Derrida chama de humanismo o movimento não-empírico de uma articulação da questão do homem que por meio de uma tradução do Dasein heideggeriano, o pensamento em voga na França denominava-se essencialmente humanista, como também uma crítica ao humanismo intelectualista que dominava o pensamento na filosofia francesa. Mas esse mesmo humanismo continua sendo metafísico. há uma familiaridade na metafísica dos dois humanismo que não é interrompida com aquilo que liga o nós do filósofo com o nós homens, ao nós no horizonte da humanidade.

A história do conceito de homem nunca é interrogada. Tudo se passa como se o signo "homem" não tivesse qualquer origem, qualquer limite histórico, cultural e linguístico. O humanismo era o solo comum dos existencialistas e da filosofia, de modo geral.

Derrida aponta que como Heidegger mesmo escreve que antropologia e o humanismo não eram o ambiente de seu pensamento e muito menos o horizonte de suas questões. A destruição da metafísica ou da ontologia clássica é dirigida contra o humanismo. Para Heidegger, todo o humanismo se funda sobre uma metafisica ou torna-se ele próprio no fundamento dela. Toda determinação da essência do homem que já pressupõe a interpretação do ente sem colocar a questão relativa à verdade do ser é metafísica. O próprio de toda metafísica revela-se no fato de ela ser humanista.

Para Derrida, uma repetição da essência do homem permite recuar além dos conceitos metafísicos. Derrida, então, vai mostrar que a analítica do Dasein de Heidegger se relaciona com uma proximidade e com uma distância, de modo que significa ao mesmo tempo próximo e o longínquo para além do humanismo e da metafísica. O pensamento de Heidegger tem a sua condução do ser como presenç a, no sentido mais originário do que a metafísica da presença.

Derrida, em sua crítica ao humanismo, então, vai mostrar que a verdade do ser no qual Heidegger delimita o humanismo e a metafísica, permanece um pensamento do homem. É uma revalorização da essência do homem, em que esta deve ser pensada para além de suas determinações metafísicas. Assim essa revalorização ou restauração da essência corresponde a uma dignidade ou uma proximidade entre o ser e o homem.

As interpretações humanistas do homem não são consideradas falsas por uma certa determinação da essência do homem, mas essas determinações humanistas não experimentam a dignidade do homem. Trata-se aqui de determinar a possibilidade de sentido a partir de uma organização que não tem sentido, o que não significa nã o-sentido que permanece em torno do humanismo metafísico.

Derrida, desse modo, esclarece que a destruição de Heidegger do humanismo metafísico se produz em uma questão hermenêutica sobre o sentido ou sobre a verdade do ser. Ocorre aqui não só uma desconstrução, mas uma ruptura com um pensamento do ser com uma superação do humanismo metafísico, até então trabalhado e pensado pela tradição da filosofia do ocidente.

Portanto, a critica de Derrida ao humanismo, não era somente ao humanismo chamado intelectualista que dominava a filosofia francesa, mas também ao chamado humanismo do período pós guerra principalmente por meio de um autor como Sartre. O humanismo era uma espécie de solo comum da filosofia em que o conceito de homem nunca era interrogado. Partindo de Heidegger, Derrida irá mostrar que todo humanismo se funda da metafísica, já que o próprio da metafísica revela no fato de ser humanista. Assim, pensar em uma questão sobre o sentido e a verdade do ser, na destruição heideggeriana pode-se ser pensada como uma superação do humanismo metafísico.