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Nessa parte do texto, em um primeiro momento Schopenhauer volta a criticar todos que fazem do ensino de filosofia um negocio voltado a atender os propósitos do Estado. Citando o nome de seus rivais, ataca com vigor a Fichte, Schelling e Hegel, acusando-os de transformar a filosofia numa ferramenta do Estado, além disso, também critica a subversão da filosofia em teologia. Schopenhauer coloca claramente a diferença entre filosofia e teologia. Artigos de fé não carecem de explicações, se isso fosse possível a fé perderia seu valor.

 

 

 

Nas palavras de Schopenhauer:

 

 

 

tais filósofos universitários se esforçam para dar a filosofia aquela direção que corresponde aos propósitos que estão em seu coração, ou antes, que ali foram postos. E para isso, se necessário, até moldam e deturpam a doutrina dos genuínos filósofos antigos e, em caso extremo, chegam a falseá-las para produzir só aquilo de que necessitam.” (pág. 86)

 

 

 

Nesse ponto a intenção de Schopenhauer é denunciar que as idéias dos grandes filósofos da tradição estariam sendo deturpadas para que pudesse servir aos interesses daqueles que a custeavam, nesse caso, o Estado, assim como todas as instituições ligadas a ele. A partir daí Schopenhauer explicita toda investigação metafísica de seus opositores, que tentam explicar e fundamentar conhecimentos sobre Deus. O pior fruto que a filosofia universitária pode produzir é uma combinação entre submissão e negócio, na medida em que, a verdade fica em segundo plano, perdendo para os patrocinadores da filosofia, o Estado, o que interessa são seus salários e seus títulos. Na verdade, a filosofia só os interessa, “à medida que lhes dá o pão” (pág. 89)

 

 

 

Acreditam-se empregados e pagos, sobretudo, para tornar claro este ponto, e aí é divertido ver o quão sisuda e eruditamente falam do absoluto ou de Deus, portando-se bem seriamente como se de fato soubessem algo do assunto; isso faz lembrar a seriedade com que as crianças brincam. Então surge, a cada feira de livros, uma nova metafísica que, consistindo num relatório minucioso sobre o bom Deus, explica como ele tem passado e como chegou a fazer, parir ou, sabe-se lá como, produzir o mundo – dando a impressão de que recebem notícias fresquinhas sobre ele de maio em meio ano.” (pág. 91)

 

 

 

No fragmento acima fica bem claro a insatisfação de Schopenhauer com a confusão entre filosofia e teologia, assim como, a servidão aos interesses da religião do Estado, “Expor, sob firma da filosofia, mas em roupagens estranhas, os dogmas fundamentais da religião do estado, que depois é intitulada por um Hegel – “a religião absoluta” pode ser muito útil, desde que sirva para adequar melhor os estudantes aos fins do Estado” (pág. 98), ou seja, os estudantes universitários eram treinados a repetir tudo que o sistema produzia, perpetuando assim a servidão ao Estado, moldando os jovens para que no futuro sejam também ferramentas do Estado, servindo, sobretudo, a manutenção do sistema. A corrupção das idéias de filósofos clássicos também esta em jogo nesse momento, uma vez que, toda investigação de Kant, com suas provas a priori, sobre a impossibilidade de todo conhecimento de Deus, é completamente ignorada. “Kant não estava de brincadeira, que a filosofia não é nem jamais poderá ser, séria e efetivamente teológica, pois é antes algo completamente diferente dela” (pág. 93). Dessa forma, a filosofia universitária anda na contra mão de tudo que a tradição nos deixou de herança, a verdade não tem mais relevância, por isso os filósofos clássicos são cada vez menos lidos, a teologia ocupa uma posição de destaque e tudo que estiver fora dos interesses do Estado, também está fora do cenário universitário. Todos que participam desse esquema só o fazem por dinheiro e reconhecimento, não é como os genuínos filósofos clássicos, que serviam exclusivamente a verdade.

 

Em um segundo momento Schopenhauer vai colocar condição para que se possa filosofar de forma verdadeira. Primeiramente deve-se ser completamente livre, sem nenhum senhor ao qual deva obediência. Ser preceptor é a maior escola de servidão, pois é a partir daí que os jovens adquirem o hábito de se submeterem a vontade do senhor que dá o pão, “esse hábito cria raízes e se torna uma segunda natureza” (pág. 100). Normalmente essa é a primeira experiência de todo jovem que conclui seus estudos universitários. O filósofo deve manter-se sobre suas próprias pernas e não conhecer senhor algum, como foi com os grandes filósofos que produziram algo de grande na filosofia. Nesse momento, Schopenhauer dá o exemplo de Espinoza, que recusou a cátedra que lhe ofereceram. Outra regra importante para ser um verdadeiro filósofo, além da independência, é não se preocupar com sua subsistência, pois quem lhe dá o pão já exerce um tipo de domínio, “quem se preocupa com a subsistência nada pode produzir”, ou seja, o genuíno filósofo e ser auto-suficiente e não precisa de muito para sobreviver.

 

Continuando a falar sobre a conduta de um genuíno filósofo, Schopenhauer aproveita para fazer outra crítica. Um genuíno filósofo deve ser claro e preciso quando for expor suas idéias e não fazer como os filósofos de cátedra, que produzem frases incompreensíveis para que possam sempre se explicar e dar a impressão que são grandes gênios e todo resto não passa de ignorantes.

 

No final do texto, Schopenhauer fala sobre como se deve ensinar filosofia nas universidades, “o caminho para a verdade é íngreme e longo: ninguém o trilharia com uma bola de chumbo presa aos pés; pelo contrário, seria preciso asas.” (pág. 101). Logo depois, Schopenhauer fala sobre como seria esse processo que daria asas e não bolas de chumbo aos jovens filósofos.

 

 

 

Deixando de lado os fins do Estado – como já foi observado – para considerar apenas o interesse da filosofia, tenho por desejável que toda aula de filosofia seja estritamente limitada a exposição da lógica (como sendo uma ciência concluída e rigorosamente demonstrável) e uma história da filosofia de Tales a Kant, exposta bem sucintamente e cursada em um semestre, a fim de que esta, por sua concisão e clareza, deixe o menor espaço possível para as opiniões do senhor professor e se apresente apenas como fio condutor para os futuros estudos de cada um. Pois o travar conhecimento apropriado com os filósofos só se dá a partir de suas obras e de nenhum modo por relações de segunda mão.” (pág. 102-103)

 

 

 

Podemos assim concluir que, Schopenhauer é a favor da leitura direta dos filósofos da tradição, o ensino deve ser exclusivamente de primeira mão. Os jovens devem aprender o que os genuínos filósofos produziram, de forma rápida para que não sejam contaminados pelas opiniões dos professores. Depois de aprenderem tudo sobre a tradição devem produzir por si só, com base somente nos conhecimentos adquiridos dos clássicos. Para que isso seja possível, em primeiro lugar, a filosofia deve deixar de ser mercantil e voltar a servir somente a verdade e a nenhum senhor, seja lá quem for. A liberdade, a auto-suficiência e a independência devem nortear a prática da filosofia.