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Resumo da 1ª Conferência de

 

Sobre o futuro dos nossos estabelecimentos de ensino” (1872)

 

de Friedrich Nietzsche.

 

Sobre o futuro de nossos estabelecimentos de ensino” trata-se de um escrito da juventude de Nietzsche (1872), quando era professor de filologia clássica na Universidade da Basileia. Suas intervenções a respeito da educação, da cultura e da filosofia têm, como pano de fundo, o diagnóstico do mundo moderno e a crítica das ideias modernas.

 

 

 

Contrapondo a cultura autêntica (relacionada à cultura grega antiga) e a pseudocultura (cultura moderna), Nietzsche pretende fazer uma crítica da educação ministrada nos estabelecimentos de ensino do seu tempo, considerando o papel central da educação da juventude para a formação e para o futuro da cultura.

 

 

 

A primeira conferência proferida por Nietzsche sugere uma aproximação com a narrativa literária, não tendo o feitio de um texto propriamente filosófico. Ele é o narrador em 1ª pessoa que faz um flashback e conta um episódio de sua vida que ocorreu em 1864-5, quando era estudante da Universidade de Bonn. Este episódio evidencia ainda uma intensa ligação com um acontecimento de 1860, quando era estudante do ginásio.

 

 

 

O episódio por ele descrito reuniu e englobou diferentes etapas do desenvolvimento da sua própria formação: em primeiro lugar, ele é um professor universitário que rememora um acontecimento de quando ainda era estudante universitário, que acabara de sair do ginásio. Na Alemanha, as diferentes etapas de ensino responsáveis para a formação dos jovens são: o primário, o Gymnasium (equivalente ao Ensino Médio no Brasil), a escola técnica e a universidade.

 

 

 

A questão central abordada neste episódio foi certo diálogo, que Nietzsche e seu amigo Paul Deussen ouviram de um mestre filósofo com seu discípulo. Seu objetivo foi extrair da lembrança do passado algo que serve de matéria de reflexão sobre o presente da educação e, também, sobre seu futuro.

 

 

 

Nietzsche começa a descrição de sua experiência de juventude advertindo que ela está fora do tumulto e da agitação de seu tempo. É como se ocorresse em outra temporalidade, o que faz com que ele aproxime o evento de uma experiência onírica.

 

 

 

Tudo começa em 1860, quando Nietzsche e seus amigos fundam a associação lítero-musical “Germânia”. O seu fim era a cultura e a formação deles. Passou-se o tempo, ele foi para a universidade e lá, diante do sentimento de reconhecimento por esta ideia, ela organiza com seus amigos para voltar ao local (que ficava perto de Rolandseck) onde tiveram esta ideia.

 

 

 

Nietzsche tece uma longa e minuciosa descrição, para os padrões filosóficos, do ambiente, do clima, e de fatos aparentemente insignificantes ― fato principal que nos leva a aproximar sua narrativa da literatura. Ele tem uma intenção com isso: ao descrever esta experiência que se aproxima de um sonho, Nietzsche quer retirar os ouvintes do seu tempo ― levá-los para outro lugar, oferecendo um distanciamento ― ― para que, por fim, possam retornar e lançar um novo olhar sobre seu tempo.

 

 

 

Alcançando o local perto do bosque onde sua “festividade silenciosa” se daria, Nietzsche e seu amigo passaram a fazer exercícios de pistola, quando apareceram dois homens mais velhos (um filósofo com seu discípulo), incomodados pelo barulho, que assumia maiores proporções no silencioso local em meio à natureza. Os dois filósofos pedem para que eles parem com os tiros, pois teriam uma entrevista no bosque perto dali, onde tem uns bancos.

 

 

 

Nietzsche e seu amigo primeiro ficam consternados, reivindicando o lugar para eles mesmos. Porém, no final, propõem que o espaço seja compartilhado por todos, por eles também queriam passar lá as horas próximas e fazer sua festividade silenciosa, que consistiria nas reflexões sobre sua futura formação. Ambos os grupos seguem juntos ao longo do caminho, conversando, quando Nietzsche revela para os dois homens o objetivo de sua visita ao bosque: refletir sobre a melhor forma de se tornar um homem culto.

 

 

 

Admitindo ser isso ao mesmo tempo pouco e muito, o mestre afasta-se dos dois, e ambos os grupos ficam distantes um do outro. Inicia-se, então, o diálogo do mestre com seu discípulo: o mestre critica duramente o discípulo, pela solidão aparentemente pretensiosa e arrogante deste, e ele, como resposta, começa a esboçar suas considerações sobre a cultura e a educação.

 

 

 

O discípulo faz a distinção de duas correntes na educação de sua época, aparentemente opostas, mas ambas nefastas em seus efeitos: a tendência à extensão, à ampliação máxima da cultura, e a tendência à redução, ao enfraquecimento da cultura.

 

 

 

A tendência à extensão (universalização) da cultura defende que a cultura deve ser acessível a todos, alastrada para o máximo número de indivíduos: porém, esse preceito segue um dos dogmas da economia política [nationalökonomischen Dogmen] mais caros à época atual. Eis a fórmula: “tanto conhecimento e cultura quanto possível, logo, tanta produção e necessidade quanto possível, daí tanta felicidade quanto possível”. O que está em jogo é, portanto, um princípio manifestamente utilitarista.

 

 

 

A partir desta tendência, o objetivo da cultura passa a ser a utilidade, o lucro, o maior ganho de dinheiro possível. Tarefa da cultura é, então, criar homens tão “correntes” quanto possível, e o nível de cultura medido pela capacidade do indivíduo extrair, do seu conhecimento, a maior quantidade de felicidade e de lucro. Exigência de uma cultura rápida, para que alguém se torne rapidamente um ser que ganha dinheiro.

