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Tidos como fonte principal para o estudo do pensamento pedagógico de Hegel, os Discursos sobre Educação são proferidos ao final dos anos letivos compreendidos entre 1808 e 1816, nos quais exerceu o cargo de reitor do Ginásio da cidade de Nuremberg, na época recentemente integrada ao reino da Baviera. Participa, então, de um movimento neo-humanista, na pedagogia encabeçado por seu amigo Niethammer, reformador do ensino e autor do então recente livro A Luta do Filantropismo e do Humanismo na Teoria Pedagógica do Nosso Tempo, que o convida para o cargo. A escola neo-humanista, enfatizando a formação da personalidade dos alunos como um todo e baseando-se no estudo da antiguidade clássica grega e romana, se opõe ao filantropinismo, este, voltado para um ensino profissionalizante de cunho tecnicista.

 

Hegel - a quem interessa muito mais “a historicidade da vida do espírito” do que propriamente a pedagogia -, na sua prática como docente, recusa a aprendizagem passiva, mas também a valorização excessiva da reflexão e dos raciocínios próprios. As atividades dos discentes se orientam então no sentido de se apropriarem de conhecimentos objetivos para serem aplicados posteriormente, sendo atribuida importância ao momento negativo e auto-alienante no processo de formação individual. Aos estudantes seriam propiciados um mergulho profundo na língua e gramática dos antigos no qual ocorreria primeiramente um afastamento, para que depois se efetuasse um reencontro de si mesmos, segundo a verdadeira essência do espírito. O conceito hegeliano dialético de Bildung é assim aplicado, quando então se conserva e se supera as concepções do iluminismo e do classicismo alemão. Em todos os discursos pronunciados nestes anos a uma platéia formada por pais, alunos, representantes do governo, professores, funcionários públicos e educadores, os temas éticos são preponderantes, assim como a defesa da necessidade de um ensino público correspondente a uma necessidade generalizada dos cidadãos.

 

Dos discursos pertinentes ao trabalho por nós realizado, o de número três, de encerramento do ano letivo de 1810 proferido em 14 de setembro, e o de número quatro, de encerramento do ano letivo de 1811 produzido em 2 de setembro, nos parece que o de número três, feito por ocasião do segundo ano de atividades de Hegel como reitor do Ginásio, é aquele em que o Hegel filósofo se insinua com maior propriedade. Procede a uma avaliação geral do Ginásio a partir das novas orientações por ele perpetradas, começando por constatar que a instituição, apesar de se encontrar instalada e concluida, ainda não encontrara seu “tom” e seu “espírito”, bastando para isto, para alcançar uma completude, “o seguimento de uma ordem que se torne um hábito e que se forme e fixe numa atitude interior uniforme”. Constata o retorno de situações anteriores iniciais depois das tentativas de instauração do novo que, mesclando-se entre si, vêm delinear aos poucos algo que é o “espírito da instituição”. Pensa que reflexões sobre as novas possibilidades e alternativas, e hesitações sobre o desenvolvimento do que se pretendeu como finalidade e meios educativos tornam-se supérfluos, concluindo que, naquele momento, “ o todo se engendra e se mostra mais engrenado em suas partes”. Neste instante do discurso, nos faz ver que os currículos e o estabelecimento dos graus e das classes das turmas são definidos a partir das observações do Comissário Geral do Rei. As inovações estabelecidas nos currículos, a partir dali, são, primeiramente, a introdução do ensino da religião para as classes preparatórias do Ginásio, e Hegel assinala a comodidade desta resolução, já que as escolas reunem a maior parte da juventude: “de fato, é uma tradição e um velho hábito, mesmo se não reside imediatamente na natureza da coisa, que a visita de serviço religioso seja providenciado a partir do estabelecimento de ensino”. A segunda inovação é a instauração de exercícios militares para a classe superior do Ginásio. Discursando sobre a importância de que qualquer cidadão esteja apto a defender sua pátria e seu príncipe participando da defesa em caso de guerra, Hegel constata que esses exercícios se constituiem em um “meio mais direto contra a indolência e a dispersão do espírito, ressaltando que “um homem culto não limita sua natureza a algo de particular, mas torna-a apta para tudo”. Dito isto, discorre sobre a importância da disciplina na formação dos alunos, observando que as entrega dos trabalhos dentro do prazo fixado “se tenha que tornar em algo tão inevitável quanto o sol voltar a nascer”. Destaca a necessidade de os alunos desenvolverem a auto-atividade e não somente ter a aprendizagem como recepção e assunto de memória, com a ressalva que “a reflexão própria e o raciocinar arguente devem ser evitados”. Depois de salientar que os primeiros momentos de formação, de conhecimento e hábitos cabem aos pais ministrarem, e que estes tem que colaborar decisivamente na frequência dos alunos à instituição, Hegel passa a discursar sobre a precariedade das instituições de ensino e a declinar as colaborações recebidas e sobre outras formas de arrecadação de fundos, como a prática de coletar dinheiro recorrendo-se aos cânticos nas ruas e corais natalinos. Procede a um inventário dos recursos e termina agradecendo a graça de Sua Magestade o Rei dignar-se à conceder aos professores dos Liceus, dos Ginásios e dos estabelecimentos de ensino prático as benesses da pragmática do serviço público, tornando-os funcionários do Estado.