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No encontro das cores, pode surgir uma série de sentimentos e impressões, mas nunca a indiferença, pois só é possível entre iguais. Entre diferentes, o que há é o respeito ou desprezo. Qualquer neutralidade será, basicamente, forjada (FRENETTE, 2000, P.31).

 

 

 

A luta pela ampliação dos direitos civis de grupos historicamente marginalizados e excluídos tem avançado mundo a fora e pautado a agenda dos mais diferentes setores da sociedade. No campo das políticas públicas esta discussão tem produzido a criação de uma legislação especifica que garanta a inclusão dos grupos marginalizados e de combate às formas de exclusão.

 

No caso brasileiro, o mito da democracia racial vem sendo questionado por grupos organizados do Movimento Negro e de Combate ao Racismo, que denunciam que diferentemente do discurso e da cortina do mito da democracia racial, as condições de vida dos afro-descendentes, nos danos ontológicos, psicológicos, materiais, sociais, políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista, bem como em virtude das políticas explicitas ou tácitas de branqueamento da população, de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com o poder de governar e de influir na formulação de políticas, no pós-abolição. Na tentativa de combate esta exclusão de parcela significativa dos brasileiros tem sido propostas várias leis de resgate da cidadania dos negros, dentre elas aprovou-se a lei 10639/03 que prevê Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Onde procura oferecer uma resposta, na área da educação, à demanda da população afro-descendente, no sentido de políticas de ações afirmativas, de políticas de reparações, e de reconhecimento e valorização de sua história, cultura, identidade.

 

A proposta de tratar transdisciplinarmente a questão do negro e sua história criam um grande problema para o licenciado de Filosofia dado à ausência desta temática nos cursos superiores de Filosofia, decorrente do pouco contato entre as Academias Africanas e Latino-americanas.

 

Este trabalho, portanto é uma tentativa de apresentar alguns filósofos africanos e suas questões a fim de iniciar um debate sobre a necessidade de aproximação entre as academias africana e latino-americana, ora visto a similaridade do povo africano e latino-americano.

 

 

 

A Filosofia na África e na Diáspora Africana

 

 

 

A partir dos anos 50 do século XX parcela significativa dos filósofos africanos vão se preocupar com a elaboração de uma filosofia própria, africana, que discuta as profundas transformações sofridas a partir do processo de colonização.

 

Baseando-se em dois aspectos fundantes a saber o exame das condições necessárias para a emergência de uma verdadeira filosofia africana e a insistência sobre o problema das transformações culturais e políticas.

 

Alguns dos temas tratados pelos filósofos africanos deste período encontrará consonância com os temas tratados por alguns filósofos latino-americanos, tais como o caráter e a finalidade da filosofia, o mimetismo na cultura colonizada, a alienação cultural, a relação entre o Eu e o Outro fora dos parâmetros da racionalidade européia, a distinção de uma razão branca e uma razão negra, a relação entre filosofia e revolução, a questão da consciência e libertação nacionais, a dialética da diversidade, diversidade cultural e humanismo, filosofia e religião, filosofia e subdesenvolvimento, a filosofia como fator de libertação e a responsabilidade do filosofo em meio ao seu contexto histórico.

 

Embora marcante o intercâmbio entre filósofos africanos e latino-americanos se restringiu a alguns poucos pensadores. Necessitando um estudo pormenorizado sobre os impactos e resultados deste período, e principalmente um resgate e incentivo a esta troca.

 

 

 

Apresentando alguns filósofos

 

 

 

Edward Blyden (1832-1912) – pensador polêmico, tratou principalmente do mimetismo servil, da alienação cultural dos negros africanos e sobre a necessidade de mudança do método pedagógico de ensino.

 

Considerava de suma importância repensar a centralidade eurocêntrica presente nos currículos educacionais e o resultado que tal sistema produzia no educando negro, que lia e estudava os estrangeiros esforçando-se para no máximo copiar e imitar o que era apresentado.

 

Léopold Sedar Senghor (1906) – sua obra é similar a dos filósofos latino-americanos da libertação, excetuando sua referencia exclusiva ao continente africano e sua constante preocupação com a questão da identidade negra. Combatia a construção de uma antropologia que universalista acabava por assimilar os negros e subsumir sua identidade.