 

 

 

Essa pressa faz com que os estudantes, em uma idade em que ainda estão imaturos, se perguntem sobre sua futura profissão, e sobre os caminhos certos a tomar na vida. A cultura é vista como um meio para a ascensão social e para o lucro, sobretudo.

 

 

 

Mas esta perspectiva desconsidera que a cultura possui uma temporalidade própria. Contrapõem-se as noções de pressa (die Hast) e devagar (langsam). A calma e o devagar são exigências da formação e da cultura, pressupostos para a própria existência da cultura. A pressa e o tumulto modernos, potencializado pelo novo ritmo de vida imposto pela Revolução Industrial, pelas longas jornadas de trabalho e a decadência do modo de vida aristocráticos inviabilizam por si mesmos a realização de uma verdadeira cultura. Como se a modernidade e a cultura autêntica fossem incompatíveis.

 

Cultura, para Nietzsche, é formação (Bildung), cultivo de si, coisa que leva toda a vida. O homem culto é o homem capaz de aliar conhecimento e vida, capaz de responder às questões fundamentais de sua existência, desenvolvendo suas potencialidades de modo a formar um todo harmonioso.

 

 

 

A tendência oposta, aquela da redução da cultura, centra-se, sobretudo, na figura do erudito [savant] como uma forma de vida a serviço do Estado. Aqui, paralelamente à divisão do trabalho na indústria, está a divisão do trabalho nas ciências, cuja extensão é tamanha que, se alguém quer aí produzir algo, se especializará (se tornará erudito, ou seja, alguém com uma habilidade pontual, um saber específico). Ele só está acima do povo, do vulgus, em sua especialidade: em tudo o mais, não é diferente deste.

 

 

 

O erudito é aqui comparado a um operário de fábrica – durante toda a sua vida, não faz senão fabricar certo parafuso ou certo cabo para uma ferramenta ou uma máquina determinadas. A crescente especialização também se estende aos estabelecimentos de ensino, que terminam por domesticar os jovens.

 

 

 

O efeito desta tendência é o aniquilamento da cultura. Pois, para os problemas filosóficos mais elevados, o homem de ciência enquanto tal não tem absolutamente palavra. Por muito tempo, identificou-se o erudito com o homem culto, ainda que o homem de cultura superior seja completamente diferente do erudito, na visão de Nietzsche, pois a este falta o olhar que tenta abranger o todo da vida, falta o cultivo de si e a formação que torna o homem culto distinto do povo.

 

 

 

A confluência das duas tendências encontra-se na cultura jornalística de sua época: passando com pressa e ligeiramente sobre tudo, o jornalista é o escravo dos três M: do momento presente, das maneiras de pensar e da moda. Sua linguagem é pobre e pouca explora as riquezas da língua alemã, pois é voltada para o povo. Assim, o mesmo pretenso “estilo elegante” do jornalismo insinua-se para dentro dos estabelecimentos de ensino; junto com os romances da moda e alguns “livros doutos”, ao jornalismo falta o trabalho acurado com a língua.

 

 

 

Para Nietzsche, uma escola de alta qualidade deve, antes de tudo, inculcar em seus estudantes o senso da importância de estudar e dominar bem a língua, explorando suas riquezas e incitando o estudante a exprimir sempre melhor seu pensamento, transcrevendo-o de modo único e original. Por isso, Nietzsche defende o estudo do grego e do latim, e a leitura dos clássicos.

 

 

 

Diante deste quadro, Nietzsche entrevê para o futuro dos estabelecimentos de ensino uma reforma dos mesmos, redirecionando-os aos valores da verdadeira cultura, que visa formar um homem superior, como desígnio da natureza. Os métodos de ensino modernos seriam antinaturais por excelência, pois o fim da natureza deve ser sua potencialização e desenvolvimento ao mais alto grau ― e o que deveria ser a educação senão o desenvolvimento pleno e harmonioso das potencialidades naturais do indivíduo? Por essas razões, não haveria verdadeira “cultura” na modernidade, mas uma barbárie cultivada.

 

 

 

Por todos estes motivos, pela degradação e depauperação da “cultura” (que na realidade se constituía uma incultura, uma pseudocultura, oposta à cultura autêntica) na era moderna, o discípulo se encontra desesperançado e desanimado: o mestre, então, intervém, e, admitindo não entender porque outrora lhe fizera críticas tão duras, diz que compreende tudo o que ele diz, mas que tentará mostrá-lo outro lado, para que seu discípulo deixe seu desânimo de lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

BRUNI, José Carlos. O tempo da cultura em Nietzsche. Cienc. Cult. v. 54, n. 2. São Paulo Oct./Dec. 2002. pp. 33-35. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v54n2/14809.pdf>. Acesso em: 01. nov. 2011.

 

 

 

DIAS, Rosa. Nietzsche pensa a educação e a incultura modernas. In: Amizade estelar: Schopenhauer, Wagner e Nietzsche. Rio de Janeiro: Imago, 2009. pp. 50-64.

 

 

 

DIAS, Rosa. Cultura e educação no pensamento de Nietzsche. Impulso, n. 28. pp. 35-42. Disponível em: <http://www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf/imp28art03.pdf>. Acesso em: 01. nov. 2011.

 

 

 

NIETZSCHE, Friedrich W. Escritos sobre educação. Tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho. 5. ed. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Ed. Loyola, 2011.