СНПЧ А7 Омск, обзоры принтеров и МФУ

 

 

 

 

 

Sistematização do banquete ateniense:

 

 

 

O primeiro passo a darmos é entender o que realmente é um Banquete, um simposion ; trata se um evento social que acontecia como o objetivo de crescimento intelectual na Grécia antiga, esse evento dividia se em duas partes, um de refeição comum e outra de bebedeira comum organizada em função de um outro objetivo que não fosse o de beber, e sim de discutir algo que produzisse. Existiam regras de organização que deveriam ser cumpridas, como quantidade de bebida e o tema sobre qual os participantes seriam obrigados a discorrer. O autor do tema escolhido seria o primeiro a falar, no caso estudado é o Fedro pai da idéia, que foi enunciada por Eurixímaco, a ordem era da esquerda para direita e o último a falar seria o convidado de honra que aqui é Sócrates, contudo nos temos um convidado inesperado que subverte esta ordem e é o ultimo a falar, mas como é inesperado o banquete foi organizado para que Sócrates fosse o último.

 

A entrada de Alcebíades é tumultuada, pois ele transforma o Banquete em uma orgia ao obrigar todo mundo a se embriagar, além de tomar o lugar de Fedro que estava sendo o presidente que garantia que as regras fossem compridas. Importante ressaltar que para Platão o uso do vinho devia ser de uma forma comedida, ele se preocupa em dar ao vinho um estatuto legal, para que os banquetes não fossem apenas diversão mas que participassem do objetivo da política isto é, uma educação moral.

 

 

 

 

 

A paiderastia:

 

 

 

Por fim, mas não menos importante, temos a pederastia ora confundida como homossexualidade, ora confundida com pedofilia; devemos esclarecer que essa instituição da Grécia antiga nada tinha a ver com caráter obscenos, era uma instituição pedagógica de idéias nobres e elevados. Pederastia1 era uma afeição de um homem mais velho por um garoto que acontecia normalmente no ginásio, foi neste local aonde os meninos desenvolviam seus físicos que os homens mais adultos ficavam a admira-los e presentea-los sempre com presentes de valores pedagógicos, isto é, que os ensinasse o valor do mérito, o combate, a questão da virilidade, jogos para desenvolver a lógica, instrumentos musicais etc. A finalidade era que um adulto educado, que soubesse detalhes sobre a vida social, sobre as funções do estado, valores éticos, disciplina, basicamente coisas que não se ensinava na escola; esse adulto que não era o seu pai, pois este estava ocupado com os negócios políticos da cidade, estava encarregado de transmitir seus conhecimentos e suas experiências ao jovem que deveria ser instruído, e tornar se um cidadão responsável com uma base solida; claro que o jovem também transmitiria seu vigor da jovialidade ao seu instrutor.

 

A questão sexual, vemos os adultos bolinarem os jovens mas nunca o contrario acontecer, o ato sexual quando ocorria, ocorria entre as coxas do jovem, na posição chamada de intrafemural, como o relacionamento homem e mulher, somente assim era permitido por questões morais e sociais, a penetração anal era vergonhosa rebaixava o jovem a posição da mulher, qualquer tipo de penetração era visto como ato de submissão, passividade e humilhação da pessoa que estava sendo penetrada, jamais um futuro cidadão poderia ser instruído dessa forma.

 

O amor grego é visto como o amor entre rapazes, não tem sentindo de perversão, para Foucault a noção de homossexualidade moderna não se aplica a pederastia grega pois não é um distúrbio da sexualidade. O amante normalmente é o adulto que é o ativo, ao encontro do amado, que é o mais jovem passivo que não necessariamente ama o amante, que tem um conjunto de regras a cumprir, como por exemplo a resistência dos desejos, como domínio de si. A pederastia é parte de Paidéia, é uma iniciação, um rito de passagem para a maturidade.

