida, o pensador destaca-se pelo volume e qualidade de sua produção literária. Revelando sempre um modelo de pensamento complexo e atípico Derrida geralmente causa em seus leitores esplêndida admiração.

Ainda criança vivencia dois fatos que marcam para sempre sua história, ser expulso da escola por ser uma criança judia e a guerra em seu país natal, a Argélia. Ainda em sua juventude ele muda com sua família para França onde dá início a sua produção literária e andamento aos seus estudos sobre filosofia, voltando-se para obras de autores como Heidegger, Husserl e Sartre. Tendo seus primeiros trabalhos publicados relacionados as obras de Husserl.

Trabalhando e se apresentando em diversas Instituições de ensino e pesquisa, Derrida percorre o mundo.

O texto apresentado se estrutura de modo a apresentar os diferentes e mais amplos conceitos do pensador, começando pela noção de “Desconstrução”.

O termo “desconstrução” parece ter sido apresentado pelo autor pela primeira vez em uma carta a um amigo japonês, referente a palavra “Destruktion” como a melhor maneira de tradução de um termo na obra de Heidegger, já que o que estava em questão não era uma anulação completa da metafísica ocidental, colocando em “xeque” a tradição ontológica, mas sim definir, dentro de determinados limites, um novo campo de investigação possível.

O termo “desconstrução”, que parece ir de encontro direto ao termo “estruturalismo”, de fato não deve ser visto dessa maneira já que os dois termos têm em comum dar especial atenção as estruturas de um determinado tipo de pensamento, ideia ou sistema. E que de certa maneira toda desconstrução têm em si um gesto estruturalista, na medida que assume uma medida problemática estruturalista. Com tudo, essa noção claramente salvaguarda uma noção de afastamento e rompimento com o que estava previamente estabelecido.

De fato a desconstrução tem no âmago da sua ideia tradicional, a noção impossibilidade de retornar ao estado anteriormente estabelecido. Todavia, a desconstrução não pode ser considerada nem como um método, uma crítica ou até mesmo uma forma de análise.

Visto que a desconstrução não é uma “desmontagem” em busca da sinalização de um ponto axiomático, não podendo ser caracterizada como uma análise, tampouco pode ser considerada como crítica no sentido kantiano ou geral e desse modo também não pode ser um método, é preocupante que em alguma medida o termo seja apropriado de maneira erronia.

Derrida estabelece dois passos para a tarefa da desconstrução que consiste, primeiramente em uma noção de posição, na qual é necessária uma leitura atenta do texto em questão, seja ele filosófico ou não, apontado para os limites e oposições binárias presentes nele. E em segundo delimita-se então o campo para a desconstrução por inversão, desmontando os termos destacados, o que leva ao terceiro e último passo o deslocamento, que consiste na inscrição exterior do texto deixando surgir novos conceitos que ultrapassam os limites tradicionais.

Pode-se dizer então que a tarefa desconstrutora consiste em: “inverter os termos e deslocar, uma etapa já estando de algum modo compreendida na outra.”

Derrida considera a desconstrução como acontecimento. De modo a ser um acontecimento do pensamento, tendo principal foco na ideia de entender como a desconstrução acontece. E o tempo do acontecimento tanto para Deleuze como para Derrida, é co-extensivo ao conceito de diferença. Denominando o acontecimento como “a emergência de uma multiplicidade díspare.”

Para Derrida uma outra marca clara da desconstrução é o que está por vir, o que advém, e o que está por vir carrega sempre consigo a marca da indecidibilidade, que se dá tanto na fala, quanto na escritura. Traduzindo o modo de acontecimento por aporia que Derrida demarca os limites para a desconstrução como retórica, que visa dar condições de possibilidade ou impossibilidade aporética.

Mesmo que a desconstrução tenha seus desdobramentos em questões políticas e éticas é importante ressaltar que a desconstrução não pode ser vista como nenhum tipo de tomada de decisão. Contudo a desconstrução está ligada a problemas político-institucionais, que devem ser solucionados a partir de uma tomada de posição relacionada a “responsabilidade” voltadas intimamente para uma questão de alteridade.

Como dito no texto, Derrida parece estabelecer um movimento de crítica toda tradição filosófica que já tratou de alguma maneira a metafísica. Já que a metafísica estabelece perspectivas de verdades universais, inabaláveis e hierarquizadas. Desse modo, Derrida estabelece que existem uma certa indeterminação na concepção desses conceitos de verdade, o que de certo modo, abalaria as estruturas desse tipo de pensamento.

A proposta da desconstrução então, é abalar o cerne do pensamento logocêntrico onde há um predomínio do logos, entretanto isso não significa dizer que a desconstrução tem como finalidade destruir o “logos” mas sim apontar para os exageros a cerca de sua ideia.

