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Neste famoso livro, Nietzsche apresenta vários pontos importantes sobre a arte de educar. No primeiro capítulo Nietzsche vem mostrando a propensão do ser humano à preguiça, ou seja, a inclinação que homem tem a querer conhecimentos prontos, a querer que os outros revelem para ele o que ele é. O homem é assim não porque tem medo do que outros possam pensar, mas muito mais porque é preguiçoso.

 

A opinião alheia é um grilhão que não permite que o indivíduo se descubra, um obstáculo que dificulta que ele encontre a felicidade. Por isso, é importante que o sujeito assuma perante a si próprio a responsabilidade da sua existência, que o indivíduo seja autônomo. Ninguém pode construir pontes que devemos construir e atravessar sozinhos. Entretanto, há pessoas que nos ajudam a descobrir esse caminho: são os educadores. Esses são os que nos indicam o que nós mesmos não enxergamos, aspectos que antes não percebíamos, pois se encontram além de nós mesmos. Neste sentido, a verdadeira educação é libertação: libertação da prisão da opinião, libertação do conhecimento engessado, emancipação do nosso verdadeiro ser.

 

O verdadeiro educador reúne algumas características importantes. Ele deve ser honesto consigo mesmo, pois só uma pessoa que é honesta consigo pode ensinar aos outros a serem honestos e simples no pensamento e na vida. O verdadeiro educador também não se utiliza da retórica para filosofar, mas sim “sabe dizer de modo simples as coisas profundas”. E por fim, o verdadeiro educador é um libertador: ele não apenas procura desenvolver os dons de seus alunos, mas sim busca transformar o homem por inteiro. Isto significa que a formação de uma pessoa não deveria buscar somente o aprendizado científico, mas também desenvolver o homem como um todo.

 

Por todos estes aspectos, Nietzsche considera que há um filósofo que reúne todas essas características, a saber, Arthur Schopenhauer. Ele tem uma virtude importantíssima: a alegria, pois é “alegre com os outros, sábio consigo”. Uma alegria tamanha que encoraja e estimula constantemente. Schopenhauer é alegre “porque conseguiu pelo pensamento a mais difícil das vitórias”. Ele é íntegro porque não escreve para os outros, mas antes para si, pois valoriza seu próprio pensamento. E é constante, pois “não pode não sê-lo”. Por esses motivos Nietzsche acreditou ter encontrado o pensador que há tempos procurava, aquele o ajudaria a se encontrar.

 

 

 

