СНПЧ А7 Омск, обзоры принтеров и МФУ

 

Ao findar de cada ano letivo Hegel discursava para o corpo docente, discente, pais e funcionários do Ginásio de Nuremberga, onde ocupava o cargo de reitor, a fim de entregar premiações e abordar temas importantes para a comunidade e para o próprio ensino. Neste trabalho iremos tentar resumir os principais assuntos referentes à prática de ensino, abordados por Hegel nos discursos de 1811, de 1813 e de 1815.

 

O discurso de encerramento do ano de 1811 é iniciado por Hegel com uma espécie de agradecimento a população de Nuremberga, que se mobilizou contra a iminente dissolução do Ginásio. O reitor salienta também a importância das entidades oficiais que apoiaram a mobilização possibilitando a fundação e manutenção do estabelecimento.

 

Outro eixo temático abordado pelo reitor é a questão da “relação da escola e do ensino com a formação ética do homem em geral”. Hegel argumenta que esta formação não provém só de uma relação unilateral da escola, mas que também depende da criação dos pais. E que a função da escola nesta formação é limitada à vida do aluno, no que tange aos limites do ginásio e suas implicações. Enquanto na relação familiar o homem tem laços afetivos e tem seu valor julgado somente por ser amado, na vida adulta, fora da escola, este homem terá seu valor somente por suas realizações, sua vida útil. A escola, como afirma Hegel, é o meio termo desses dois pólos, onde o homem adquire formação prática e habitua-se as relações afetivas. Por isso, Hegel defenderá que desde cedo os alunos devem ser encorajados a alcançarem sua autonomia no que diz respeito às condutas extracurriculares, que exigem um comportamento comprometido consigo e com a experiência adquirida com os mais velhos. Escola e família devem, dentro das suas obrigações e limitações, respeitar a autoridade de cada uma para dar uma melhor formação ao aluno.

 

A partir destas conclusões, Hegel salienta que a escola não pode ser algo de acabado ao sair dela. A formação científica, bem como outras aptidões, aprendidas no ginásio só ganham forma, isto é, encontram sua finalidade, na vida pública, em sua aplicabilidade fora dos muros da escola. Por isso, cada etapa do ensino é importante e deve ser bem aproveitada pelo aluno. Por fim, Hegel salienta que os pais devem se preocupar em matricular o quanto antes seus filhos na escola, para que estes sigam no período certo sua formação.

 

O discurso do dia 02 de setembro de 1813 propõe um olhar retrospectivo sobre o ano letivo findo, como diz Hegel: “O decorrer do ano é, para o estabelecimento, simples duração; para os professores, um círculo, que se repete, da sua tarefa; mas para os alunos, é, sobretudo, um processo de desenvolvimento, que em cada ano os eleva a um novo grau” (p.71).

 

Esta simples duração é entendida por Hegel como a “não história” do estabelecimento de ensino neste ano letivo, pois para ele a virada do ano não deve, necessariamente, implicar mudanças significativas. Mudanças estruturais são compreendidas em progressos lentos, que respeitam a necessidade de manter determinações das organizações em vigência.

 

Diferentemente deste tempo da duração, o tempo da juventude, diz Hegel, é voltado para o futuro. O sentimento de acréscimo de vida é mais relevante para um jovem, do que o sentimento de perda. Por isso, um ano bem aproveitado, com uma aprovação como resultado de seu empenho, está para o aluno como uma nova etapa. Alunos interessados irão se dirigir ao serviço do Estado, o ensino público forma homens aptos a trabalharam para o Estado.

 

O reitor pontua que a passagem incondicional de um aluno considerado inapto para uma classe mais elevada, seria problemático principalmente para a formação deste aluno. Estudar dois anos em uma mesma série pode ser interessante para aqueles alunos que não acompanharam o ritmo dos outros e da própria matéria dada. Esta retenção serviria para dá-los uma nova chance e encorajá-los a se empenharem mais nos estudos.

 

Outra preocupação de Hegel é para com os alunos do último ano, que irão se destinar a Universidade. O reitor lembra que estes deverão perceber que uma boa formação no ginásio lhes servirá de base e irá contribuir para um melhor aproveitamento das ciências profissionais, bem como na determinação de uma profissão particular.

 

O discurso de encerramento proferido no dia 30 de agosto de 1815 por Hegel, comunica uma mudança ocorrida no ano passado, referente à classe de colaboração. Esta era uma classe de preparação para o primeiro nível de formação propriamente dito, mas seu conteúdo oscilava entre esta preparação e a própria classe primária inferior. Esta preparação perde espaço no ensino público, por se configurar como uma repetição de um mesmo curso com um mesmo professor. O espaço público, afirma o reitor, deverá por hora se preocupar com necessidades mais importantes e universais para a formação da juventude como um todo.

 

Hegel aproveita a oportunidade e disposição do público para acrescentar que se faz necessário uma transformação naquilo que há de essencial nas escolas elementares. Uma seqüência ordenada de graus, separação dos alunos em classes separadas em diferentes níveis, um professor para cada classe, bem como a independência do ensino do professor em relação à autoridade dos pais, são exemplos que o reitor dá para a manutenção do ensino público. Ele defende ainda que o Estado deve prover organizações que estão na base do todo, como as instituições de ensino.

 

Hegel alerta para que o amor dos pais pelos filhos, bem como a benevolência para com estes, não se transforme em libertinagens que permitam exageros ou até delitos. Ele conclui que muitos erros observáveis na educação moderna se deram pela inserção precoce das crianças no mundo dos prazeres dos adultos, ou ainda por trataram elas como adultos. Para ele, o período de afastamento desse mundo é necessário para melhor formar esta criança e prepará-la para chegar no período certo à maturidade.

 

Outro aspecto negativo analisado por Hegel refere-se à presunção de alguns alunos ao darem importância demais a si mesmo, assumindo uma maturidade que não corresponde a sua formação e impondo uma independência precoce dos pais. Hegel conclui que os pais, ainda que contentes com as realizações dos filhos, não devem relaxar na vigilância e na cobrança da disciplina em casa para que seus filhos não se degenerem. Por fim Hegel propõe um apoio mútuo entre professores e pais para melhor formar moralmente os alunos.

 



 

Bibliografia:

 

HEGEL: Discursos sobre educação. Tradução e introdução de Maria Ermelinda Trindade Fernandes. Edições Colibri