Desenvolvimento das Questões:

 

1. A crítica ao humanismo em o “fins do homem”.

No início do texto, Derrida coloca em questão o que seria a tradição do homem na tradição Francesa, não como lugar empírico de um movimento, de uma estrutura, e de uma articulação e se seria possível articular o conceito de homem como conceito com todas as coisas que se articulam enquanto tradição francesa. Em primeira instância, na França o conceito de “homem” se articula enquanto essencialmente humanista. De fato, Derrida aponta para o fato da filosofia de Sartre se estabelece, mesmo que se não quisesse, como reduzida a expressão “o existencialismo é um humanismo”. De fato, o que se pode dizer quanto a filosofia de Sartre é que essa se estabelece como sendo uma “monstruosa tradução de muitos aspectos do ‘Dasein’ e por isso, mais significativa”. De fato quando Sartre estabelece que a existência precede a essência abre-se uma condição de possibilidade para a formação do “homem” a partir de si, a noção de “forma” enquanto conceito proposto por Aristóteles se perde e segundo estabelecido por Sartre, justamente pelo homem não ter uma essência primeira, seria possível que ele mesmo articulasse o desenvolvimento dela.

O apontamento para o fato de que com o surgimento do conceito de “realidade humana” a noção de homem com todas as suas heranças metafísicas se perdem, de fato a crise da metafísica incide diretamente nas noções de concepção do conceito de homem no contexto pós-moderno, já que a sua estruturação se relaciona diretamente com as concepções acerca da sua formação desse conceito. O que se estabeleceu com a crise do conceito de homem com toda a herança metafísica foi substituído como o conceito de “realidade humana” que consistia em uma noção expressa como neutra e indeterminada.

“A unidade do ‘antropos’ enquanto, podia sob certos aspectos, ser considerada como a herança fiel da fenomenologia transcendental de Hussel e da ontologia fundamental de ‘O Ser e Tempo’ de Heidegger”. Com efeito Derrida aponta que a constituição do conceito de “homem” no contexto contemporâneo substitucional e irrevogável influência pelas constituições propostas pela fenomenologia, e que por mais da neutralidade das pressuposições da metafísica, até então o conceito de “homem” não era colocado em questão enquanto contextualizado historicamente, por mais que as noções que norteiam o conceito de homem, como os valores que são estabelecidos para sua constituição tenham sido colocado em questionamento, o “conceito de homem nunca é interrogado”, de fato, me parece que essa é justamente a proposta de Simone de Bauvoir, que visa estabelecer uma crítica ao conceito de homem, enquanto o que o constitui e enquanto constituição das estruturas que são pensadas a partir dele, apontando para o fato de que, tanto as estruturas quanto as consequências do estabelecimento desse conceito incidem em uma visão de mundo onde há uma propensão a hegemonia de um só gênero.

“Tudo se aponta como se o signo homem não tivesse qualquer origem, qualquer limite histórico-cultural, linguístico. Nem mesmo limite metafísico.” O que Derrida apresenta como conceito de homem até então na tradição constitui-se como um ilimitado, ele não faz referência a tradição enquanto constituída como a tradição ocidental de pensamento, mas a tradição que nasce e incide na França a partir do período moderno.

O que Sartre estabelece como metafísica constitui-se como o modo pragmático da questão da unidade do ser, como ontologia fenomenológica, que deriva do seu contexto de constituição. O que se apresenta como ontologia para Sartre parece ser o estabelecimento de todas as questões que possibilitam tornar una a metafísica. Desse modo o homem que na tradição se relacionava como algo independente do homem uma estrutura que teria uma existência autônoma, na proposta contemporânea se apresenta como a constituição do homem enquanto homem com todos os seus limites e sem mais a presença da estrutura metafísica.