Nietzsche admira um filósofo apenas quando este pode lhe servir como exemplo. Porque para ele ser filósofo é viver a filosofia. A filosofia não se resume ao pensamento, mas a vida como um todo. O filósofo, portanto, não pode estar preso as vicissitudes de seu tempo, ele tem que ser o seu próprio guia, tem de se deixar guiar pela sua filosofia. Schopenhauer é um modelo, um exemplo; porque nele está presente a autonomia e a veracidade. É essa característica que o define como bom educador. Pois, o bom educador é aquele que serve de modelo para seus discípulos. Segundo Nietzsche, Schopenhauer vem mostrar a Alemanha de seu tempo que é preciso esquecer, desaprender a “filosofia pura”, ou seja, que deva se restringir a academia, ao pensamento. A filosofia deve assumir o seu lugar na vida, como própria ação de vida. Ser filósofo é uma tarefa árdua. É preciso correr riscos, por em perigo a própria vida. Nietzsche descreve três perigos que assolam o filósofo: 1º perigo – ao tomar conhecimento de sua originalidade o filósofo sofre com a necessidade de adaptar-se ao mundo histórico em que vive. Sua filosofia mantém um embate com os paradigmas da sociedade. Em represália, a ele é dado a solidão, só encontrará diante de si o deserto, a caverna, pois seus contemporâneos não o compreendem e, assim, o afastam. Schopenhauer é grande, porque ousa quebrar com a fria filosofia da análise. Ele busca pensar no conhecimento como um todo, não se restringe a análise do objeto, ele pensa também, no produtor do objeto. Da mesma forma, Schopenhauer busca fugir do desejo da universalidade. Sua filosofia é individual, é pelo indivíduo e para seu uso, a fim de que perceba sua própria miséria, sua indigência, seus limites e que nela descubra remédios e consolações. O filósofo nega a pobreza do universal que tende a restringir a vida a formas prontas e puras. E este é o segundo perigo que tem de enfrentar: a tendência da filosofia a buscar o universal. De acordo com Nietzsche, a raiz de todo cultura verdadeira tende a genialidade. O gênio é aquele que do alto do seu pedestal vê mais longe e mais claramente que qualquer outro e penetra no mais íntimo, onde se reconciliam o conhecimento e o ser, até o reino da paz e da negação do querer. Mas a genialidade traz consigo um grande perigo, perigo este que Schopenhauer teve que enfrentar o da esclerose moral ou intelectual. O gênio, enquanto homem, corre o risco de romper com o laço que o ligava a seu ideal; nesse ou naquele domínio deixa de ser fecundo, de procriar, torna-se, do ponto de vista da cultura, um ser prejudicial ou inútil, ou seja, um santo. Além destes três perigos que rondam a constituição do verdadeiro filósofo, este tem de enfrentar também os perigos contingentes que se resumem, basicamente, a própria existência espaço-temporal do filósofo. A realidade contemporânea ao filósofo se impõe, age e condiciona o olhar, quer o filósofo queira ou não. E por isso se faz necessário que ele saiba avaliar exatamente sua época em comparação com outras. É triste e incômodo para o filósofo que a humanidade de seu tempo seja, justamente, um produto medíocre e corrompido. É por esse motivo que os filósofos modernos estão entre os mais poderosos fomentadores da vida, da vontade de viver e, do fundo de sua época enfraquecida, aspiram à cultura. Mas esta aspiração é para ele também um grande perigo; no fundo deles próprios o reformador da vida e o filósofo se enfrentam. A luta do grande homem contra seu tempo se reduz aparentemente a uma luta absurda e destrutiva que move contra si mesmo. Mas isso não passa de uma aparência, pois o que ele combate em sua época é o que o impede de tornar grande, isto é, de se tornar livre e plenamente ele mesmo. Segue-se disso que sua hostilidade é dirigida na realidade não contra o que ele é, mas contra o que se agrega a ele. O verdadeiro filósofo vai ao encontro dos elementos da realidade contemporânea que tentam se solidificar em sua personalidade estranha ao tempo; para então revelar-se como um filho bastardo e sofredor. Foi assim que Schopenhauer, desde sua juventude, se revoltou contra sua época, madrasta vaidosa e indigna; e expulsando-a de si mesmo, de alguma forma, purificou e curou seu ser e se reencontrou a si mesmo, em sua saúde e em sua pureza originais. Aspirar a uma natureza vigorosa, a uma humanidade simples e sadia, era para ele aspirar a si próprio. E, a partir do momento em que conquistou a vitória sobre seu tempo, em seu próprio íntimo, não pode fazer de outra forma senão descobrir nele também o gênio. Podemos todos aprender com Schopenhauer a lutar contra nosso tempo, porque temos, graças a ele, a vantagem de conhecer realmente este tempo. Se nos propomos justamente a explicar qual é a importância do filósofo como educador é preciso olhar para a filosofia das universidades e responder a sua relação, muita das vezes servil, com o Estado. Nietzsche critica o poder que o Estado tem sobre o ensino universitário e a reação acalentadora dos professores acerca deste poder. Essa critica é direta a filosofia hegeliana que dominava as universidades em seu tempo e no