 

 

 

 

 

 

 

O discurso filosófico:

 

 

 

O importante a distinguir que para a filosofia a questão fundamental a ser pensada sobre o amor é, se Eros é um deus ou não? É exatamente ai que vamos diferencia o discurso não filosófico, como por exemplo, os de: Fedro, Aristofanes e Alcebíades, do discurso filosófico, como o de Sócrates. O discurso que afirma que Eros é um deus, isto é, o discurso não filosófico introduz a oposição à metafísica, vemos de um lado o mundo dos homens e do outro antagônico o mundo dos deuses. Já o discurso filosófico nos permiti a compreensão do amor como falta, que por sua vez permiti a construção da conexão desejo,instinto à procura do conhecimento.

 

 

 

Os discursos:

 

 

 

O primeiro a falar, é Fedro, a exigência filosófica feita por Platão era que primeiro discorresse sobre a natureza e só depois dos efeitos de Eros, contudo isso é esquecido e cada participante faz o seu elogio. Vemos na verdade que o Eros de cada conviva é também uma descrição do seu campo de atuação, chamamos assim os discursos também como máscaras de Eros. Retomando a Fedro, todos os discursos anteriores ao de Sócrates tratam do Eros como um deus, para Fedro Eros é um deus superior no Olímpo, ele não somente tem natureza divina como uma ascendência sobre todos os deuses, o seu domínio se estende a todos os seres do cosmo. Fedro fala da antiguidade de Eros como causa dos maiores bens, o discurso de Fedro é conforme a teogonia de Hesíodo no que diz respeito à divindade primordial, Eros ao lado do Caos, da Terra e do Tártaro. Contudo, para Grimal o caos seria o vazio primordial, não se confundindo como nada porque não existia essa reflexão para os gregos; logo o Eros seria o primeiro. Ao tratar o Eros como causa por ser o primeiro e o mais antigo dos deuses, Fedro é criticado nos discursos posteriores por Agatão e Sócrates, para ambos essa explicação da causa de todos os bens não procede, pois a causa deve estar relacionada à natureza do que esta sendo elogiado.

 

Para entendermos a concepção grega do amor, basta nos considerar que: amado e amante corresponde à passividade e atividade, consecutivamente, temos nessa relação o binômio que traduz a relação de pederastia, os gregos não consideram o desejo mutuo fundamental para que se dê o amor, para eles apenas um tem que desejar e outro ser o desejado, hora nenhuma vemos a reciprocidade acontecer. Em Fedro, o amante tem dentro de si o deus e tudo lhe é permitido, diferentemente do amado.

 

Eros é um deus que pelo meio do menos2 empresta ao homem os olhos de um deus, esse fenômeno podemos chamar de êxtase-erótico-religioso, ele não imprime na psyché como os outros deuses, mas sim por curto tempo torna os olhos de mortal olhos de um deus,em sua diacosmese3 Eros deixa que o amante então veja seu amado com os olhos de em deus, vê o verdadeiro ser e não o simulacro (phantasma) do seu amado.

 

Quando Fedro fala de morrer por amor ele quer dizer que tão intenso é o ardor inspirado pelo deus que somente os que amam, os que recebem o sopro da menos, são capazes de morrer4 no lugar do outro, não se trata de suicídio por amor, pois falamos de um ato de coragem e não de um ato de desespero.

 

Fedro seria a máscara do literato, o herói que fala da inspiração. Segundo alguns estudos o deslize de Fedro estaria em se acomodar na força das tradições, concordando com os que já haviam falado do Eros, para Platão a constituição de um discurso filosófico é feita pela argumentação por via da razão. Talvez aqui, poderemos concordar em dizer que esse diálogo é mais que uma paródia e menos que uma doutrina.

