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Entre os anos de 1809 a 1815, G. W. F. Hegel, proferiu seis Discursos no Ginásio de Nuremberga, sendo o primeiro dirigido ao Reitor Schenk e os demais para o encerramento dos anos letivos.

 

Hegel divide-se entre a administração do estabelecimento, tendo que se envolver com a parte contábil, as aulas que ele ministrava e seu trabalho filosófico, que culminou na sua obra a Fenomenologia do Espírito.

 

Os seus discursos são voltados para a permanência do estabelecimento de ensino, apesar das dificuldades financeiras, a necessidade de um certo rigor para com os alunos, para que a educação surta efeito e a introdução das suas idéias filosóficas nas suas aulas, talvez por isso Hegel tenha sido um mestre tão capaz de reunir um grande número de ouvintes em suas aulas.

 

No discurso de encerramento do ano letivo de 1811, Hegel, inicia dizendo estar aliviado pela não dissolução do ginásio e enfatiza a necessidade do aprendizado das línguas clássicas para uma cultura superior, diga-se de passagem, línguas estas o latim e o francês.

 

Hegel segue chamando a atenção para “a relação da escola e do ensino com a formação ética do homem em geral”. “Familiarizar a consciência com as determinações éticas, consolidar nela as reflexões morais e conduzi-la à meditação sobre estes temas. Pois é nestes conceitos que temos os fundamentos e os pontos de vista a partir dos quais prestamos contas, a nós e aos outros, das nossas ações, as linhas de orientação que nos conduzem através da multiplicidade dos fenômenos e do jogo incerto dos sentimentos”. “Conceitos éticos são bem compreendidos pela criança, pelo rapaz, pelo adolescente, à medida da sua idade”.

 

Baseado nisso, Hegel considera a escola como um mediador entre a família e o mundo, é a passagem da família para o mundo. “A escola encontra-se, de fato, entre a família e o mundo efetivo e constituí o elemento mediador de ligação de passagem daquela para este”.

 

“A vida na família, é uma relação do sentimento. Em contrapartida, no mundo, o homem vale por aquilo que realiza”. “A escola é portanto a esfera mediadora que faz passar o homem do círculo familiar para o mundo”.

 

Sendo assim: para alcançar o sucesso no estudo, segundo Hegel, “deve ser exigido aos que estudam no nosso estabelecimento de ensino calma e atenção nas aulas, um comportamento correto em relação a professores e condiscípulos, a entrega dos trabalhos marcados e a obediência que em geral é necessária para alcançar o objetivo do estudo”.

 

Dentro dos estabelecimentos de ensino deve-se ter uma disciplina rígida de obediência e cumprimento dos deveres escolares, sejam eles quantos forem.

 

A escola e a família têm que caminhar juntas no que diz respeito aos limites impostos a cada indivíduo, para que eles possam estar preparados para vida pública.

 

Nesse momento, “na escola a juventude está de forma tendencial; quem nela falha tem sempre ainda à sua frente a possibilidade geral de melhorar, a possibilidade de ainda não ter encontrado o seu ponto de vista, o seu interesse próprio ou ainda simplesmente não ter atingido o exato momento de com este interesse se revelar”.

 

Por conta disto e para uma melhor homogeneização nas turmas, Hegel ainda solicita aos pais o seguinte: “gostaria por isso de poder fazer-me ouvir por todos os pais que destinam os seus filhos para o estudo ou que pelo menos querem que eles recebam alguma formação nos elementos do nosso estabelecimento, com este apelo, de que, tendo em conta as exigências que atualmente são feitas aos que estudam, não protelem demasiado o início do ensino”.

 

Em 1813 o discurso de Hegel está voltado mais para a aprovação dos alunos, em o que é mais produtivo para o desenvolvimento escolar.

 

Inicia Hegel dizendo o seguinte: “O decorrer do ano é, para o estabelecimento, simples duração; para os professores, um círculo, que se repete, da sua tarefa; mas para os alunos, é, sobretudo, um processo de desenvolvimento, que em cada ano os eleva a um novo grau”.