tempo de Schopenhauer. Segundo ele, a filosofia de Hegel que acreditava afastar ou mesmo resolver com a ajuda de um acontecimento político o problema da existência não passava de uma caricatura e de um sucedâneo da filosofia. Nietzsche coloca que sua época é um período de átomos, do caos de átomos. Onde o Estado veio para assumir o local que antes era ocupado pela Igreja. Este tenta reorganizar tudo segundo sua própria visão e procura ser a ligação e o peso que mantêm a coesão das forças adversas; dito de outro modo, deseja que os homens lhe prestem o mesmo culto idólatra que prestavam à Igreja. Diante deste quadro, o filósofo clama por aquele que dedicará seus serviços de paladino e de vigilante à idéia de humanidade. Quem vai erguer a imagem do homem, uma vez que todos sentem em si o egoísmo e o terror, criado pelo Estado, e estão de tal modo decepcionados com essa imagem, caídos na animalidade, até mesmo num mecanismo rígido? Segundo Nietzsche, a época moderna erigiu uma após a outra três imagens do homem nas quais os mortais procurarão por muito tempo ainda um motivo para glorificar seu próprio ser: o homem segundo Rousseau, o homem segundo Goethe e, finalmente, o homem segundo Schopenhauer. Dessas três a primeira é que causou maior impacto e que gozou da maior popularidade. A segunda só convém à minoria, às naturezas contemplativas de alto nível e não é compreendida pela multidão. A terceira apela aos homens mais ativos; somente eles podem considerá-la impunemente, pois, ela amolece os espíritos contemplativos e assusta a multidão. Para criar seu arquétipo do homem, Rousseau com um gesto sarcástico, joga para longe os ouropéis coloridos que lhe pareciam ser o que de mais humano existia, além das artes, das ciências, das vantagens de uma vida refinada; bate com os punhos nos muros à sombra dos quais se ressecou, clama pela necessidade de luz, de sol, de florestas e de rochedos. E exclama “Somente a natureza é boa, somente o homem natural é humano”. Já o homem segundo Goethe não é uma potência tão ameaçadora, pode até mesmo em certo sentido servir de corretivo, de sedativo às emoções perigosas, às quais está preso o homem segundo Rousseau. Goethe substitui o homem segundo Rousseau, porque, odeia toda violência, todo afastamento brusco, isto é, toda ação. O homem segundo Goethe é contemplativo em grande estilo; se não perece na terra, é porque recolhe e acumula como seu alimento tudo o que existiu algum dia e existe ainda de grande e memorável; e se arranja para viver assim, embora seja uma vida de desejo em desejo. Ele é uma força conservadora e conciliadora, mas arrisca degenerar num impertinente burguês, da mesma forma que o homem segundo Rousseau se torna facilmente um personagem catilinário. Um pouco mais de vigor muscular e de impetuosidade natural neste homem de Goethe, e todas as suas virtudes seriam aumentadas. Parece que Goethe sabia onde residia o perigo e a fraqueza de seu tipo de homem e aludiu a isso nas palavras dirigidas por Jarno a Wilhelm Meister: “Você é desgostoso e amargo; isso é belo e bom; se chegar a se irritar pelo bom, seria melhor ainda.” Devemos, portanto, para sermos francos, nos irritar com o bom para que tudo ande melhor; e é a isso que deve nos encorajar a imagem do homem de Schopenhauer. O homem de Schopenhauer assume o sofrimento voluntário da sinceridade e esse sofrimento lhe serve para matar seu querer próprio e para preparar a inversão, a total conversão de seu ser, que é o verdadeiro objetivo e o sentido da vida. O homem segundo Schopenhauer coloca que tudo o que pode ser negado deve ser negado. Ser verídico é acreditar numa existência que ninguém poderia mais negar porque é por si mesma verdadeira e isenta de mentira. É por isso que o homem verídico sente que sua atividade tem um sentido metafísico, explicável pelas leis de uma vida diferente e superior, um sentido positivo em toda a acepção da palavra, mesmo se tudo o que faz parece destinado a destruir e a infringir as leis da vida presente. Por causa disso, sua atividade só pode lhe causar um sofrimento constante; mas sabe o que sabia também Mestre Eckhard: “O corcel mais rápido que nos leva à perfeição é a dor.” Este homem que tem Schopenhauer como educador sabe que uma vida feliz é impossível; o que o homem pode realizar de mais elevado é uma vida heróica. Vive uma vida heróica aquele que luta de todas as maneiras e em todas as circunstâncias contra dificuldades imensas, no interesse de todos, e que acaba por vencer, mas que é mal ou de nenhuma forma recompensado. No final de sua vida fica como o príncipe do Re Corvo de Gozzi, petrificado, mas numa atitude nobre e num gesto magnânimo. Sua memória permanece e será celebrada como a de um herói. Seu querer, mortificado durante toda a sua vida pelo esforço e pelo trabalho, pelo insucesso e pela ingratidão do mundo, se extinguirá no nirvana. O homem heróico despreza seu bem-estar ou seu mal-estar, suas virtudes e seus vícios, e em geral a tendência de reconduzir tudo a sua própria medida; não espera mais nada de si mesmo e exige penetrar até o fundo desesperado de todas as coisas.