 

O segundo a discursar é Pausânias, podemos falar de um discurso deontologico pederasta, isto é, um manual de como deve ser o amor entre o erastê e o eromenos, discurso de cunho moralista; a parti daí vemos a dupla face do Eros, isso devido à genealogia de Afrodite, isto é, como existem duas Afrodite existem dois Eros, um Eros celestial vindo da Afrodite Urânia, celeste, mais velha, sem mãe( mais um fato que mostra a questão da mulher na Grécia antiga), filha do Urano, fruto da castração do pai também conhecida como Afrodite hesiodica ; e o Eros popular ou sexual vindo da Afrodite pandemia, filha de Zeus e Dione fruto dessa copula sexual, também conhecida como Afrodite homérica. Deve se elogiar especialmente o Eros celeste, inclusive o amor masculino5 é desse Eros, esse Eros é mais nobre, por não ser filho de mulher seus desejos são voltados pra outros homens. Essa genealogia que é característica da literatura da época, na verdade quer nos dizer que essa dualidade é entre o sexo e a alma, a primeira mostra a instabilidade através da geração do corpo, filhos da carne, pouco duradouro; já o segunda mostra nos a imortabilidade através da geração da alma, próximo aos deuses. Nesse momento vemos clara outra concepção platônica, da superioridade do espírito à carne, não é extinção do desejo sexual, mas o controle, a temperança. È um dos discursos que mais tem pontos próximos com o de Sócrates, pois a natureza do céu é ligada ao plano do inteligível, essa dualidade mítica entre Eros humano e Eros celestial pode se desdobrar na relação sensível, inteligível; veremos mais a frente. Essa distinção, de dois Eros será mantida pelo próximo a discursar, contudo ele a ligara a medicina.

 

Essa distinção que Pausânias faz permite valores quanto ao amor, e é uma exigência pedagógica, além de vermos a justificativa ética da pederastia. O Eros celestial que ele diz que deve ser elogiado é o Eros que busca aquilo que tem na natureza de mais belo e inteligente, somente o amor que conduz a virtude e ao belo deve ser almejado, e é esse o amor que acontece entre os rapazes, por isso superior, é o único que tem condições que permitem a passagem para o que é melhor, oposto ao Eros popular que é nitidamente feminino e fraco, absorvido na relação física e na beleza efêmera e corporal, é a violência de um amor inclinado a vícios e procriação. Pausanias é a máscara do amante de Agatão, o moralista que fala da virtude.

 

O terceiro a discursar é o médico Erixímaco, o que enunciou a idéia de discursar sobre o amor nesse diálogo, na sua fala vemos proximidades com Pausânias no que diz respeito à existência de dois Eros, só que diferenciado por não estar apenas na alma, mas em todo cosmo; outro ponto interessante é ver a proximidade do Empédocles no que tange a questão da harmonia, da concórdia e do equilíbrio. Esse discurso deixa claro que a natureza do corpo comporta esses dois tipos de amor, o amor no que é sadio que podemos traduzir na medicina e o amor ao mórbido que podemos traduzir como o vício dos dessemelhantes, desejar o dessemelhante. Para o médico a saúde seria a harmonia dos contrários como em Empédocles, o amor. Ele aproveita nitidamente para fazer o elogio à medicina, vemos o desejo de subtrair na medicina o que é sagrado, místico, ressaltar a medicina como tékne, a técnica de cura para atingir resultados de melhora dos pacientes. Surge o amor como philia, um principio universal de atração dos semelhantes que rege não só a medicina, mas ginástica, agricultura, as demais áreas. É preciso cuidar para que o amor se realize segundo a diké, a justiça e sabedoria, uma vez que se trata de uma potência universal fundamental que tem laços entre homens e deuses, isso nada mais é que um preparar de caminho para Sócrates, o médico apresenta o Eros como uma aproximação do caminho árduo do exercício filosófico que culmina na consumação do que é bom ou belo. È a mascara do medico que fala da Harmonia.

