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Resumo – Discurso 3, 4 e 5 de encerramento dos anos letivos de 1810, 1811 e 1813.

 

É importante atentar para o fato de que os pensamentos pedagógicos de Hegel se inserem em um determinado tempo histórico em que a educação foi tratada praticamente como uma rainha. Pois, em sua época, de um lado se tinha toda a valorização dada pelo Iluminismo ao conhecimento racional como a grande salvação dos homens não-esclarecidos. E de outro lado, em contraposição com a postura educacional-racionalista Iluminista, se teve a presença e atuação do Romantismo como figura essencial no que diz respeito a uma forma de educação voltada para a sensibilidade.

 

Os discursos de encerramento dos anos letivos no Ginásio de Nuremberg apresentam concepções educacionais que, se por um lado referem-se exclusivamente ao período histórico educacional em que a Alemanha estava vivendo, assim como a cultura e as tradições alemãs propriamente, por outro lado, estes discursos trazem em si, concepções pedagógicas que estão para além de seu tempo e sua cultura, concepções que devem ser tomadas com um caráter de universalidade. Dessa forma, isto possibilitaria pensar Hegel e sua compreensão de Educação em um modelo aberto a discussões independente da época e da cultura na qual estas se inserem.

 

Dentre suas concepções pedagógicas, destacam-se como essenciais a disciplina, a educação prévia da família, os sentimentos de respeito com o próximo, de cooperação mútua em sociedade, a interdisciplinaridade, condições de infra-estrutura no espaço educacional, etc. Questões que são bem abordadas por Hegel nos três discursos em questão. E que merecem uma maior atenção quanto aos conteúdos trabalhados no seio destas concepções.

 

Primeiramente, um fato que expressa muito bem à concepção geral de Hegel no que diz respeito à Educação, ou antes, com o conhecimento, é quanto a sua preocupação com a forma em que as disciplinas escolares são tratadas. Isto é, de forma isolada e encerrada em si mesma. Parece que este modelo educacional de forte tendência iluminista é, em alguma medida, desprezado por Hegel quando este alega a dificuldade que os homens têm para aprender uma nova ciência ou arte a qual a sua natureza lhe parece estranha. Segundo Hegel, o conhecimento das ciências e das artes não deveria ter esse caráter de isolamento em si mesmo. Pois isto seria justamente o que impediria a o crescimento intelectual dos homens se dá de maneira plena. Hegel afirma: “Um homem culto em geral na realidade não limitou a sua natureza a algo de particular, mas, pelo contrário, tornou-a apta para tudo”. É interessante de se observar nesta sua concepção, o quanto de uma interdisciplinaridade Hegel já não estaria propondo para um modelo educacional futuro. Um modelo que pudesse tratar o conhecimento, independente das especificidades presentes em suas diversas áreas, de maneira significativa e satisfatória para os alunos das mais variadas instituições. Ele observa que o aprendizado não deve se limitar a uma simples recepção, mas que este exige dos alunos uma auto-atividade da compreensão e a capacidade de se utilizar do mesmo. Porém, Hegel observa que este modelo educacional não é algo que se dê de maneira tão fácil assim. Um outro traço característico em seu pensamento é justamente o de tratar a tarefa da educação como uma prática que só pode ser consolidada a partir do trabalho árduo e contínuo. Exigindo-se para tal, uma disciplina. Uma característica típica da cultura alemã e que merece ser notada como exemplar.

 

Hegel nos chama atenção também para a importância que os costumes familiares têm para com a Educação dos alunos. Nesta concepção é que será introduzida a noção de disciplina. Ou seja, para Hegel, a disciplina não cabe ser incitada nos alunos unicamente pelos professores em suas respectivas instituições de ensino, mas antes, algo que já tenha sido incitado e desenvolvido pela família destes alunos. Assim como as noções éticas e morais que devem fazer parte do currículo prévio destes alunos. Sendo papel da escola apenas ajudar a desenvolver a compreensão destas noções, assim como discuti-las em vista das diferentes concepções das mesmas. Tanto que esta parece ser a preocupação central do pensamento hegeliano no que diz respeito à Educação. Ou seja, “a relação da escola e do ensino com a formação ética do homem em geral”.

 

Sobre a educação familiar e sua relação com a escola, Hegel afirma que essa vida antecedente a vida escolar que os alunos estão habituados, pode ser descrita como uma vida de relações pessoais, relações de sentimento, de amor, de fé. Ele observa que a criança enquanto inserida em uma família, experimenta mesmo sem o merecer, o amor e mesmo a cólera dos pais. Coisa que na escola, um traço característico da concepção educacional hegeliana é que tudo que é referido aos alunos, assim o é por merecimento. Diferindo assim da educação familiar. No entanto, desde já, é importante, segundo Hegel, que a família eduque os seus filhos para que esta concepção possa ser efetivada. Isto é, no mundo, as pessoas só ganham ou perdem as coisas por merecimento próprio. Hegel dirá; “a escola é, portanto a esfera mediadora que faz passar o homem do círculo familiar para o mundo, das relações naturais do sentimento e da inclinação para o elemento da coisa”. Isto é, na escola é que a criança receberá um significado sério para as coisas próprias do mundo. Aprendendo a controlar suas inclinações naturais em vista dos objetivos da vida profissional.

 

Esse traço encontra-se já na visão que Hegel tem do papel do professor na escola enquanto profissional. Enquanto dever da atividade profissional, o professor na visão de Hegel deve abster-se daquilo que diz respeito a um benefício próprio em função de considerações mais elevadas. Isto é, à tarefa própria de educar. O dever ético que este tem que ter com relação à instituição de ensino em que se insere, com seus alunos, com a família destes, e acima de tudo, com o Estado.

 

Por fim, a educação se mostra para Hegel como algo essencial para a inserção do homem na vida profissional em sociedade. Algo bem comum as concepções apresentadas pelo tempo presente. Assim como, segundo ele, a educação por etapas tem um papel essencial nessa concepção. Isto é, ele se refere à educação ginasial que é precedente a entrada na Universidade na Alemanha da época de Hegel. Portanto, assim como nenhuma das etapas deve ser suprimida, a boa formação nestas garantiria os subsídios educacionais necessários para a vida profissional. E Hegel conclui afirmando que mesmo que a juventude não seja capaz de reconhecer o valor das práticas educativas que lhes foram empregadas, a aquisição que se faz em conhecimentos e cultura ainda constituem um imenso ganho para a vida profissional e pessoal destes jovens.