Na analise do conceito do logos Derrida aponta para uma estrutura de pensamento binário onde há de modo claro a superioridade de um conceito com relação ao outro. Essa noção de superioridade característica do logos, perpassa a noção epistêmica e se estende a conceitos políticos. Desse modo, abre-se a possibilidade de perceber como na cultura ocidental haverá sempre a predominância de uma noção ou percepção sobre outra e a centralidade de algum conceito sobre outro. Com efeito, Derrida percebe a predominância da “Foné” e do “Falo” na cultura politica ocidental, o que chama de “falo-fono-logocentrismo”. Ainda também na análise da metafísica surge outro conceito o de presença, ao qual Derrida em primeiro momento adere mas posteriormente abandona, que se refere aquilo que aparece no presente.

Para Derrida a presença pode ser vista de muitos maniras distintas, as mais relevantes a tratam como substância, essência e existência, como presença temporal do agora ou do instante, como cogito, consciência ou subjetividade ou como intersubjetividade como fenômeno intencional do ego. Desse modo a presença se associa ao longo da história da filosofia ocidental conceitos básicos, centrais, originais e fundamentais.

Derrida considera ainda Heidegger e Saussure como dois pensadores presos ao falogocentrismo, na medida que um ainda tenta desenhar o cerco final de uma metafísica ocidental voltada a uma questão ontológica, parece não se desprender por completo dos grandes problemas presentes na ontologia tradicional quando abre um novo caminho filosófico para uma corrente ontoteologica. E Saussure que aparentemente mantêm uma base centralizada para concepções linguísticas, mantendo uma noção de superioridade da fala sobre a escrita, ideia que ainda resguarda um pensamento tradicional ocidental. Para solução do problema Derrida propõe um deslocamento para questão da escritura.

Na tentativa de mostrar que a desconstrução não opera dentro de pares binários como a metafísica tradicional, por meio de conceitos, Derrida propõe a ideia de quase-conceito para os termos base de sua filosofia, para que assim seus antagônicos não apareçam de modo hierarquizado.

Para Derrida a noção de escritura deve ser colocada no sentido de denotação daquilo que está escrito, desse modo não é escrita enquanto ato de escrever e nem representação da fala. Tem função documental e retira o privilégio do significado sobre o significante.

Para Derrida a proposta de “arquiescritura” é um modo interessante e relevante para sair da ideia binária de significante e significado, expressão e conteúdo. Pois na media que há uma estrutura primeira anterior a linguagem e ao ato da escrita, pode-se encontrar aquilo que possibilita a fundamentação da linguagem.

A escritura tem como característica ser de fato textual, já que para o autor há uma impossibilidade de qualquer tipo de ideia não seja de fato textual, entretanto não impossibilita a existência de outras estruturas.

É importante ressaltar que texto faz parte de um contexto. O que significa dizer que destacar um texto é colocá-lo dentro de outro contexto, desse modo não é possível ler um texto desprovido de qualquer contexto, pois quando se destaca um texto de seu contexto original na tentativa de buscar uma neutralidade imediatamente quem o destaca se insere em algum outro contexto, nem que seja o contexto de busca por neutralidade.

O que de fato acaba com a binaridade de “fora e dentro” na medida que fora é dentro. Quando se trata de texto e contexto a desconstrução tem justamente o sentido sinalizar essa noção.

A palavra diferença estabelece uma espécie de jogo, que consiste na existência única de diferenças, o que rompe diretamente com a ideia logocêntrica da filosofia ocidental, possibilitando a desconstrução das crenças de absolutas de verdade existentes em um campo transcendente, redirecionando seus fundamentos. É importante atentar ao fato de que a diferença tem um sentido ambivalente entre dois termos binários na medida que se mostra anterior e distinto a eles.

Como quase-conceito a “diferença” tem um sentido atemporal no qual se diferencia do seu equivalente linguístico, que tem o sentido de retardar, atrasar, prolongar, etc. Com uma relação direta aos conceitos de tempo e espaço, a diferencia estabelece um espaçamento sugerindo que o presente não basta para que a significação seja dada; diferir em outros para que surja a significação.

O rastro para Derrida, será o caminho para a significação da origem ontológica do que se mostra, pois para ele é necessário encontrar o que possibilita a presença do entre, mesmo que o rastro se mostre muitas das vezes oculto. Dessa maneira é possível observar um “abalo” nas estruturas que sustentam as ideias de signo e significado apresentadas por Saussure.

O pensamento de Derrida vai muito além de uma noção de desconstrução no caráter epistêmico, adentra também no debate ético e político, mesmo que ele próprio tenha evitado os termos pode-se definir que ética para Derrida é uma abertura radical ao outro, nesse sentido não só a espécie humana, mas também aos outros seres que nos rodeiam, de fato Derrida apresenta uma concepção de ética voltada para a experiência de uma radical alteridade, que se dá também nos termos políticos e de cidadania do autor. Com uma vida de militância, escreve algumas obras sobre filosofia politica, nas quais aparecem termos como democracia por vir.