 

O próximo a falar é Aristófanes, diferentemente dos outros que trataram das virtudes do amor, este tratara da sua natureza, discorre sobre o poder do amor; ele suspende essa distinção do Eros em dois e introduz a questão da falta. Retoma o poder do amor, e propõe a falar de outro modo, acredita que é necessário o conhecimento da natureza em primazia, usa o mito da origem e da mutilação, o amor então é a busca não da metade perdida, mas da totalidade partida, e a incapacidade de amar está ligado à impiedade dos deuses e uma nova mutilação. O Eros é a aspiração de retorno ao todo e ao uno, ele tende unir dois a um só, devolvendo o homem sua antiga natureza e tornando o completo e feliz. Juntar o que foi separado é fundamental para se entender o amor segundo Aristófanes, Eros é a força que rege a união amorosa, a apreensão humana de sua condição carente é o impulso para a busca da sua metade que o completa. É a máscara do comediógrafo que fala da plenitude.

 

Então, vemos que segundo esse mito, o sentimento amoroso não é exclusivamente sexual, é a antiga natureza que justifica essa busca metafísica do homem pela totalidade do ser, não só corporal, mas também de união a alma, pode ter uma estreita ligação com uma profecia da felicidade humana, o chamado segredo erótico. Aristófanes nos apresenta o ser humano tendo limite dentro do seu próprio corpo, condenado a uma situação que impede de realizar sua completude.

 

O quinto a discursar é o anfitrião da casa, o vencedor do concurso de tragédias do dia anterior, Agatão, ele é o que mais contribui para o discurso de Sócrates. O seu discurso é marcado pelo excesso de atributos e qualidades que na verdade é ordenado durante todo os outros discurso, esse simposista faz um apanhado dos atributos até então dados a Eros, trata se de um deus que é dotado de todas as qualidades.

 

O poeta procura fixar um método para não cair no mesmo erro dos seus anteriores, esses por suas vezes teriam caído no erro de se limitar aos dons obtidos graças ao deus, o seu método esta no cerne de o que o objeto do elogio é, sua natureza e sua essência só depois desses passos pode-se passar para o segundo, que é estudar seu domínio e sua influência, este preceito metodológico esta igualmente o que Sócrates faz um pouco adiante, contudo ele não se contenta com seu método e cai no vicio dos outros que ele criticou.

 

Alguns estudiosos acreditam que esse discurso seja pobre em conteúdo, conta que Eros é um deus jovial, belo, e feliz, e como bom jovem possui poucos traços de responsabilidade e tem como ilustração, o cupido. Um deus que leva a sociabilidade, não causando injustiça, regendo as relações cordiais, amenas na terra. Defini e caracteriza o Eros, discurso menos psicológico, menos relacionado com a alma, reescreve a essência do Eros, infantil e ingênuo sem poderes, possuidor de uma beleza suprema. A arte erótica aqui se encontra em atribuir ao Amor vários adjetivos e acumulado assim em sua essência. Agatão se estende e se perde da sua proposta inicial, mas contribui para o discurso de socrático. Podemos pensá-lo como antidiscurso ao de Sócrates por usar belas palavras usando todo seu talento de poeta e fugir de sua proposta inicial, essa descrição negativa é a matéria que possibilita o convidado de honra elaborar seus ajustes e seguir com seu discurso ao caminho da verdade. É a mascara do tragiografo que fala da beleza.

 

A análise desses cinco primeiros diálogos é essencial para se entender o discurso de Sócrates, pois eles são simultaneamente recusados e conservados para elaboração do discurso mais esperado. Esses discurso iniciais são igualmente ligados o que podemos chamar de pseudo valores, pois embelezam e enaltecem o objeto mas não tocam em sua essência., evidentemente que isso provoca o pretexto para a fala da sacerdotisa Diotima que nada mais é que a fala de Sócrates. Os discursos propedêuticos e não filosóficos nada mais são que a desmistificação do Eros, a ascensão para o intelectual, puramente abstrato, o Eros vai passando por filtros e suas bases místicas vão ficando, sobra o Eros puramente filosófico, profundo feito por uma escala vertical que será falado por Sócrates.

