1. EMENTA:

 

Com a base adquirida no primeiro ano do ensino médio acerca da filosofia antiga e tópicos relacionados à filosofia medieval, o segundo ano visa abordar uma visão histórico-conceitual das questões centrais da filosofia moderna, onde os temas relativos ao sujeito e à fundamentação da ciência serão tratadas sob a luz de filósofos como Descartes (a descoberta do sujeito, a razão, a prova de Deus, a fundamentação da ciência e o idealismo cartesiano) e Espinosa (a inteligibilidade integral do real e a tentativa de tratar a afetividade humana de maneira estritamente racional). No segundo enfoque dado pelo curso, tais doutrinas racionalistas entrarão em choque com as concepções empiristas (valorização da experiência e da sensação). No último módulo do curso, pretendemos problematizar as questões já tratadas e apontar para os problemas que remetam para o final da modernidade e início da contemporaneidade, como a interação entre razão e experiência (Kant) e a perda das bases seguras do sujeito, ou seja, a perda do sujeito puro e dado, a morte de Deus e a hipótese do inconsciente (Nietzsche, Freud).

 



 

  1. OBJETIVOS:

    Objetivos gerais: Refletir sobre as questões centrais da filosofia moderna; refletir acerca do próprio pensamento; suscitar os alunos para as questões do dia-a-dia, mostrando que muitas podem ser abordadas filosoficamente; estimular a capacidade argumentativa dos alunos; incentivar a leitura de textos e obras filosóficas; trazer o aluno para uma forma de pensar inerente à filosofia, mostrando como tal exercício pode enriquecer sua experiência com as demais disciplinas.



    Objetivos específicos:

    -Levantar as condições que levaram Descartes a buscar um eixo sólido para fundamentar um sujeito cognoscente, bem como sua importância na fundamentação do saber. Os alunos também serão acompanhados na construção moderna do conceito de razão.

    -Sensibilizar o aluno para as questões que levaram os filósofos a buscarem uma fundamentação teórica e metafísica da ciência, bem como a afirmação de uma inteligibilidade integral do real, onde até o que nos aparece como inteiramente fugidio (a esfera sentimental) seria traduzível em caracteres racionais. Tal estudo visa suscitar debates fervorosos, pois trata-se de algo próximo, representando um tema que, geralmente, o aluno interessa-se em debater: a questão da natureza afetiva do homem.

    -Trabalhados os conceitos anteriores, levantaremos questões de correntes contrárias ao inatismo das ideias e primazia total da razão, uma vez que abordaremos questões provenientes do empirismo, mostrando aos alunos que a experiência também possui um caráter central na formação de nossas ideias e que o homem, antes de tudo, é uma “tabula rasa”.

    -Apontar as condições que possibilitaram a problemática filosófica do final da modernidade e do início da contemporaneidade, tanto relativas ao sujeito quanto relativas ao conhecimento. Em relação ao conhecimento, levaremos os alunos às principais teses kantianas, onde eles serão levados a pensar nas questões da interação entre razão e experiência. Acerca do sujeito, gostaríamos de traçar os problemas que envolvem a busca de um sujeito absoluto e seguro (refutando assim o projeto cartesiano), exaltando, assim, ideias como a morte de Deus, o destroçamento do sujeito, a animalidade e a hipótese do inconsciente (“quem fala em mim?”).

  2. UNIDADES PROGRAMÁTICAS:

    Unidade I - Primeiro trimestre – ERRO E VERDADE:

    1. Questões sobre o ceticismo e a impossibilidade de se chegar a uma verdade;

    2. Descartes – a dúvida metódica, o cogito, Deus e a possibilidade de se conhecer verdadeiramente – 1ª, 2ª e 3ª meditações.

    Unidade II - Segundo trimestre – PODEMOS CONHECER TUDO?

    1. Espinosa – da inteligibilidade integral do real a uma análise geométrica da afetividade humana (3ª parte da Ética de Espinosa): a razão e o determinismo absoluto;

    2. O choque com novas concepções: o empirismo e a força da experiência;

    3. Hume e a crítica ao princípio de causalidade.

    Unidade III - Terceiro trimestre –

    1. KANT, A RAZÃO E A EXPERIÊNCIA:

    1. A ideia de síntese, as categorias da razão e o papel desempenhado pela experiência, conteúdo e forma.

    1. A PERDA DO SUJEITO CLARO E DISTINTO:

    1. Nietzsche e a morte Daquele que nos servia de fundamento (Deus);

    2. A primazia dos instintos sobre a razão;

    3. Freud: os desejos reprimidos, a hipótese do inconsciente, as neuroses e a loucura – “o ego não é senhor nem em sua própria casa”.

