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HEGEL, G. W. F. Discursos sobre Educação. Lisboa: Edições Colibri, XXXX.

 

 

 

 

 

No discurso de encerramento do ano letivo de 1810 (terceiro discurso), Hegel começa chamando atenção para a maior conexão estabelecida entre as classes anteriores e posteriores, observando que os alunos que ingressam em uma determinada classe já chegam bem preparados pela classe anterior para alcançar um grau mais elevado na classe seguinte. Neste discurso, o autor mostra a relação entre a escola e a Igreja, tendo em vista que a primeira, por reunir a maior parte da juventude, funciona como organizadora e incentivadora da participação dos alunos no serviço religioso.

 

Neste período, os exercícios militares são praticados dentro do espeço escolar. Hegel salienta a importância deste tipo de exercício para a preparação e a formação do espírito jovem. “Um homem culto em geral na realidade não limitou a sua natureza a algo de particular, mas, pelo contrário, tornou-a apto para tudo” (HEGEL, XXXX, p. 44).

 

A disciplina e a aplicação dos alunos são fundamentais para o sucesso da atividade escolar. Deste modo, Hegel ressalta que a aprendizagem não é a simples recepção e memorização de conteúdos. O pensamento deve começar pela obediência e a recepção deve conduzir necessariamente ao esforço próprio.

 

Hegel também defende que os conteúdos tratem de assuntos particulares. Nesta perspectiva, a escola deve estar comprometida com o ensino e prática de regras, determinações, ideias e leis universais. Ou seja, deve-se partir do particular para chegar-se ao universal. “Há uma interação entre o singular e o universal que faz da aprendizagem no nosso estabelecimento um estudar.” (ibidem, p. 46).

 

Para Hegel, a formação dos alunos (que ele diferencia da disciplina) é a finalidade primeira das escolas. Elas não devem separar a cabeça do coração, pois o espírito humano é uma unidade. Portanto, a formação geral está ligada intimamente à formação moral e à formação do caráter ético dos alunos. “Só um homem com uma boa formação geral pode ser também um homem com formação moral” (ibidem, p. 49).

 

No discurso de encerramento do ano letivo de 1811 (quarto discurso), Hegel começa com uma discussão acerca da relação entre a escola e a formação ética do homem em geral. Hegel destaca que é fundamental que a escola seja capaz de conscientizar os alunos a respeito das determinações éticas, para que haja o desenvolvimento da reflexão moral dos jovens.

 

O autor afirma que a cultura formal é necessária para a ação ética, tendo em vista que faz parte do ensino da cultura a capacidade de aprender corretamente as circunstâncias adequadas para a prática das atitudes éticas. Nesta perspectiva, a escola representa também um estádio ético da formação dos alunos, onde os alunos adquirem uma formação prática. A escola se encontra, assim, entre a família e o mundo efetivo, constituindo-se como elo de mediação e de passagem de um mundo para o outro.

 

Para Hegel, a vida em família representa a relação pessoal do aluno (de sentimento, amor e fé), onde a criança vale pelo simples fato de ser filho, recebendo o amor dos pais sem necessariamente o merecer. Porém, no mundo efetivo o homem só vale por aquilo que ele realiza e, desta forma, é valorizado pelo o que de fato ele merece. Assim, é papel da escola mediar esta passagem de uma vida à outra, em que a criança aprende a determinar as suas ações segundo regras e finalidades determinadas. “Na família, a criança tem de agir corretamente no sentido da obediência pessoal e do amor; na escola tem de se comportar segundo o sentido do dever e de uma lei” (ibidem, p. 62).

 

É mister para Hegel que a educação não seja caracterizada pela opressão, mas sim pelo apoio a uma formação para autonomia e para o sentimento de si-mesmo. A educação para a autonomia exige que os alunos, desde muito cedo, consultem o seu sentimento próprio e exercitem a sua liberdade na prática de suas ações.

 

No mundo efetivo, a escola deve ser vista como uma preparação demorada e preliminar para a mesma. Como na escola os alunos estão ainda em preparação, a própria avaliação dos alunos não deve ser nunca tomada de forma absoluta e definitiva, pois esta preparação não esta acabada. É nesta direção que Hegel vai defender que não se deve apressar a passagem dos alunos para as classes superiores. São, pois, a firmeza e a segurança os elementos básicos da educação, e não a idade, a condição principal para tornar um aluno apto para a classe seguinte.

 

No discurso de encerramento do ano letivo de 1813 (quinto discurso), Hegel afirma que a passagem de mais um ano pode ser uma simples duração para escola e apenas o fechamento de mais um ciclo para os professores, mas para os alunos é um importante processo de desenvolvimento. “Porque o tempo da juventude é, sobretudo, o tempo do caminhar em frente, assim, para ela, um ano de estudo que fica para trás é uma importante nova etapa” (ibidem, p. 72).

 

Hegel afirma que a passagem para uma classe superior depende unicamente dos méritos de cada aluno, da sua aplicação, dedicação e atenção. A passagem incondicional para uma classe superior, sem que o aluno tenha efetivamente adquirido uma preparação básica, afirma o autor, é prejudicial para os próprios alunos. O autor demonstra a importância dos conhecimentos adquiridos durante o ginásio, que apresentam um caráter mais universal e menos específico, como preparação fundamental para a aprendizagem das ciências profissionais.

 

A dedicação a uma profissão determinada na universidade, que apresenta conhecimentos específicos, faz com que nos afastemos do todo em função de uma parte limitada. Fica evidente, portanto, a importância dos estudos realizados durante o ginásio, pois estes nos proporciona a visão do universal, de uma vida mais nobre e mais bela.