A democracia por vir consiste em uma noção problemática, devido ao seu caráter de indefinição. Para Derrida a democracia por vir é compreendida como um movimento para o que vêm. A melhor definição do termo é dada pelo próprio autor na passagem:

 

“Não somente ficará perfectível indefinidamente, ou seja, sempre insuficiente e futura, mas pertencendo ao tempo da promessa, ela ficará sempre, em cada um de seus tempos futuros, por vir: mesmo quando há democracia, ela nunca existe, nunca está presente, fica o tema de um conceito não apresentável.” (Derrida,1994, 339-340)

 

O que Derrida apresenta entretanto, é uma noção de democracia que se mostra desprendida de  discursos universalizantes que na realidade escondem interesses setorizados, estando para além de toda falsa ideia de fraternidade que permeia a base da democracia atual. Fato que se mostra presente quando as democracias apresentam aspectos de exclusão de determinados grupos sociais e de corrupção em seus múltiplos setores.

Com a inexistência de uma democracia plena, sua proposta é abrir o conceito ao que ele originalmente prometia, de modo a geral uma inclusão efetiva, efetivando a participação do “outro” e afirmando seu pertencimento em uma comunidade política, o que exigiria repensar as estruturas que a fundamentam.

Para Derrida outro conceito político de extrema importância é o de Hospitalidade, ao qual para ele, está imbuído de um duplo sentido, o de hóspede e o de inimigo, o que permite criar o termo “Hostilpitalidade”.

Desse modo haveria uma clara ideia de superioridade daquele que hospeda alguém para aquele que se hospeda, tendo sempre a presença de um subjugado na relação. Para solução do problema Derrida pondera a possibilidade da existência do caráter de hospitalidade, entretanto considera que algo que está no mesmo campo da democracia, no ideal de “por vir”.

Derrida apresenta dois aspectos da hospitalidade. O primeiro consiste na aceitação do hóspede, do refugiado e o segundo consiste na sua rejeição, o que para ele culminaria na xenofobia, derivada de um sentimento de aversão e repulsa.

Os problemas recorrentes a rejeição, são diretamente ligados as questões humanitárias e jurídicas daqueles que buscam o pertencimento em um certo contexto social, o que de fato, é ainda hoje visto como um paradoxo nas noções de cosmopolitismo, visto as ideias de direitos do “demos” ou dos cidadãos e os direitos humanos.

Outro termo também importante é o “dom” que aparece como secreto, ao qual tem uma característica de circularidade com a noção de segredo, pois onde um termina o outro começa e vice-versa. O “dom” também deve apresentar uma superação da questão econômica.

Já o tema do luto e da morte que aparecem em quase todas as obras do autor, defendida com um caráter de unidade, não havendo uma diferença relacionada à binaridade de suas ideias. Impossibilitando a oposição do vivo ao não vivo, Derrida considera a espectralidade como uma sobrevida.

Considera o luto como uma tentativa fracassada de introjetar outro dentro de si, mesmo que antes do outro falecer, já se subscreve a mortalidade naquele que sofre. Pode-se perceber uma ideia paradoxal no luto, na medida que este relaciona de maneira peculiar dois antagônicos, o passado e o futuro.

Derrida recorre aos “espectros”, para denunciar a hegemonia da perspectiva liberal e neoliberal como uma resolução dos graves problemas gerados por suas próprias contradições, nos âmbitos políticos, sociais e econômicos.

Vale ressaltar uma importante passagem no texto para possibilitar o entendimento de Derrida sobre os espectros:

 

“E para mostrar que todos somos herdeiros de Marx, Derrida apontará pelo menos três grupos de espectros, mas que podem ser desdobrados em outros tantos e que refratam a partir da obra de Marx e dos desdobramentos daí advindos: Primeiramente o espectro do comunismo e dos marxismos; em segundo lugar, os espectros de Marx, propriamente ditos, tratados a partir de uma  leitura minuciosa e profunda de Derrida, não apenas do Manifesto, mas das outras obras às quais já nos referimos anteriormente  (O Capital, 18 Brumário, Ideologia Alemã). Em terceiro lugar, ressaltamos a denúncia feita por Derrida a respeito da espectralidade neoliberal e a produção de fantasmas em nível econômico, político, social e midiático mundial.”

 

De fato para o autor o espectro não apresenta nem características de existência (vida) ou inexistência (morte). O espectro na realidade está como que entre os dois conceitos.

A apresentação do tema da ética animal consiste na ideia de pudor, vergonha e exposição. Com a apresentação de um simples exemplo, o questionamento sobre a noção moral é colocada por duas ideias, a primeira relacionada ao tratamento dos animais e suas alterações durante o século e a segunda que Derrida denomina de “limitrofia”, que consiste na pergunta: Qual o limite entre o humano e o animal?

Tal questionamento é respondido apontando para ideia de que não há diferenças entre os conceitos e que a ideia de animal é a base para as diretrizes das decisões interpretativas. Desse modo pode-se dizer que: “O animal é, pois, o absolutamente outro. Mas não poderia ele ser considerado um primeiro espelho do homem?”