Objetivo do seminário (questão central): Compreender a concepção schellinguiana de filosofia.

 



 

2) Metodologia:

 



 

1°. Uma contextualização se faz necessária;

 

2°. Apresentar uma questão que facilite a compreensão da questão central;

 

3°. Bibliografia principal para a discussão, textos do Schelling:

 

“Cartas ao Dogmatismo e ao Criticismo” – 1795

 

“Idéias para uma filosofia da Natureza” – 1797/1803

 



 

3) Contextualização:

 

A) Kant:

 

1781- 1ª edição da CRPu;

 

1787 – 2ª edição da CRPu;

 

1808- Morte de Kant;

 



 

B) Idealismo Alemão:

 

Jacobi: O problema da coisa em si. Para Jacobi, este problema só surge porque, dentro do sistema kantiano, é feito o uso transcendente da categoria da causalidade. Isto significa dizer que aquele sistema é contraditório: Jacobi diagnostica a necessidade de escolher entre a Estética Transcendental e a Lógica Transcendental. Na primeira temos a teoria faculdade da sensibilidade: o realismo. Somos informados que as coisas nos afetam, as quais são as causas de nossas representações. Enquanto na última, temos a teoria faculdade do entendimento, a teoria dos conceitos a priori, os quais embora não sejam conceitos empíricos, possuem validade apenas no campo da experiência: o idealismo. A dificuldade gira em torno das afecções: como coisas em si nos afetam? Como podemos ser realistas e idealistas ao mesmo tempo? Podemos fazer o uso transcendente da categoria de causalidade, por exemplo?

 

Reinhold: O problema do fundamento do saber. Para Reinhold, a incongruência no sistema kantiano não está na incompatibilidade existente entre a estética transcendental e a lógica transcendental. Ele acredita não existir desacordo na doutrina kantiana e não escreve com o intento de responder Jacobi. Para Reinhold, a aporia da coisa em si surge da carência, daquele sistema, em apresentar uma faculdade geral da representação: Kant deteve-se na análise de cada uma das faculdades do conhecimento humano, no entanto, não elaborou uma teoria que perpassasse todas estas faculdades, isto é, não apresentou uma característica que fosse comum a todas as faculdades. Faz-se necessário elaborar uma teoria geral da faculdade de representação para que o sistema kantiano possa ser sustentado. Donde surge a idéia, ou melhor, começa a busca pelo primeiro princípio do saber humano, por conseguinte, inicia-se o idealismo alemão.

 

Schulze (Enisidemo): é o cético. Ataca tanto a posição de Jacobi, quanto a posição de Reinhold.

 

Hegel: Reformula o problema de Reinhold.

 

Fichte: Também segue o caminho proposto por Reinhold.

 

Schelling: O último filósofo do idealismo alemão. Rompe com Fichte quando elabora sua filosofia da natureza. Hegel rompe com Schelling no prefácio da Fenomenologia do Espírito.

 



 

4) Para Schelling: onde começa a Filosofia? Qual a origem da filosofia?

 

Schelling se recusa em fazer uma exposição analítica, conceitual do que é filosofia. Para ele, o leitor é conduzido às suas conclusões, no decorrer do seu texto. Ele acredita que sua concepção saltará aos olhos do leitor, então, ele entenderá por si o que é filosofia. Para ele, não importa quem começou a filosofar, ou quem foi o primeiro filósofo. O que importa é que começamos a filosofia por meio da liberdade e é através dela que voltaremos ao estado filosófico original.

 

1°: A filosofia começa com a pergunta sobre a realidade do mundo exterior, sobre a possibilidade da experiência.

 

Por isso seu ponto de partida é a filosofia kantiana, não porque esta filosofia inaugura o pensamento filosófico, mas sim porque ela expressa mito bem a pergunta sobre a realidade do mundo exterior com a pergunta sobre a possibilidade do juízo sintético. Este juízo é o juízo da experiência, o qual elucida a pergunta sobre um mundo exterior existente fora de nós. Se quiséssemos reformular a pergunta sobre a possibilidade de um mundo exterior, poderíamos fazer da seguinte forma: como sair do absoluto e como é possível seu retorno? Onde está o princípio daquela unidade expressa no absoluto? Para Schelling, aquele que se pergunta sobre a realidade do mundo exterior é alguém que duvida da realidade que tem em sua frente. A tal síntese do juízo sintético só é possível a partir do conflito da unidade com a pluralidade.

 

2° Não podemos filosofar apenas com a reflexão, é necessário também fazer especulação.

 

Se só utilizarmos o pensamento reflexivo ficaremos cada vez mais distante do absoluto, porque não conseguiremos apreender a totalidade dos fenômenos. Pela reflexão, o homem se volta cada vez para si, e se distancia cada vez do mundo exterior. Com este modo pensar, só conseguimos pensar uma parte do processo, se qual for esse processo. Para compreender o todo, para alcançar o absoluto precisamos fazer especulação. Precisamos colocar as coisa em menos categorias do entendimento, etc.

 

3° Equívocos que Schelling percebe na filosofia:

 

Acreditar que a CRPu fundamenta um único sistema. Esta obra fundamenta tanto o realismo quanto o idealismo, conforme a crítica já realizada por Jacobi. A questão é exercer a liberdade. É não ter a pretensão de salvaguardar um sistema. É ficar livre para filosofar. E claro, pensar em um outro tipo de Deus. Um Deus que só percebemos em nossa ação, um Deus que só é possível na prática é um Deus preso à felicidade como recompensa. A felicidade deve ser a própria busca pela beatitude. Por isso, para Schelling, Kant foi livre porque criou o seu próprio sistema; os outros filósofos é que se prendem a este, e não fazem filosofia.