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Resumo da apresentação do texto Sobre a Filosofia Universitária, de Schopenhauer. Pág. 51 a 69.

 

A partir das páginas citadas acima, esta apresentação acerca das considerações de Schopenhauer sobre o ensino de filosofia na universidade se norteará por três grandes pontos, avaliados pelo filósofo como negativos, pois obstam a investigação da verdade. O primeiro ponto diz respeito ao uso da filosofia para fins lucrativos e a serviço do Estado e da religião oficial, pois não haveria como servir as instituições governamentais e a filosofia ao mesmo tempo. O segundo trata da denúncia dos estratagemas usados pelos pseudo-filósofos para atrair a atenção dos jovens estudantes e de todo público interessado pela filosofia. E o último ponto tratará das conseqüências que uma falsa filosofia pode trazer aos jovens e a educação em geral de um povo.

 

No começo da página 53, Schopenhauer diz que a filosofia não foi feita para o “ganha pão”, ninguém deve lançar mão da filosofia para acumular fortuna. Para ele, essa prática teria se tornado comum no mundo moderno, onde os filósofos estariam deixando de alado o conhecimento para se entregar ao prestígio e ao dinheiro. “Entre os antigos o sinal que diferenciava os filósofos dos sofistas sempre foi o ganhar dinheiro com a filosofia”, diz Schopenhauer para quem a filosofia de seu tempo estaria empestada de parasitas, pretensos filósofos que obstruem e conspiram contra a ação de filósofos genuínos para favorecer apenas aquilo que está de acordo com os seus interesses.

 

Assim, Schopenhauer buscará nas declarações dos filósofos antigos o fundamento para repugnar os “filósofos indignos” de sua época, aqueles que se deixam seduzir pelo dinheiro. Filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, entre outros, teriam compartilhado da afirmação schopenhauereana segundo a qual a filosofia não deve servir ao dinheiro. Os diálogos platônicos, por exemplos, constituem uma grande demonstração dessa tese, pois grande parte da obra de Platão se caracteriza pela tentativa de distinguir os filósofos dos sofistas, entendendo este segundo como meros caçadores da riqueza dos jovens, homens que se diziam sábios quando na verdade nada mais sabiam fazer senão ensinar aos jovens a proferir discursos falaciosos, que tão pouco tinham a ver a justiça e com o bem. Sendo assim, Schopenhauer estabelece uma analogia entre a comparação dos filósofos com os sofistas como sendo da mesma ordem da comparação das moças que se entregam por amor com as prostitutas que se entregam por dinheiro.

 

 

 

De acordo com Schopenhauer filósofos como Schelling, Fichte e principalmente Hegel seriam exemplos de parasita moderno da filosofia. De acordo com o nosso autor, o professor de filosofia não é necessariamente um filósofo, pois enquanto professor o filósofo estaria preso aos ditames e as regras da universidade, devendo aceitar piamente as deliberações estabelecidas pelo Estado. Se o professor se submete a tal situação é porque ele tem em vista somente o salário pago pelo estado, ou seja, seria antes uma questão de negócio do que de conhecimento. Schopenhauer vê em Hegel a figura exemplar do professor submisso ao Estado, aquele que faz de sua filosofia uma simples demonstração de lealdade e servidão ao Estado e, em certa medida, um sofista moderno.

 

(...) Pode acontecer que ele porque pago pelo Estado e para fim do Estado, empenhe-se em fazer apoteose do Estado, em fazer deste o ponto culminante de todo esforço humano e de todas as coisas, e com isso só transforme o auditório filosófico numa escola do mais trivial filistéismo, mas também chegue por fim, tal com Hegel, a doutrina escandalosa de que a destinação do homem se perfaz no Estado, quase do mesmo modo como a da abelha na colméia1.

 

Para Schopenhauer a filosofia depois de Kant, um dos poucos professores universitários e filósofo verdadeiro, teria sido substituída pela filosofia das normas convencionais, indissoluvelmente ligada ao Estado, a diversão e a religião oficial. Assim, quem almeja o conhecimento sério e depreendida investigação acerca da verdade tem que buscá-lo fora da universidade, fato este que leva Schopenhauer a se inclinar cada vez mais para opinião de que seria mais saudável para filosofia não mais fazer parte do quadro universitário, não mais entrando em cena na vida civil representada pela figura do professor, uma vez que o Estado jamais pagaria um profissional que tivesse a liberdade de contrariá-lo.

 

Exposto a repulsa schopenhaureana contra os ditos filósofos professores “servidores do Estado”, passemos para o nosso segundo ponto que tratará das estratégias ou astúcias dos pseudo-filósofos. De súbito, Schopenhauer nos faz lembrar que grandes filósofos como Aristóteles. Epicuro, Bruno, Espinosa, Hume e Kant, só adquiriram o justo reconhecimento depois da morte ou, ao menos, em idade avançada; ao contrário de filósofos como Herbart, Schleiermacher e Hegel que rapidamente teriam alcançado a fama. Chamados por Schopenhauer pejorativamente como filósofos de cátedras, o nosso autor afirma a rápida fama adquirida por esses filósofos deve-se a astúcia e a uma espécie de “política da boa vizinhança” entre colegas, pautada num certo sensacionalismo: um divulga o livro do outro na universidade em que leciona como se fosse a maior das investigações feita pela raça humana, e há ainda um terceiro colega que comercializa tal livro.

