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Consideração Intempestiva

 

Schopenhauer educador (Pag. 208/222)

 

 

 

 

 

Na página 208, Consideração Intempestiva: Schopenhauer educador, Nietzsche prossegue com suas considerações preliminares iniciadas na página 206, 2º parágrafo. Ele considera que a natureza tem necessidade do conhecimento e se estremece com o conhecimento de que tanto precisa. Por esse motivo, ela se esforça pelo homem e dá a entender que isto é necessário para que ele possa livrá-la da vida animal e, enfim, para que, nele, a existência coloque diante de si mesma um espelho, no fundo do qual a vida não se apresente mais como absurda, mas, na sua significação metafísica. Entretanto, não é qualquer homem que a natureza anseia para sua libertação, somente os homens verdadeiros, aqueles que não são mais animais, os filósofos, os artistas e os santos teriam essa capacidade. A natureza que nunca dá saltos, dá o seu único salto, e este é um salto de alegria, pois, pela primeira vez, ela percebe que chegou à sua finalidade, lá onde compreende que deve desaprender a procurar fins e onde foi colocada num posto muito alto no jogo da vida e do devir. Ela se transfigura com este conhecimento, e no seu rosto se manifesta o doce enfado da noite, aquilo que os homens chamam de “beleza”. O que ela agora exprime com suas faces transfiguradas é a grande luz lançada sobre a existência; e a promessa suprema que podem fazer os mortais é a de participar, com ouvidos atentos, desta luz.

 

 

 

Após tais considerações preliminares, a partir da página 210, Nietzsche vai apresentar um novo ciclo de deveres para aquele que se põe em ligação com o grande ideal do homem schopenhaueriano. Estes novos deveres, em resposta a objeção levantada na página 205, não são deveres de um homem isolado; ele participa, pelo contrário, com os outros de uma poderosa comunidade, cujas ligações não são de maneira nenhuma as formas e as leis exteriores, mas um pensamento fundamental. Este é o pensamento fundamental da cultura, na medida em que esta só pode atribuir uma única tarefa a cada um de nós: incentivar o nascimento do filósofo, do artista e do santo em nós e fora de nós, e trabalhar assim para a realização da natureza. Pois, assim como a natureza tem necessidade do filósofo, ela tem necessidade do artista, para um fim metafísico, sua própria iluminação, para que lhe seja enfim apresentado numa imagem pura e completa o que, na agitação do seu devir, ela não chegará jamais a ver distintamente, portanto, o conhecimento de si próprio.

 

 

 

Entretanto, Nietzsche ressalta que na nossa constituição comum, certamente não podemos em nada contribuir para o nascimento deste homem libertador; além disso, nos odiamos nesta situação, com um ódio que é a raiz deste pessimismo que Schopenhauer queria ensinar de novo à nossa época, mas que é tão velho quanto a nostalgia da cultura. Sua raiz, mas não sua flor, em todo caso, seu estágio mais profundo, mas não sua engrenagem, o início de sua de sua carreira, mas não seu fim; pois um dia será preciso ainda que aprendamos a odiar diferente e mais geral, e não mais a nossa individualidade e sua miserável limitação, sua flutuação e sua inquietude, neste estado superior onde amaremos também algo diferente do que sabemos amar atualmente. Quando, no nosso nascimento atual ou num outro futuro, formos nós próprios admitidos nesta ordem, entre todas sublime, dos filósofos, dos artistas e dos santos, somente então, um fim novo será fixado para o nosso amor e para o nosso ódio, por ora, temos a nossa tarefa e o nosso ciclo de deveres, o nosso ódio e nosso amor. Pois sabemos o que é a cultura. Quando a ligamos ao homem de schopenhauer, ela quer que preparemos e favoreçamos o engendramento sempre renovado deste homem, travando conhecimento com o que lhe é hostil e tirando-lhe do caminho daquele, em suma, ela quer que infatigavelmente lutemos contra tudo aquilo que nos privou, a nós, da realização suprema da nossa existência, nos impedindo de nos tornar em pessoa estes homens de scopenhauer.