De fato, o que se constitui enquanto humanismo na filosofia de Sartre estabelecimento um forte vínculo com a filosofia heideggeriana, já que comprova que todo humanismo permanece metafísico. Derrida considera que a fenomenologia transcendental de Hussel tem como motivo principal a crítica do antropocentrismo, de modo a visar não o antropocentrismo empírico mas o antropocentrismo transcendental. Por conseguinte as estruturas que possibilitam se pensar o homem que se mantiveram como objeto de reflexão e não o homem em si e nem de suas extensões. O que se deve ponderar também é que a partir até mesmo do próprio Heidegger a ideia principal do “Ser e Tempo” não é uma o humanismo nem mesmo a antropologia e sim a “destruição” da metafísica e ontologia clássica. O que aponta juntamente para a não relevância do “homem” no que se constitui como pensamento fenomenológico e sim as suas estruturas de constituição.

O pensamento francês, aponta Derrida, estabelece um constante movimento de crítica a antropologismo e ao humanismo, com base nas estruturas estabelecidas pelos fenomenólogos germânicos, com mais ênfase no Heidegger. A partir disso pode-se estabelecer uma crítica ao pensamento de Sartre, na medida em que Sartre, como pensador “francês” parece puxar a filosofia novamente para dentro da metafísica que já tinha sido rejeitada pelos fenomenológicos germânicos.

A composição do limite do humanismo nas configurações de crítica proposta pelos fenomenólogos e de fato o que se considera como foco de estima reflexão na proposta de Derrida. Como passagem magna para expressão de onde se constitui a fenomenologia de Hegel, Derrida expressa “A fenomenologia do espírito sucede a antropologia e precede a psicologia.” De fato pode-se considerar que aqui se encontra o cerne da questão, humanismo e ou antropologismo apresenta-se como uma etapa histórica na tradição filosofia ocidental, na qual se estabelece enquanto consciência do homem, como verdade do homem e superada quando se instaura a fenomenologia porque se torna uma busca da verdade sobre a verdade estabelecida pelo homem, isso significa dizer que enfim há a constituição do limite do homem foi estabelecida, de modo a dizer que a fenomenologia significa a supressão e superação da antropologia.

Isso possibilita dizer que a partir dessa superação e supressão que “Marca sem dúvida o fim do homem, o homem passado, mas também de imediato, o cumprimento do homem, a apropriação da sua essência. É o fim do homem finito.” O que significa que o homem da tradição já não é mais possível, pois ele se constituía enquanto imerso a uma finalidade pré-definida a um telos, e essa finalidade já não se instaura mais como objeto do pensamento filosófico quando relacionada a primeira pessoa do singular (eu) agora deve ser pensada na primeira pessoa do plural (nós), desse modo a noção teleológica continua, mas muda por completo sua perspectiva.

 

2.Lendo-”nos” em “os fins do homem”

As perspectivas que se abrem a partir das novas concepções de homem, caminham para um ‘telos” que não se constitui mais como referente ao “eu” mas sim referente ao “nós” elevando a noção de “nós”. Se a destruição da noção humanista e antropológica culminou pela formulação da obra de Heidgger é concebível que a composição do “nós” tenha tido origem justamente no mesmo momento.

O que se considera como manifestação do homem na perspectiva heideggeriana de fato parece estabelecer uma relação em quanto nós humanidade, e não somente quanto ao homem por si só. O conceito de ente “Dasein” estabelece uma relação de magnetização com o conceito do próprio homem, já que este busca o busca como objetivo da especulação filosófica, o que parece interessante salientar é o fato do que importa nesse momento da filosofia não é o homem enquanto homem, mas sim os caminhos e as estruturas que possibilitam a sua constituição.