 

Segundo schopenhauer, outra estratégia praticada por filósofos de tal espécie é lançar mão de construção de frases adornada e abstrusas para ocultar a sua falta de sabedoria. Muitos constroem um impotente aparato de longas palavras compostas, intricadas flores de retórica, períodos a se perder de vista, expressões novas e inauditas que, no conjunto, resultam num jargão2. Para Schopenhauer estes filósofos também se abastecem de pensamentos alheios, incompletos e mal compreendidos a fim de encobrir a sua falta de sabedoria, jogando com estes pensamentos e tentando eventualmente encaixá-los feito peça de dominó. Sendo assim, não se deve esperar destes filósofos opiniões seguras e coerentes, pois eles não fundamentam sua filosofia em base firme e verdadeira.

 

De acordo com nosso autor, a invenção da escrita obscura e ininteligível seria da autoria de Schelling e Fichte, mas Hegel foi o filósofo que teria exercido em maior grau a ousadia e a artimanha de escrever de forma ininteligível. Schopenhauer caracteriza Hegel como o senhor que põe o mundo de cabeça para baixo, ou melhor, nas palavras do próprio Schopenhauer, de ponta-cabeça: ele inverte a ordem do processo natural das coisas na medida em que pretende que os conceitos universais sejam os primeiro ou originário na ordem do conhecimento; em contrapartida Schopenhauer sustenta que os conceitos universais são abstraídos da intuição empírica e portanto são tão gerais quanto vazios. Deste modo, para schopenhauer, o fato de Hegel ter conquistado uma certa fama deve-se antes a sua escrita obscura que a veracidade da sua filosofia, pois se ele tivesse exposto o seu pensamento de modo claro e inteligível todos teriam rido, e não teriam tomado a farsa como digna de atenção3, diz Schopenhauer para quem a arte própria de Hegel é a chalatánaria.

 

Assim, faz-se necessário salvaguardar que para Schopenhauer o bom escritor está diametralmente distante desses filósofos estrategistas ininteligível, uma vez que o bom escritor empregaria todo o seu esforço para fazer com que seus leitores lhe entendam. Como exemplos de filósofos bom escritor, Schopenhauer cita: Aristóteles, Platão, Descartes, Hume, Malebranche, Locke, Espinosa e Kant, dizendo que estes filósofos se esforçaram honestamente para se comunicar, e com isso recompensam em cada linha o esforço da leitura do leitor.

 

A partir do que acima foi exposto, adentremo-nos na terceira parte deste trabalho, que tratará das conseqüências de uma pseudofilosofia para educação dos jovens. De acordo com schopenhauer estas conseqüências são desastrosas, afetando não somente a filosofia como também a sociedade e diversos campos de saberes.

 

A filosofia é, segundo sua natureza, exclusiva: ela funda o modo de pensar de uma época. (...). Se o falso é posto em curso por meio de artimanha e aclamado em toda parte como verdadeiro e genuíno por estentórias vozes assalariadas, então o espírito da época é envenenado, a corrupção toma conta de todos os ramos da literatura, estancando-se toda nobre elevação do espírito (...)4.

 

Além disso, Schopenhauer também teme não poder consertar os erros cometidos pelos pseudo-filósofos, salientando que uma vez que se constrói um colossal “templo do erro” torna-se cada vez mais difícil a sua demolição. Trabalho este que, segundo o nosso autor, requererá, das boas cabeças honestas, das gerações posteriores, bastante tempo para ser efetivado, ou pior ainda, uma vida inteira.

 

Para Schopenhauer, com já foi explicitado, Hegel é o principal articulador da pseudofilosofia vigente no seu tempo e esta falsa sapiência também seria a responsável por desestimular os jovens a pesquisar e a pensar autonomamente. Trata-se duma refutação da filosofia hegeliana feita por Schopenhauer segunda a qual Hegel teria colocado no lugar do pensamento e da pesquisa o automovimento dialético dos conceitos como método filosófico, ou seja, um autômato objetivo que faz, por conta própria, cambalhotas livres no ar5. A dialética proposta pelo idealismo hegeliano pregaria, então, uma espécie de sedentarismo filosófico ou intelectual, e os jovens enquanto ensinados por professores como Hegel estariam se tornando homens castrados no espírito e incapacitados para o pensar, embora cheio de presunção. Segundo Schopenhauer, estes jovens vão à universidade com uma confiança infantil e sem malícia, e lá encontram doutrinas filosóficas dignas de um hospício, composições de verborragia proclamada por dinheiro pelos homens de Estado, um palavrório que esgota todo o pensar de uma mente saudável. Schopenhauer define esta situação como sendo a História do Espírito de uma geração controlada pela falsa sapiência, radicalmente contraria do que seria uma filosofia genuína, qual seja, uma filosofia exercida por pessoas livres, independente das ordens do Estado e do interesse pelo dinheiro.

 

 

 

Referência Bibliográfica

 

SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre a filosofia universitária

 

1 P. 51

 

 

2 P. 57

 

 

3 P.62

 

 

4 P.52

 

 

5 P.66