 

Questionando a distinção da razão branca e da razão negra, e a questão do eu e do outro construiu a tese de que a partir da especificidade biológica do negro e de sua sensibilidade que se pode pensar a conduta, a cultura e a razão negro-africana.

 

Stanislas Adotevi – Diante do desvio fixista que o movimento original da Negritude tomou e questionando teses senghorianas, Adotevi defende a concepção de que o negro é construído historicamente pela exploração, sendo sua identidade indissociável da história dos povos negros e do fato de ter sido entre todos os povos explorados o mais explorado.

 

Defende ser papel dos povos negros tornarem-se sujeitos históricos que mudem o curso da história vivida, deixando de ser meros objetos do processo de exploração e opressão.

 

Frantz Fanon (1925-1961) – partindo do conceito de alienação desenvolvido por Hegel e Marx, analisa os mecanismos de dominação na formação da consciência do povo colonizado, enfatizando o antagonismo colonizador e colonizado.

 

O colonizador cria e recria o colonizado, seu racismo acentua o antagonismo, o que produz no colonizado um complexo introjetado em que passa a negar-se como negro a fim de pretender-se um negro-branco.

 

Aponta como rumo a ser seguido pelo colonizado conscientizado a revolta aberta, e as burguesias nacionais e governos das antigas colônias uma reflexão sobre um programa que efetive a soberania popular e aponte uma nova concepção social e política adaptada à realidade concreta que concretize um processo de conscientização do povo.

 

Ébénézer Njoh-Mouelle (1938) – considerando uma juventude distante do colonialismo, forjada numa sociedade neo-colonialista onde o consumismo é um padrão em afirmação e cuja educação lhe é imposta, afirma haver nesta juventude um sentimento contestador e um questionamento criativo da sociedade e da vida que se deseja.

 

Este grito de liberdade da juventude exige uma filosofia capaz de forjar uma juventude que compreenda o mundo onde surge e em que vive, a fim de que seja capaz de forjar o mundo por vir, mundo em que possa desabrochar em liberdade.

 

O livro da Dra. Gislene aparecida dos SANTOS (2000) perfaz “um percurso de idéias que naturalizaram a inferioridade dos negros”. A autora proporciona uma contribuição preciosa para o conhecimento do pensamento social brasileiro ao analisar, sob o prisma da identidade afro-brasileira, importantes aspectos sociais do Brasil, denegados ao logo da história, e autores fundamentais para entendermos a formação da identidade nacional. Filosoficamente bem fundamentada, ela analisa as obras de José Bonifácio, Louis Couty, Joaquim Nabuco, Nina Rodrigues e Gilberto Freyre.

 

No Iluminismo a autora encontra a genealogia das idéias e conflitos que, por um lado, consolidarão a ideologia racialista no mundo, e, de outro lado, a filosofia que servirá para crítica do racismo. Este é precisamente o que ela chamou de “enigma do iluminismo”, pois se foi neste período que a tolerância e os direitos humanos foram politicamente defendidos e filosoficamente justificados, concomitante foi também o tempo em que se forjou a idéia de homem (universal) que, no entanto, era apenas o protótipo do homem europeu, dando margem à formulação do racismo como negação do Outro. Analisando sobretudo as idéias monista de Diderot e poligenista de Voltaire, crê a autora sintetizar o principal debate no seio do Iluminismo a respeito do sistema filosófico que fundamentaria o racismo mundial. Gislene dos Santos envereda pelos (des)caminhos do Iluminismo e traz à tona detalhes absolutamente relevantes na discussão a respeito das diferenças raciais, morais, geográficas entre os povos. Como é obvio, não esquece de tratar do tema fundamental da sociabilidade e da educação, tudo isso agenciado pelo exercício da razão, principal instrumento dos iluministas para compreensão do mundo e o domínio da natureza. Sem abandonar pensadores como Turgot, D´Holbach, Bufron, esmiúça a tema do Progresso Social e, de certa forma fomenta uma reflexão que não deve ser esquecida (ou abolida) dos colégios brasileiros, já que América Latina e África têm muito em comum na construção do pensamento filosófico.