 

Para “a juventude, o sentimento do acréscimo da vida sobrepõe-se ao sentimento de perda”. “É sobretudo o tempo do caminhar em frente, assim, para ela, um ano de estudo que fica para trás é uma importante nova etapa”.

 

Aprovar um aluno, sem que ele esteja apto, não é de maneira alguma produtivo, para o próprio aluno, ele irá seguir sem a base necessária para um bom progresso, a repetição não significará um insucesso, somente dará uma nova oportunidade para de fato o aluno aprender.

 

“É mais cuidadoso e mais encorajador para eles dar-lhes a oportunidade de, entre novos condiscípulos, se elevarem para lugares melhores, do que deixa-los entre os antigos condiscípulos, que já os ultrapassaram de uma vez por todas, devendo ser para eles deprimente permanecer sempre para trás. Que esta retenção na mesma classe seja para eles uma espora para se empenharem mais nos seus estudos e para recompensarem melhor as esperanças dos seus pais e os esforços dos seus professores”.

 

É de uma enorme atualidade essa discussão, repetir um ano letivo não deve ser considerado como uma derrota e sim como uma oportunidade de realmente aprender o que foi ensinado.

 

No final desse discurso Hegel deixa essa mensagem: “os tesouros interiores que os pais dão aos filhos, através de uma boa educação e pela utilização de estabelecimentos de ensinos, são indestrutíveis, e mantêm o seu valor em todas as circunstâncias; é o melhor e mais seguro bem que podem proporcionar e deixar aos seus filhos”.

 

Já em 1815 o discurso de Hegel está voltado para o limite de liberdade que deve ser dado ao jovem para o bom desempenho nos estudos.

 

“O estudo das ciências, no calmo círculo da escola, é o meio mais adequado para dar à juventude um interesse e uma ocupação, que a guarde e isola dos ruídos e da influência tentadora das circunstâncias em que tudo está em fermentação. Tem de haver, portanto, um cuidado duplo, por parte dos pais e tutores, para vigiarem e guardarem aqueles que lhes estão confiados. Difícil é encontrar a via intermédia entre a concessão de uma liberdade excessiva às crianças e uma limitação excessiva desta liberdade. Na medida em que ambas as vias constituem um erro, o primeiro erro é bem maior. Ainda que a benevolência dos pais para com os filhos lhes conceda facilmente uma liberdade inocente, deve-se, contudo, ver bem se ela é verdadeiramente inocente e se assim o permanece. Na medida em que é mais fácil amar os filhos do que educa-los, os pais têm de provar se a comodidade não contribuiu para entregarem os filhos a si próprios, sem os terem sob sua vista e sem os acompanharem com a sua atenção. Muitos prejuízos fez certamente na educação moderna o princípio de que se deveria desde cedo trazer as crianças ao contato com o mundo e para esse fim, inicia-las na convivência social, isto é, nos prazeres e distrações dos adultos, ou trata-las como se fossem adultos”.

 

“Mas, há um outro aspecto perigoso para a juventude que pode parecer estar ligado mais de perto com o próprio estudo. O sentimento do valor verdadeiro que o homem por esse meio dá a si mesmo, a importância e grandeza dos objetos com os quais se ocupa, podem induzir a juventude à presunção da sua maturidade e à exigência do comportamento independente dos adultos, assim como à igualdade nos seus prazeres e outros aspectos da vida”.

 

A liberdade dada ao jovem deve ser comedida para que não interfira na sua produção escolar, como também não influencie no seu desenvolvimento, confundindo-o com um adulto.

 

Hegel encerra seu discurso dizendo o seguinte: “Apoiemo-nos mutuamente, nós, pais e professores, para a finalidade da formação moral dos alunos!” “Que vós, jovens, tenhais a possibilidade de uma formação digna dela e de alcançar assim a aptidão superior que ela exige e, dessa forma, também a felicidade que dela deve resultar!”

 

“E agora, passemos à distribuição dos prêmios anuais aos que os alcançaram pela sua aplicação, progressos e conduta ética.”

 

 

 

Fonte de consulta: Hegel, G. W. F. Discursos Sobre Educação. Tradução: Maria Ermelinda Trindade Fernandes. Edições Colibri.