 

 

 

 

 

Do Eros à philia:

 

 

 

Esse titulo é o que separamos para falar do discurso de Sócrates, diferentemente dos outros, ele não começa apenas a discursar, mas usa do diálogo, um misto de discurso e discussão, no primeiro momento embaraça Agatão, mostrando que no seu discurso existe uma antítese (que será mais tarde desenvolvida, a questão que o amor não é belo, mas por isso não é feio), mas não sendo essa sua ênfase , continua contando o famoso mito de Diotimia, aqui abre mais uma estreita relação que o Sócrates estaria no poder do daimon, mas não nos cabe agora discutir toda essa questão, conceitua então o Eros - mediador tem a função de interpretar, de transmitir é como a linguagem.

 

Essa natureza intermediaria é explicada pela sua origem, filho da Pobreza e do Recurso. Da mãe herdou a fome, carência, insaciável, e do pai herda as artimanhas, com busca de suprir suas necessidades, essa genealogia introduzida pela sacerdotisa é diferente da mitologia. Um Eros filósofo com amor a sabedoria que possui uma constante busca, uma inquietude, pois o amor, é o amor ao belo, e a sabedoria nada mais é que belíssima. Essa conquista é descrita como uma ascese. Vemos então o eixo mudar nesse momento, o amor para Sócrates tem um nível inteligível, não vemos mais a questão corpórea, e sexual, na verdade passa-se desse campo para outro. Essa ascese é, na verdade, uma cadeia progressiva de onde desloca o indivíduo sexual, corpo, para um campo de amor, amizade não mais por outro comum, mas à filosofia, passa-se do mundo sensível para o inteligível.

 

O Amor Platônico então tem essa face, uma origem híbrida, genial. Não falamos de um deus, nem de um mortal, sua função é fazer a ligação desses dois pólos completando assim o universo. Vemos também a explicação do desejo eterno, que é a busca do belo e do bom, não no momento, mas pra sempre, ligado a insaciável sede do Eros pelo conhecimento.

 

A passagem do amor corporal é na verdade uma extensão rudimentar do amor espiritual, isso tudo parar garantir a natureza imortal.

 

... uma sucessão por degraus que partindo do amor do belo em si, cuja a plenitude é insistentemente assinalada através de uma minuciosa enumeração de acidentes que não devem empanar-lhe a pureza absoluta (248c-212ª )...”

 

Surge então a idéia do amor não mais cientifica que a do Erixímaco, nem mais poética que de Aristófanes, nem dual como a de Pausânias, e é nesse momento enfatizada pela idéia do Belo (essa é sua peculiaridade). Essa contemplação do Belo em si, é fundamental para entendermos a tríplice contida no discurso de Diotimia/Sócrates, que é confusa, mas essa questão do Belo funciona como uma conjunção, elo que une esses três pólos. Daí Platão nos enuncia sua teoria de participação como sua teoria do amor, o amor intermediário entre o sensível e o inteligível, homem e os deuses, as idéias e suas manifestações.

 

Eros não é um deus, é um daimon responsável pelo intermédio entre a esfera humana e a esfera divina,o Eros tem o poder de interpretar e transmitir aos deuses o que vem dos homens, esse entendimento( do Eros6 como metaxy, intermediário nem homem nem deus) será a orientação para o entendimento da filosofia como relação de vontade de saber que motiva os dois termos, vontade e saber e não uma especificidade do saber. Para entender essa ascensão basta considerarmos que esse estudo do Eros é uma análise da ascensão erótico-filosófica, isto é, momento em que Platão vincula o Eros ao logos por um movimento de busca do belo e sabedoria.

 

Durante todo o dialogo vimos os simposistas se posicionarem com discursos não filosóficos e ora falando da falta ora da distinção dos Eros, Sócrates faz um discurso filosófico e consegue sistematizar esses dois temas. Outra comparação é que apenas para Fedro existe o falso amantes para todos os outros simposista existe o mau amante, que não ama como se deve. Para Sócrates o amor não é amor do amado empírico ( critica a Aristófanes), mas sim da idéia do belo, o que parece reciprocidade na verdade é o amor dos dois, a um terceiro que é o belo. O belo é o amado e todos os que o desejam são os amantes, não há amado que ame seu amante ainda mais em se tratando do belo em si, pois ele não pode se apaixonar por nenhum dos seus amantes.

