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Texto apresentado:

 

HEIDEGGER, Martin. O que quer dizer pensar? In: Ensaios e conferências. Petrópolis: Edições Vozes.

 

 

 

(resumo)

 

Neste texto de Heidegger, vemos toda uma tentativa de “resgate” ao sentido original da palavra ‘pensar’. Aliás, o problema explorado por esse pensador - presente como questão central de seus textos (por exemplo, A linguagem e O que é isto a filosofia?) – é exatamente a perda de sentido das palavras empregadas pelos homens. Aqui, Heidegger se volta à palavra ‘pensar’ e, de início, parece nos tirar de um certo comodismo, ou melhor, parece nos impactar com a afirmação de que ainda não estamos na capacidade de pensar. Ora, como assim não pensamos? Tal estranheza por parte dos que se acreditam “seres pensantes” já é prevista por Heidegger, como se observa neste texto. Há muito nos habituamos a repercutir a expressão “o homem é um ser racional, logo pensa”. Mas a questão posta por esse pensador incide no significado que tomamos quando dizemos “pensamos”. Neste texto, Heidegger explica o porquê de dizer que nós ainda não pensamos. Explica inclusive que o fato de o homem ser um ser racional não implica necessariamente que ele, desde sempre faz uso de seu pensamento – pelo menos não no sentido que o pensar tinha originalmente.

 

A afirmação feita por Heidegger – como já dissemos acima, “ainda não pensamos” – é recebida com certa resistência por um contexto onde pensar ganhou outro conceito devido à tendência dominante da técnica. Vemos a importância neste texto aqui discutido no que se refere à atitude de reflexão que opera em relação aos conceitos incorporados pelo homem.

 

Percebemos que toda sua crítica aos conceitos que a modernidade absorve (em destaque o de ‘pensar’) traz consigo a tentativa de fazer emergir uma espécie de relação entre sujeito e um mundo inesgotável de “coisas-a-serem-conhecidas”.

 

E é exatamente essa relação que ficou esquecida segundo Heidegger. O pensamento como atitude daquele que questiona vai ao encontro da coisa que “se mostra” e esta – como ele mesmo diz – é o que “merece ser pensado”, pelo fato de se dar para o pensamento. Para enfatizar a importância dessa relação íntima (entre homem e mundo no processo de conhecimento), Heidegger fala em “gosto”, em “cuidar”, em “acolher”, “ater”, “guardar”, ou seja, expressões que se referem ao pensar, ou melhor, que dizem respeito à relação mantida por aquele que se dispõe a pensar sobre algo sempre procurando, nesta busca pelo conhecer, manter-se numa relação direta com o “a-ser-pensado” (ou “a-ser-conhecido”).

 

“Pensar cuidadosamente” algo quer dizer manter-se próximo, estar diretamente relacionado ao que se nos é apresentado (ao que nos aguça o pensamento). Mas Heidegger chama atenção para a fluidez do que nos prende (a atenção) em algum momento. Assim sendo, a tarefa do verdadeiro pensar deve ser a de perseverar na relação direta com o a-ser-pensado, isto é, um papel de “busca”, de aproximação ao que se esvai muito rapidamente.

 

Prestemos atenção quando ao “pensar cuidadosamente” de que o autor nos fala. Cuidar como sendo o que “zela”, “acolhe” algo. Então, o pensar de que se fala aqui (no seu sentido original) é o que realiza essa função, que é sua essência.

 

Toda explicação do pensar vinculando-o à “cuidar”, assim como à “guardar”, à “resguardar” nos faz perceber que o que tomamos por pensar está na contracorrente de seu sentido original.

 

 

 

Mas, enfim, o que se está querendo dizer ao se aproximar os sentidos de ‘pensar’ a ‘cuidar’?

 

 

 

Levantando esta discussão, percebemos que o ponto principal neste texto – e talvez o mais complexo - seja estabelecer esse vínculo. Mais complexo exatamente porque partimos de um conceito de pensar já inteiramente outro, proporcionado pela concepção moderna de conhecimento/de saber.

 

Na página 115, Heidegger diz: “a ciência não pensa. Ela não pensa porque, segundo o modo de seu procedimento e de seus recursos, ela jamais pode pensar – a saber, pensar segundo o modo dos pensadores” Esse “modo dos pensadores” seria o pensamento ativo, o pensar que procura, nessa sua atividade, estar junto à coisa que se mostra a ele (àquele que se põe a pensar). Sendo, a coisa a ser pensada, fugidia - pois o “‘a-se-pensar’ mantém-se desde sempre num tal desvio” (pág.: 114) -, a tarefa daquele que se dispõe a pensar verdadeiramente seria a de uma busca infindável, isto é, de uma atividade sempre desejosa de manter-se diretamente ligada ao que deve/merece ser pensado.

 

A menção feita ao pensamento científico (pág.: 115) nos ajuda, de certa forma, a entender o real motivo da crítica heideggeriana aqui presente. Parece que encontramos, com a citação da ciência pelo autor, o “objeto” que faltava à concretização, digamos, do que por ele está sendo criticado – muito embora saibamos que tomar o pensamento de Heidegger como uma crítica sobre o modo científico de conhecimento é reduzir demasiadamente seu pensamento.

 

Interessante notarmos que palavras afastadas de sentidos é o que se conseguiu inevitavelmente com o advento moderno do método científico. Neste está, como fundamento, a objetividade da relação entre sujeito do conhecimento e coisa-a-ser-conhecida. Aí se encontra a explicação para o esvaziamento das palavras, ou, se preferirmos, a justificativa para os conceitos que se formam – e sabemos que conceitos são abstrações de que nos utilizamos para conhecer o mundo (são os instrumentos).

 

Não seria o incorporamento desta objetividade conceitual a causa de nossa acomodação no que se refere a pensar?

 

A proposta aqui encontrada é de retomar o sentido original da palavra; fazer com que ela seja a representação do que “se mostra”; fazer com que o que ela diz seja a expressão direta do que é percebido de imediato por aquele que se encontra envolvido nessa relação. Tal proposta desenvolve-se na constatação de que há muito o homem o homem vem colocando em prática o sonho antigo de conhecer verdadeiramente e definitivamente as coisas ao seu redor. Preferindo instrumentalizar seu pensamento para conhecer o mundo ao redor, afasta-se do que é motivação essencial à atividade do pensar.

 

Acreditamos serem estes os problemas sobre aos quais deveríamos focar nossa atenção em uma primeira leitura deste texto.