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Tema: 4ª e 5ª Conferências : “Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos de Ensino” (excertos pg. 136-143)

 

 

 

Introdução

 

A Alemanha do séc.XIX, ao tempo de Nietzsche, tratava de resgatar seu germanismo, de valorizar a cultura nórdica em relação à latina. Face à necessidade de afirmação de sua identidade frente ao país vizinho, a França, e da busca de independência em todas as dimensões – da cultura à civilização – é que vêm à luz O nascimento da tragédia, as Conferências Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos de Ensino e as quatro Considerações intempestivas. Tal busca consiste, em Nietzsche, no resgate de uma Grécia esquecida em função do poder de uma outra que já era decadente em relação àquela e além do mais, vista através das perspectivas romana e cristã; é importante recuperá-la porque haveria uma espécie de íntima relação entre os alemães e os gregos.

 

 

 

As Conferências

 

Desde os primeiros textos de Nietzsche publicados a partir de Conferências proferidas por ele no Akademisches Kunstmuseum da Basiléia, entre janeiro e março de 1872, para um público de estudantes intelectuais e personalidades ilustres, já se faz presente uma crítica contudente a um sistema educacional voltada para legitimar a vontade do Estado. As Conferências compõem o escrito inacabado de Nietzsche, cujo título é Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos de Ensino.

 

Nietzsche faz figurar, no texto que serviu de base às cinco conferências proferidas na Universidade de Basiléia, um velho filósofo, intransigente e duro, contrapondo-se à formação para a ciência e a erudição sob tutela do Estado. Um indivíduo solitário, que defende e sustenta o valor da individualidade e da solidão, como se afrontasse a soberania estatal.

 

Sobre essas conferências, pode-se dizer que formam, juntamente com a terceira das Considerações intempestivas, intitulada Schopenhauer como educador, uma das reflexões mais explícitas de Nietzsche sobre a temática da formação (Bildung), especificamente a institucional, no ginásio e na universidade. Essas conferências podem ser interpretadas como uma meia parte que só se completa com o texto sobre Schopenhauer acima indicado.

 

Nietzsche procura demonstrar a existência de vínculos entre tendências, aparentemente opostas, de concepção da cultura na Alemanha do século XIX. A primeira, constituída por uma espécie de cosmopolitismo, caracteriza-se pela extensão, o máximo possível, da cultura, para o maior número de indivíduos possível, da burguesia inclusive, no intuito de contribuir apenas para o desenvolvimento econômico. A segunda, por uma retração em que a cultura se torna meio para o fortalecimento do Estado, abrindo espaço à formação de técnicos e burocratas.

 

A princípio, tais tendências se mostram contrárias em seus movimentos, pois, enquanto a primeira tende à expansão, a segunda tende à retração. Porém, segundo Nietzsche, cuja análise privilegia o processo de educação e de formação dos adolescentes e jovens, a cultura acaba perecendo em ambos os casos, ou figurará como mero acessório, algo que os alunos nunca alcançarão. Em outras palavras, os sistemas ginasial e universitário são sistemas de des-educação. Ao falar especificamente do ginásio de seu tempo, e do orgulho em “se sentir inútil” a serviço apenas da sua aspiração universal de cultura, afirma: “a exploração sistemáticaque o Estado fez destes anos (...) para, o mais cedo possível, atrair para si funcionários utilizáveis(...) assegurando-se da sua docilidade incondicional, tudo isso estava muito distante da nossa formação”. Os argumentos para sustentar essa tese serão apresentados pelo velho filósofo, já encolerizado, na quarta e na quinta Conferências.

 

Na quarta Conferência, defende um estabelecimento de ensino totalmente diverso dos atuais, em que o grupo participante “quer evitar que ele próprio seja arrastadoe dispersado pelo outro grupo (...) prematuramente debilitados (...) destruídos”. Devem poder levar adiante sua obra, que deve ser “depurada dos traços da subjetividade e elevada acima do jogo cambiante do tempo, como puro reflexo do ser eterno e imutável das coisas”. Assim, todos aqueles participantes desta instituição “devem esforçar-se, com tal depuração da subjetividade, em preparar o nascimento do gênio1 e a criação da obra”.

 

 

 

 

 

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1-Conceito presente em várias obras de Nietzsche, gênio faz referência ao homem que está além da cultura de seu tempo porque se dirige ao século seguinte, que não foi corrompido a uma moral de rebanho, que conserva e desenvolve toda sua potência crítica, em suma, o homem criador.

 

 

 

Utilizando-se da metáfora platônica do “mito do cocheiro dos cavalos alados”, Nietzsche acredita numa cultura que é “antes de mais nada, uma obediência e uma habituação à disciplina que caracteriza o gênio.”

 

Critica as instituições que nada sabem dessa cultura, condenando a desproporção entre o enorme aparelho da cultura institucional e o diminuto número de homens verdadeiramente cultos. Defende a necessidade de uma instituição “que abra a possibilidade de convivência com estes (gênios) homens raros, que possuem uma autêntica cultura, para encontrar neles os guias e asestrelas que mostrem o caminho”.

 

Ao final da quinta Conferência relembra que as experiências mais admiráveis e gratificantes são as cotidianas. Com disposição para ver sob nova perspectiva os enigmas da vida, ignorados pela maioria das pessoas, os poucos e verdadeiros filósofos, percebem-nos como os problemas para os quais devem procurar solução.

 

 

 

Conclusão

 

Nietzsche deixa claro o tratamento que os alemães dão aos seus gênios e quebra o dogma de que não seria preciso fazer nada por eles, já que os gênios, apesar de tudo, continuariam nascendo. Com isso, prova a necessidade de criar instituições para educar o corpo e o espírito do indivíduo, incentivando-o a cultivar-se e tornando-o capaz de abrigar e proteger o gênio. Isso significará um enorme esforço para os que se propõem a trabalhar para a cultura, pois terão de substituir um sistema educacional que tem suas raízes na Idade Média por um outro ideal de formação. Contudo, deverão iniciar a tarefa sem demora, já que dela depende toda uma geração futura.

 

Embora as conferências indiquem alguns remédios para a decadência dos estabelecimentos de ensino, revelando alguma esperança, mesmo que mínima, quanto ao seu futuro, a tônica do texto se encontra na análise e na denúncia da situação de decadência dessas instituições.

 

Assim, as conferências desempenham uma função importantíssima no conjunto do primeiro período da produção intelectual de Nietzsche –também chamado, “período da juventude” –, pois elas representarão, juntamente com Schopenhauer como educador, um último momento em que a temática de Nietzsche se dirige às discussões sobre o renascimento do espírito alemão na sua relação com a Grécia, representando, ao mesmo tempo, a emergência do discurso de crítica à decadência da cultura alemã inicialmente e, posteriormente, de toda a cultura moderna, ou segundo suas próprias palavras, poder ser “capazpor sua arte(...) delibertar o homem moderno da maldição do moderno”.

 

Embora discurse sobre o futuro dos estabelecimentos de ensino alemães, as tendências que determinaram os rumos da formação na Alemanha, em muitos aspectos, são similares aos princípios que definiram a organização dos sistemas de ensino em outras partes do mundo. Além do que, apesar de pronunciados há mais de 150 anos, muitos dos problemas apontados por ele nos dizem respeito ainda hoje. Que fique expressa a atualidade tanto das teses de Nietzsche sobre o que caracteriza os estabelecimentos de ensino quanto sobre as causas da sua decadência.

 

 

 

Bibliografia

 

NIETZSCHE, Friedrich W. Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos de Ensino in Escritos sobre Educação. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.