 

O elogio ao amor termina com o Elogio de Sócrates e toda sua problemática, contudo o diálogo não termina por ai, temos ainda a chegada de Alcebíades embriagado e seu discurso de elogio não ao amor, mas a Sócrates, um discurso com teor de rejeição que também vai nos servir para refletir o Eros mundano, uma paixão dionisíaca. A entrada de Alcebíades ao banquete transforma o em orgia quando obriga a todo mundo a se embriagar e toma lugar de Fedro que estava organizando o banquete, acredita se que Platão tem um duplo sentido com essa entrada inesperada, a primeira de transpor o elogio de Eros ao elogio do filósofo e de Sócrates verdadeiro amante e verdadeiro filósofo; o segundo objetivo estaria em compor uma continuação de defesa do seu mestre que estava sendo acusado pela derrota de Atenas e pela traição de Alcebíades. Alcebíades trás na sua entrada também uma acusação, de que Sócrates não seria o amante na sua relação de pederastia, que ele seria o amado, e por seus grandes atributos fazer o amado a se apaixonar, invertendo a relação de pederastia, que muitas vezes era visto como vergonhoso. Alcebíades jovem deixa ser o amado, e se apaixona por seu mestre, torna se então amante também, quebrando assim as regras da pederastia, e acusando Sócrates de ser um enganador. No caso do amor filosófico, mestre e discípulo tornam se amantes de um terceiro, o verdadeiro objeto do amor, o belo. A noção de reciprocidade não acontece hora nenhuma na obra de Platão , contudo acreditamos que Alcebíades reclame da falta de reciprocidade vista em seu relacionamento com Sócrates, afirma ele que seu agora amado e amante, mesmo possuidor de tantas riquezas não é capaz de amá-lo, e o deixa em situação vergonhosa quando o deixa em situação de amado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

 

ARÊAS, J. B.O delírio dos deuses e a loucura do filósofo. Comum (Rio de Janeiro), Rio de Janeiro, v. 11, n. 25, p. 05-24, 2005.

 

 

 

FRANCALANCI, Carla. Amor, Discurso, Verdade. Uma interpretação do Sympósion de Platão. Vitória: EDUFES, 2005.

 

 

 

FRANCO, Irley. O Sopro do Amor: Um comentário do discurso de Fedro no Banquete de Platão. 1ª ed. – Rio de Janeiro: Palimpsesto, 2006.

 

 

 

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade II: O Uso dos Prazeres. Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984.

 

 

 

MACEDO, Dion Davi. Do elogio a verdade: um estudo sobre a noção de Eros como intermediário no Banquete de Platão. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001.

 

 

 

PESSANHA, J.A. Motta. Os Sentidos da Paixão – Platão: as várias faces do amor. Funarte: Núcleo de Estudos e Pesquisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

 

 

 

PLATÃO. O Banquete. Trad., introdução e notas Prof. J. Cavalcante de Souza. 4°ed.Rio de Janeiro: DIFEL, 2006.

 

VRISSIMTZIS, Nikos A. Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga. Trad. Luiz Alberto Machado Cabral. São Paulo: Editora Odysseus, 1ºed.2002

 

1 A palavra é composta por paîs ( criança) e erân ( amar).

 

2 Menos e Ate são formas de intervenção divina no humano, a Menos é mais apropriada para falar de amor, pois se tem consciência quando se está sentindo, opostamente da Ate, que o ser humano fica em transe. Especificamente, Fedro fala apenas da Menos que é introduzida no ser humano por um sopro divino.

 

3 A glória do amor não está em se originar na alma,esta em ser imposto por essa diascomese do deus.

 

4 Fedro distingue os modos de morrer por amor: morrer no lugar de x seguir na morte. Seguir na morte é superior a morrer no lugar de.

 

5

 

6 Eros é o laço que une os dois mundos ( humano e divino)q eu foram separados.