 

 

 

Com este desígnio, nos colocamos na esfera da cultura; pois esta é a filha do conhecimento de si, e da insatisfação de si, de todo indivíduo. Aquele que apela para ela exprime isto dizendo: “Vejo acima de mim algo de mais elevado e mais humano que eu; ajudem-me todos a chegar aí, assim com ajudarei a qualquer um que reconheça a mesma coisa e sofra com ela, para que, enfim, renasça o homem que se sentirá completo e infinito no conhecimento e no amor, na contemplação e no poder, e que, com toda a sua plenitude, se agarrará à natureza e se inscreverá nela como juiz e medida do valor das coisa”. Segundo Nietzsche, é difícil levar alguém a este estado de conhecimento de si, porque é impossível ensinar o amor; pois é no amor que a alma adquire, não somente uma visão clara, analítica e desdenhosa de si, mas também este desejo de olhar acima de si e buscar com todas as suas forças um eu superior, ainda oculto não sei onde.

 

 

 

Assim somente aquele que prendeu seu coração a algum grande homem recebe deste fato a primeira consagração da cultura; o sinal disso é a vergonha de si, sem irritação ou ódio para com sua própria estreiteza e mesquinharia, a compaixão pelo gênio que se deixou sem trégua arrastar-se a este torpor, a esta aridez que nos pertencem, é o preconceito favorável para com todos os que estão em devir e em luta, é a íntima convicção de encontrar em quase todo lugar a natureza angustiada, ansiando pelo homem, experimentando com dor o fato de que a obra mais uma vez fracassou, e, porém, realizando com sucesso os esboços, os traços, as formas mais admiráveis; de modo que os homens com os quais vivemos pareçam um campo onde jazem os esboços das mais preciosas esculturas, onde tudo nos grita: “Venham, nos ajudem, cheguem-se a nós, aproximem o que se harmoniza, a nossa aspiração para devir integralmente é imensa”. Na segunda consagração a cultura exige, daquele que passou pela primeira, sobretudo ação, quer dizer, a luta pela cultura, a hostilidade com relação às influencias, aos hábitos, às leis, às instituições nas quais ele não reconheça seu objetivo: o engendramento do gênio.

 

 

 

Em seguida, Nietzsche nos chama a atenção para o fato de que existe uma maneira de abusar da cultura e fazer dela uma escrava. E as potências que em nossos dias mais trabalham para a cultura alimentam precisamente os pensamentos dissimulados e não se conduzem para ela segundo uma ótica pura e desinteressada, e nem reconhecem seu objetivo: o engendramento do gênio.

 

 

 

Em primeiro lugar, o egoísmo dos negociantes que tem necessidade do auxílio da cultura e, por gratidão, em troca, a auxiliam também, desejando, bem entendido, prescrever-lhe, fazendo de si o objetivo e a medida. Daí vem o princípio e o raciocínio em voga, que dizem mais ou menos isto: quanto mais houver conhecimento e cultura, mas haverá necessidades, portanto, também mais produção, lucro e felicidade, eis aí a falaciosa fórmula.

 

 

 

Em segundo lugar, é o egoísmo do Estado que deseja também a extensão e a generalização maior da cultura e que tem nas mãos os instrumentos mais eficazes para satisfazer os seus desejos. Admitindo-se que o estado saiba que é muito forte, não somente para desentravar, mas também para impor seu jugo em tempo útil, admitindo-se que seus fundamentos sejam bastante firmes e amplos, para poder suportar toda abóbada da cultura, a difusão da cultura entre seus cidadãos somente aproveitará a ele mesmo, na sua rivalidade com os outros estados.

 

 

 

Em terceiro lugar, a cultura é incentivada por todos aqueles que estão conscientes de possuírem um conteúdo de fealdade e tédio e que querem mudá-lo por meio de uma pretenda “bela forma”. Com os detalhes exteriores, a palavra, o gesto, com a decoração, o fausto e as boas maneiras, trata-se de obrigar o espectador a uma falsa conclusão quanto ao conteúdo: admitido que se julga habitualmente o interior segundo o exterior.