Por iniciativa dos alunos da graduação em Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e

 

com o apoio do Laboratório de Licenciatura e Pesquisa sobre o Ensino de Filosofia (LLPEFIL), coordenado pela profª Drª. Dirce Eleonora Solis, reuniremo-nos a fim de ler a Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant por um semestre (2012/2), com previsão de renovação para mais um (2013/1). Ao final dos encontros serão produzidos pelos proponentes, com o auxílio da leitura de comentadores, textos ditádicos sobre o livro, a serem publicados no sítio virtual do Laboratório (http://www.llpefil-uerj.net/), colaborando com os objetivos do mesmo, especificamente o segundo ponto, qual seja, a produção de “trabalhos e material direcionados ao ensino de filosofia”.

 

 

 

O grupo de estudos se reunirá quinzenalmente às sextas-feiras ao longo do segundo semestre de 2012. As reuniões terão duração de 4 horas, contabilizando 9 (nove) encontros, ou 36 (trinta e seis) horas, com previsão de renovação para mais um semestre (2013/1). Em caso de feriados ou paralisações, haverá reposição das aulas de modo que o total de 9 reuniões planejadas seja satisfeito.

 

 

 

As reuniões serão abertas aos estudantes da UERJ, e haverá divulgação por cartazes.

 

 

 

Disponibilizaremos textos em uma pasta pública, i.e., junto a uma das fotocopiadores do 9º andar, e manteremos um e-mail para mais informações sobre data, horário, e atualizações: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

 

 

A Crítica da Razão Pura é considera por muitos, e evidentemente também por nós, como um marco na história da filosofia, imprescindível de ser estudada por aqueles que buscam entender a virada operada por Kant no pensamento moderno, que configurou, segundo ele mesmo, uma “revolução copernicana” no campo da metafísica. A obra é fundamental na teoria do conhecimento, e trata, a grosso modo e não seguindo a ordem segundo a qual foi escrita, dos limites e condições do conhecimento: como as intuições, conceitos e categorias se relacionam (no sentido lato) na constituição do conhecimento; dos diferentes tipos de juízo, sintéticos e analíticos, a priori e a posteriori; da necessidade das relações matemáticas; das dificuldades colocadas por David Hume acerca da noção de causalidade e se esta pode ser aplicada aos objetos da experiência possível; da distinção entre fenômeno e númeno, coisa para si e coisa em si, e sobre a (im)possibilidade de um conhecimento da(s) coisa(s) em si: a ilusão dialética e a metafísica do transcendente (em oposição ao transcendental); entre outros temas. Além desses pontos, para a compreensão das reflexões de Kant sobre ética, moral, e estética, desenvolvidas em outras obras, se faz necessária a leitura da primeira Crítica.

 

 

 

A projeção do grupo é, para além de uma leitura mecânica da Crítica da Razão Pura, ter uma postura investigativa acerca dos problemas que envolvem cada passo da obra, à luz de comentadores contemporâneos que muito contribuíram para uma revisitação de Kant, a exemplo de Henry Allison, Peter Strawson, Gilles Deleuze, Martin Heidegger, entre outros. Reconhecemos que a leitura completa de todos esses comentadores é absolutamente inviável em um semestre de estudos, mas os participantes do grupo serão informados acerca da literatura secundária recente e terão acesso a esses textos.

 

 

 

O grupo pretende focar nos seguintes três conjuntos de questões (listamos também a leitura recomendada mínima para cada conjunto de questões):

 

 

 

(A) Por que Kant prevê que os problemas intratáveis da metafísica podem perder seu lugar de destaque, se trabalhamos com a hipótese de que nossa maneira de conhecer não se adapta aos objetos, mas são os objetos que tem de se adequar à nossa maneira de conhecer? O que significa dizer que tivemos que limitar o conhecimento para dar espaço para a fé? Porque a afirmação de que existem juízos sintéticos a priori é controversa? Qual é a diferença entre uma metafísica transcendente e uma investigação transcendental? O que se entende hoje quando se pensa sobre a natureza de uma “crítica” da razão?

 

 

 

Crítica da Razão Pura: Introdução e A disciplina da razão pura no uso dogmático (B735-766).

 

 

 

GARDNER: capítulos 1, 2 e 3.

 

ALLISON: capítulos 1 e 3. E páginas 133-6.

 

 

 

(B) Em que consiste a dedução transcendental? Em que sentido Kant mostra que a experiência tem de ser “objetiva”? Ele refuta o cético? Argumentos transcendentais são essenciais para o projeto kantiano?

 

 

 

Crítica da Razão Pura: Dedução transcendental dos conceitos puros do entendimento (B129-175);

 

 

 

Refutação do idealismo (B274-87).

 

GARDNER: pp. 115-165.

 

ALLISON: capítulos 7 e 14.

 

 

 

(C) Kant afirma que: se distinguimos a ordem de nossos eventos mentais da ordem dos eventos no mundo, então o mundo precisa ser organizado de maneira causal. Ele está certo em acreditar que refutou o ceticismo (de Hume) sobre as conexões causais? Kant e Hume estão perguntando a mesma questão? Que tipo de autoconsciência o argumento da Segunda analogia necessita? O que ela fala sobre as leis da natureza? O que nós podemos saber sobre o horizonte da razão humana?

 

 

 

Crítica da Razão Pura: Segunda analogia (B232-256); e Sobre a impossibilidade de um apaziguamento cético da razão pura em desacordo consigo mesma (B786-797).

 

 

 

ALLISON: capítulos 9 e 10.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

ALLISON, Henry. Kant's Transcendental Idealism: An Interpretation and Defense. Yale University Press, 2004.

 

CAYGILL, Howard. Dicionário Kant. Zahar, 2000.

 

DELEUZE, Gilles. Para ler Kant. Francisco Alves, 1976.

 

GARDNER, Sebastian. Kant and the Critique of Pure Reason. Routledge, 1999.

 

GIL, Fernando (Coord.). Recepção da Crítica da Razão Pura: Antologia de escritos sobre Kant (1786-1844). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992.

 

HEIDEGGER, Martin. O que é uma coisa?. Edições 70, 2002.

 

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. 7. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010.

 

_______. _______. Tradução de Valerio Rohden e Udo Moosburger. Coleção "Os Pensadores". São Paulo: Nova Cultural, 1991.

 

_______. Folhas soltas de Leningrado I: Sobre o Sentido Interno. O que nos faz pensar, nº 3, Setembro de 1990.

 

PASCAL, Georges. O Pensamento de Kant. Vozes, 1977.

 

STRAWSON, Peter F. The Bounds of Sense: An Essay on Kant's Critique of Pure Reason. Routledge, 1975.