Derrida aponta que o movimento de entendimento do ser, por Heidgger, está já constituído em uma compreensão do nos. Desse modo a pergunta sobre o ser, se identifica com uma noção existencial, no sentido de existência sem relação a nenhuma noção de existencialismo, pura e simples existência, entretendo não é possível estabelecer essa noção em alguma estrutura ou fundamento, o que significa que somente é possível pensar o ser a partir daquilo que já existe. Parece então, que a noção em si da existência se da de modo axiomático. Desse modo a “compreensão corrente e vaga do ser é um facto”. Essa noção de compreensão do facto, estabelece a compreensão dos limites do ser, mas isso não pode ser acessado se não depois da própria compreensão do ser.

A investigação acerca da estrutura formal da questão do ser é o que resta ser respondido. E a compreensão dessa estrutura compreende três etapas, (1) o que é interrogado, o sentido do ser, (2) o que é interrogado propriamente visando uma questão, o sentido de ser enquanto questionado (3) o interrogado, o ente que se interrogará, ao qual será levada a questão do ser. O início da elabora de uma possível resposta para as interrogações colocadas começa com a apresentação da fenomenologia o conceito da presença e da presença em si, tal como se manifesta no ente, e no ser que somos nos. O que se segue conflui para seguinte questão, a “elaboração da questão do ser quer dizer, portanto, elucidação do ente, do questionante no meu ser” de fato o que se constitui parece ser a introspecção da questão ao ser singular que intui o questionamento no ente, logo para que haja uma explicação do ser é necessário que primeiro se elucide a questão do ente, e o que aparece como ente na realidade é uma “repetição da essência do homem que nos permite recuar aquém dos conceitos metafísicos humanistas.” O que coloca aquele que investiga em distância das concepções humanistas.

Desse modo o valor de proximidade para com o ente incide diretamente na sua análise, de fato aquele que investiga é, existe, e não há possibilidade de distanciamento do seu caráter de existência, o que acontece é que a determinação daquilo que se investiga é a determinação de si, não mais na concepção do “eu” mas na concepção do “nós”. De fato a observação toma como conclusão que a noção de ser se dá na aproximação, do ser á essência humana, que só é possível pela aparição.

O que se trata na investigação de Heidegger consiste na realidade de mudança de valores, na sua resinificação e da mudança da técnica referente a essência do homem. Aparece a ideia de identidade privada, de redirecionar o ser ao atentamento para com a ideia de existência privada, isso significa dizer que é necessário pensar a essência do ser a partir de uma experiência interna e pessoal. O modo para se fazer esse movimento não significa separar a essência do homem do próprio “homem” mas sim já que a essência do homem é condição de possibilidade para humanidade. Esse movimento consiste na supressão da oposição de essência e existência consiste na restauração da essência que consiste na aproximação do ser com o homem.

O que se dava como distancia ôntica, aquela a que me referi mas a cima, Derrida considera que deva ser reduzia a verdade do ser. O que se levanta em decorrente é a ideia de que não se sabe como necessariamente o homem estabelece essa aproximação. Mesmo que o que se figure seja uma crítica ao humanismo é certo que o pensamento de Heidgger não necessariamente seja direcionado no sentido oposto ao humano, de fato porque o ser mesmo sendo o mais distante do homem em algum aspecto, ele é o mais próximo, já que condiciona a possibilidade dele aparecer, mas sempre liga-se primeiramente ao ente. O que se procura e a proximidade com a verdade do ser.

Para concluir Derrida estabelece o que seria aquilo que constitui a possibilidade para o entendimento geral do pensamento francês. (1) A redução do sentido, “Trata-se de determinar a possibilidade do sentido a partir de uma organização que não tem, ela própria, sentido o que não significa que ela seja o não-sentido.” (2) A aposta estratégica, “A força e a eficácia do sistema, precisamente, transformam regularmente as transgressões em falsas saídas. 1 Tentar a saída da desconstrução sem mudar o aterro. 2 Decidir mudar o terreno. (3) A diferença entre o homem superior e o super-homem. Nesse caso deve ater a ideia de Nietzsche como condição de possibilidade para se pensar uma outra crítica ao humanismo tradicional.