  3. METODOLOGIA DE ENSINO:

    Buscaremos desenvolver, num primeiro momento, uma abordagem lógico-racionalista para depois confrontá-la com uma abordagem empírica e existencial, não privilegiando uma sobre a outra, mas envolvendo os alunos numa dialética possível no âmbito da filosofia.

  4. RECURSOS DIDÁTICOS:

    Quadro branco, textos (excertos), livros de filosofia (manuais e obras filosóficas de apoio) e recursos audiovisuais (exibição de pelo menos um filme – a escolher junto aos alunos – ao longo do ano letivo).

  5. AVALIAÇÃO:

    A avaliação será dividida (para cada trimestre) em, no mínimo, três quesitos onde 70% da pontuação será referida à prova, 20% ao trabalho (individual ou em grupo) e 10% à participação e presença em sala de aula. A prova consistirá, basicamente, na produção de um pequeno texto argumentativo-dissertativo à luz de passagens de filósofos oferecidas na mesma para a reflexão do aluno. A participação, por sua vez, consistirá – por parte dos alunos – na leitura em sala de aula e discussão acerca dos excertos oferecidos pelo professor (cuja base encontra-se na bibliografia básica), bem como o empenho, a colaboração e pontualidade dos mesmos.

    Tal conjunto de avaliações se distribuirá da seguinte forma:

    1º Trimestre: participação + produção de texto técnico relacionando a temática trabalhada com o filme exibido (individual) + prova;

    2º Trimestre: participação + produção de texto técnico acerca da temática tratada (em grupo) + prova;

    3º Trimestre: participação + apresentação de seminários (em grupo, com uma parte escrita e podendo relacionar o conteúdo aqui tratado com as temáticas anteriores) + prova.

  6. BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

    DESCARTES, René. Meditações; tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. – 2. ed. – São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Coleção Os Pensadores). (excertos)

    EMPÍRICO, SEXTO. Hipotiposes Pirrônicas, Livro I. Tradução livre de Peter R. de Oliveira, Rio de Janeiro: 2005. (excertos)

    FREUD, Sigmund. Cinco lições da psicanálise. São Paulo: Abril S.A. Cultural, 1978. (Coleção Os Pensadores). (excertos)

    HUME, David. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1989. (excertos)

    NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo. Lisboa: edições 70, 1997. (excertos)

    _____. A Gaia Ciência. São Paulo: Cia das Letras, 2004. (excertos)

    SPINOZA, Benedictus de. Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009. (excertos)

  7. BIBLIOGRAFIA SECUNDÁRIA:

 

BATTISTI, César Augusto. O método de análise em Descartes: da resolução de problemas à constituição do sistema do conhecimento. Cascavel: EDUNIOESTE, 2002 (Série estudos filosóficos; n. 5)

BEYSSADE, Michelle. Descartes [tradução de Fernanda Figueira]. Lisboa: Edições 70, 1986.

BRÉHIER, Émile.História da Filosofia. Tradução Eduardo Sucupira Filho. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

DESCARTES, René. Meditações; tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. – 2. ed. – São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Coleção Os Pensadores).

EMPÍRICO, SEXTO. Hipotiposes Pirrônicas, Livro I. Tradução livre de Peter R. de Oliveira, Rio de Janeiro: 2005.

FREUD, Sigmund. Cinco lições da psicanálise. São Paulo: Abril S.A. Cultural, 1978. (Coleção Os Pensadores).

HUISMAN, D. Dicionário dos Filósofos São Paulo: Martins Fontes, 2001.

-HUISMAN, D. Dicionário de obras filosóficas. São Paulo: Martins Fontes, 2002

HUME, David. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo. Lisboa: edições 70, 1997.

_____. A Gaia Ciência. São Paulo: Cia das Letras, 2004.

REALE, G. & ANTISERI, D. - História da Filosofia: do Humanismo a Kant, Vol II, 3ª Edição. São Paulo: Paulus, 1990.

_____. História da Filosofia: do Romantismo até nossos dias, Vol III, 3ª Edição. São Paulo: Paulus, 1990.

SPINOZA, Benedictus de. Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.