O seguinte trabalho pretende explorar a obra do filósofo francês Gilles Deleuze, intitulada “O que é a Filosofia?”, trabalhar alguns conceitos presentes no capítulos iniciais e criar um olhar que direciona para o âmbito pedagógico, mais especificamente no que se refere ao ensino/aprendizagem da disciplina de Filosofia.

 

Como trabalhar questões referente a obra de um filósofo que não deteve a elaborar especificamente uma obra de cunho pedagógico? Bem, na obra “O que é a filosofa?”, Deleuze não direciona o olhar para a pedagogia mas para a Filosofia e o olhar que se tem, e que se deveria ter. Nesta obra o autor pretende uma inovação, um reposicionamento acerca do modo de lidar com a filosofia.

 

No que se refere ao capítulo primeiro, Deleuze coloca a questão da criação, filosofar seria para ela criar conceitos, Filosofia seria a arte de criar conceitos. Mas esse ato de criação não se dá sozinho, não se dá no vazio, requer ele um campo, um território, personagens, paisagens. É todo este conjunto que irá formar uma unidade conceitual. É necessário criar, sair dos moldes da Filosofia tradicional, onde nos detenhamos a reinscrever o que disseram determinados filósofos, escrever e reinscrever, em um ato circular e regresso. É necessário pois criar conceitos, reinventar, fazer releituras e até roubar conceitos de forma a inová-los, a trazer de outra forma, a desprender do contexto inserido e encontrar neste conceito uma outra nova forma, um novo direcionamento. É necessário pois resgatar o filósofo criador.

 

O processo educativo requer a base sobre a qual se deva sustentar, no caso da Filosofia, a História da Filosofia, conceitos produzidos por filósofos ao longo da história para a partir destes erigir um processo que só se dá a reproduzir o que foi antes dito. Sua conseqüência? Nada fazemos pela filosofia.

 

Para tanto precisamos de um campo, um plano. É necessário instaurar um plano de imanência no qual esses conceitos de reconheçam, tomem forma, tomem força e reconheça que tende ao infinito, não é uma análise reflexiva, mas passa por todos os saberes sem serem circunscritos. No campo educacional o filósofo deve reconhecer os problemas concernentes a este campo, deve senti-los e fazê-los ganhar força, caminhando por esse plano e fazendo com que tenha importância a resolução desses problemas.

 

O plano de imanência não é um conceito pensado nem pensável, mas a imagem do pensamento, a imagem que ele se dá do que significa pensar, fazer uso do pensamento, se orientar no pensamento...”(Deleuze, 1992, 53)

 

Como cita o autor, “segundo o veredito nietzscheano, você não conhecerá nada por conceitos se não os tiver de início criado, isto é, construído numa intuição que lhes é própria: um campo, um plano, um solo, que não se confunde com eles, mas que abriga seus germes e os personagens e o cultiva.” (idem, 15-16)

 

Em suma, propõe Deleuze que o filósofo seja criador e que não deve perder a infinitude do caos pois é este mesmo caos e infinitude que conduz ao ato de criação como se dava com os clássicos. O Pensamento reivindica o que o movimento que pode ser levado ao infinito.

 

 

 

 

 

Bibliografia:

 

O que é a Filosofia?/Gilles Deleuze, Félix Guatarri; trad. Bento Prado Jr. E Alberto Alonso Muñoz – Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992