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Kant e a Educação

 

 

 

Kant define filosoficamente o homem pela necessidade metafísica da educação. A educação proposta por Kant tem um princípio regulador, por excelência, que é a liberdade. Neste sentido, a finalidade da educação é a realização da liberdade através da universalização do pensar, de um lado, e do agir de outro.

 

O homem em Kant pertence a dois mundos: o mundo sensível e o inteligível. No mundo sensível ele está submetido às leis naturais e nele imperam as sensações, inclinações e tendências. Neste domínio, o homem não é livre, é sua animalidade e se afirma como um ser condicionado: é fenômeno. Mas, no mundo inteligível, o homem se afirma como verdadeiramente livre: um ser dotado de liberdade, racionalidade e moralidade. Ser livre em Kant é ser capaz de obedecer à razão, seguir princípios universais. Somente através do uso de sua liberdade o homem se torna capaz de arrancar as amarras da necessidade e elevar-se à condição de ser humano. O conceito de liberdade se identifica, portanto, com o conceito de autonomia.

 

A realização da liberdade se dá na moralidade, por meio da educação, expressando a racionalidade do homem. O homem precisa da educação para desenvolver suas potencialidades que lhe são inerentes. “O homem é a única criatura que deve ser educada”. Por educação entendem-se os cuidados (a alimentação, as diversões...), a disciplina e a instrução como a formação. Porque é livre, o homem possui um vir-a-ser. Possui uma qualidade que lhe é peculiar: a faculdade de se aperfeiçoar, de se transformar; o animal, ao contrário, já é ao final de alguns meses tudo aquilo que é por si. Mas o homem nasce o mais frágil de todos os animais e precisa de imediato, de cuidados especiais para que não faça mau uso de suas forças.

 

A destinação do homem é fazer uso de sua razão. A selvageria tem que ser substituída pela educação. Para Kant, é a conciliação entre liberdade e educação. A conciliação entre liberdade e educação se fará por meio da disciplina. Ela vai preparar o homem para o exercício da liberdade. Portanto, Kant acredita que a disciplina transforma a animalidade em humanidade. O estado selvagem é a independência frente às leis. A disciplina submete o homem às leis da humanidade e começa a fazer com que ele sirva às restrições impostas pelas leis. É preciso desde cedo recorrer à disciplina. Sendo assim, a disciplina é simplesmente negativa.

 

A instrução é a parte positiva da educação. É preciso educar para o pensar, para que o homem passe a usar a razão. Kant afirma que é preciso uma educação que “ensine a pensar” que “cesse de ensinar idéias”. A razão só compreende o que ela mesma produz. Educa-se o pensar para que o homem construa suas idéias, ao invés de recebê-las, para que possa agir criticamente e operar por meio de regras, com lógica, por princípios.

 

O pensamento kantiano, assegura-se no conceito de liberdade subjugada à razão, à moralidade. A aquisição contínua da moralidade leva o homem a usar, cada vez mais, a razão e tornar-se livre, praticar ações morais e universais.

 

O homem por natureza não é um ser moral, mas torna-se moral por meio da educação: combater o mal dentro de si, conhecer seus impulsos naturais, educar o arbítrio para que se transforme em livre arbítrio, para que passe a escolher o bem e respeitar a lei moral. O agir de cada indivíduo deve se pautar em máximas cuja legislação seja válida universalmente. A humanidade não pode estar submissa às necessidades singulares dos indivíduos. O homem tem que aprender a limitar os fins subjetivos, pois seus fins têm que ser fins para todos os homens.

 

A moralidade só é possível com a aquisição da racionalidade pela autonomia da vontade, pela universalidade do pensar e agir. A autonomia da vontade é a única possibilidade que o homem tem de se tornar homem, livre, abandonar o estado de animalidade e participar do mundo inteligível.

 

A educação tem que fazer com que a vontade se torne autônoma e o homem aja de forma racional, universal. A educação moral deve partir da disciplina e deve se afastar para apoiar-se totalmente na liberdade. Para que o homem seja livre é preciso aprender a obedecer às leis que ele dá a si próprio: educa-se para a liberdade.

 

A cidadania representa a responsabilidade do homem diante da humanidade: “cidadãos do mundo”. Uma sociedade de “cidadãos do mundo”, segundo a idéia da razão, só é possível se todos compartilharem de um mesmo futuro, buscando o mesmo fim que é o fim da humanidade. Ignorar isso é antikantiano, o que só será possível mediante um pensar e agir universal, frutos da liberdade, da moralidade e da racionalidade, propiciados pela educação. Reiterando: só a educação propicia a liberdade, ao mesmo tempo em que a liberdade faz realizar a educação. A educação proposta por Kant tem um princípio regulador, por excelência, que é a liberdade.

 

Sendo assim, para Kant não se pode ensinar filosofia, pode-se ensinar a filosofar. Ensinar as técnicas argumentativas (habilidades cognitivas e lógicas) como instrumentos do pensamento. A técnica analítica é pertinente a pesquisa filosófica, mas como instrumento para questionar os conteúdos propostos, refletir e inovar sobre as questões e desenvolver questões novas. Em suma, fazer o uso livre da própria razão.

 

Para Kant, filosofar é pensar sobre alguma questão a partir de princípios universais para sabê-la pertinente ou não. A discussão de juízos sintéticos a priori. Aprender a filosofar é desenvolver um dialogo critico com a filosofia. Filosofar é pensar por nós mesmos, fazendo o uso livre da nossa razão.