 

 

 

Neste quinto capítulo, Nietzsche procura justificar porque considera Schopenhauer educador ou como um exemplo, explicando o tipo de homem é Schopenhauer, ou seja, a idéia de um humano que exerce de, melhor maneira a ação educativa. Nietzsche observa que o homem tem uma condição limitada em seu conhecimento. O homem se torna infeliz em ter de procurar conhecer uma coisa que não poderá manter relações próximas, Schopenhauer aquele ideal de homem que é capaz de se transportar para fora de si, se distanciando do homem comum, que age pelos instintos. O homem na verdade ainda não se diferenciou do animal, ele é o espelho da própria natureza, ele precisa se libertar de seu lado animalesco para aperfeiçoá-lo e assim também dera aperfeiçoar a natureza. A natureza precisa do conhecimento para se libertar, mas também o teme. Nós nos ocupamos de milhares de coisas desnecessárias antes de nos preocupar com aquilo que precisamos, nos escondemos na vida em sociedade. O ideal de homem, como Schopenhauer é aquele que enfrenta esse medo e se curva diante de si mesmo, é o redentor que a natureza tanto espera, é aquele que triunfa sobre a animalidade. Só chegaremos a este ideal por meio da cultura.

 

No capítulo seis Nietzsche fala dos meios de chegar ao ideal de homem através da cultura. Ele enumera os dois sacramentos da cultura, como sacramentos para se chegar até ela. O primeiro é o amor, o segundo é o uso do saber para chegar até a cultura atacando inclusive influencias, hábito, leis ou instituições contrárias a ela. Ao fim do capítulo, Nietzsche critica claramente as instituições de ensino, dizendo que estas não propiciam o aparecimento deste ideal de homem como foi Schopenhauer, estas apenas se preocupam em formar sábios, pseudo-detentores da verdade, formam especialistas, estudiosos de pensamentos já concebidos, historiadores, mas não pensadores ou gênios.

 

 

 

Nos capítulos 7 e 8 do livro Schopenhauer Educador, Nietzsche quer chegar a uma conclusão: Mas afinal de contas, o que é necessário proporcionar ao filosofo em formação para que ele desfrutar de condições de existência parecidas com as de Schopenhauer? E que obstáculos devem ser afastados para que o filosofo eduque novamente filósofos?

 

A partir dessas perguntas Nietzsche aborda a recepção dos livros de Schopenhauer. Para ele a falta de leitores para as obras de Schopenhauer o prejudicou grandemente e acarretou no que ele chama de “duradoura vergonha de nosso século literário.” Quando os leitores começaram a aparecer também apareceram numerosas tentativas de adaptar Schopenhauer a nossa época (interpretada por Nietzsche como “época fraca”) e assim incorporá-lo a ela aos poucos, em doses mínimas. (Pág. 89)

 

Para que a falta de razão, presente em nossa época segundo Nietzsche, seja combatida é necessário que Schopenhauer se torne conhecido entre os “espíritos livres” e entre aqueles que se sentem incomodados com esta “época fraca”, e que estes se unam pára combater essa inabilidade existente em nossos dias. Os membros dessa corrente terão como objetivo, também, “preparar o caminho para o surgimento de um novo Schopenhauer, de um gênio filosófico.” (Pág. 90).

 

Mas Nietzsche afirma que o que pode arruinar o nascimento do filósofo é a “insanidade da natureza humana de nossa época”; uma época não somente dominada por domas, mas também por noções que Nietzsche chama de absurdas e de ninharias como: “progresso”, “cultura geral”, “nacionalismo” e outros.

 

Através da vida de Schopenhauer, Nietzsche mostra os obstáculos e as aberturas para o nascimento do gênio filosófico.