No 4º Discurso de Encerramento do Ano Lectivo de 2 de Setembro de 18141, Hegel ressaltava antes de tudo a preocupação, apesar da época celebrativa (encerramento de ano letivo), de uma dissolução do Ginásio.

 

O pano de fundo remetia à um processo de recolocação significativa no que se referira à educação, diante de vertentes Iluministas, com declínio de interesse pelo que era comum, declínio do interesse pela vida pública e de conceitos humanistas.

 

No dever de esclarecer sobre a instituição pública de ensino, Hegel destaca a “relação da escola e do ensino com a formação ética do homem em geral”. São questões provenientes da instituição de ensino no que se refere a instrução sobre conceitos e princípios morais. Mas, ressalta ele a necessidade de não confiar no desenvolvimento natural do bem, pois deve-se refletir, meditar sobre temas morais, pois é a partir destes conceitos que prestamos contas aos outros sobre nossos atos e a nós mesmos.

 

Em meio a justificativas que se opunham ao ensino de princípios éticos, afirmando que os jovens são incapazes de assimilar tais ensinamentos, ele ressaltava a possibilidade de compreensão de forma gradual, da criança, do jovem do adulto, por meio de exemplificações, em vista de profundidade e melhor compreensão gradativa. A falta de reflexão ética retardaria não só o conhecimento do seu significado como também de seu sentimento.

 

A cultura formal torna-se também necessária para a ação ética, e esta capacidade é formada através do ensino científico. A formação científica tem um efeito tal que consegue separar o espírito de si mesmo e de colocá-lo no pensamento, alcançando assim a consciência do modo instintivo, se sobrepondo aos sentimentos imediatos e constituindo assim a base da ação moral.

 

A escola encontra-se entre a família e o mundo tornando-se mediadora entre um e outro, uma esfera que com todos seus atributos (regras, punições, recompensas) atua na vida do indivíduo e no seu desenvolvimento ético.

 

A vida na família se dá de forma natural, com sentimentos e laços que não requerem objetivação diferentemente na vida fora dela em que o indivíduo “vale por aquilo que realiza”, vale o objeto não a pessoa em particular. A escola tem papel mediadora nessa transição do mundo particular para o mundo objetivo em que valem as relações objetivas e papéis desempenhados na esfera social, com seriedade e sentimento de dever, livre de inclinações momentâneas e individuais. No âmbito escolar, o indivíduo se abstém do mundo particular e passa a ser ensinado com muitos, aprende a se relacionar com outros e criar um reconhecimento e confiança diante do próximo. Começa então a dualidade da vida do indivíduo em duas esferas, a individual com seus próprios arbítrios e a social com seus deveres e obrigações.

 

É errôneo reclamar com professores sobre a má conduta de alunos fora do ambiente escolar, pois que fora do mesmo estes alunos se encontram sobre a responsabilidade dos pais, são estes que lhes colocam limites. A escola faz parte da vida do aluno como a família e se dá necessário assim um apoio mútuo de forma a terem êxito na formação do indivíduo.

 

A escola se encontra com relação ao mundo efetivo e sua tarefa é preparar a juventude para o mesmo. Neste se encontram as rivalidades entre a objetividade do universal e as instâncias subjetivas dos desejos individuais. A escola se encontra no meio do caminho, não se permite aos desejos individuais e ao mesmo tempo está privada da vida pública. Mas, é a escola responsável pela formação do indivíduo para a vida pública. As aquisições cognitivas só atingem seu fim fora do ambiente escolar e alcançam por meio dela um grau, uma elevação, mas não um fim.

 

 

 

5º Discurso de Encerramento do Ano Letivo (2 de Setembro de 1813)

 

Com término do ano letivo, numa temporalidade que diferencia-se a partir da esfera do estabelecimento de ensino, para o aluno é, sem dúvida, uma progressão à um novo grau, uma elevação cognitiva, para os professores mais um ano, para a instituição apenas duração. Os alunos se colocam assim perto de um serviço do Estado, como seus pais almejam, exceto por aqueles cujos trabalhos e esforços não foram suficientes para tal passagem de turma. É meta da instituição preparar o aluno para atuação no Estado, e ressalta a importância de preparar os alunos de forma correta onde só se aprova para um nível superior aquele que estiver bem preparado, pois uma vez que não ocorre, torna-se prejudicial para o próprio indivíduo, cabe a ele assim, a aceitação da condição e utilização de tal para maior esforço. O ingresso de alguns na Universidade se dá pela própria dedicação e fruto de um bom aproveitamento do Ginásio, em que os principais atuantes nesse processo foram os próprios ingressantes.

 

Propondo esboçar de forma concisa acerca da relação entre os estudos do Ginásio e a ciência profissional, salienta a perspectiva dos antigos, onde o estilo de vida e a forma de lidar com aquilo que nos referimos como obrigação se dá em forma de virtudes e costumes. Dita a importância de criarmos a representação e o conceito de uma vida completa, uma vez que não mais nos reconhecemos em um todo.

 

 

 

 

 

6º Discurso de Encerramento do Ano Letivo (30 de Agosto de 1815)

 

Com a inserção de nova turma, a qual exigia-se para ingresso domínio prévio de Alemão e Latim em sua parte técnica, e que exigia assim aquisição de tal domínio de forma privada, ainda que, e não de outra maneira seria possível, de modo mecânico.

 

No que se refere a instituição, é necessário uma mudança no essencial. Uma organização que viabiliza a divisão de alunos em graus, em diferentes níveis, assim como a “independência do ensino dos professores em relação ao arbítrio e à inclinação dos pais”. Apesar de historicamente as estruturas estatais terem se baseado a princípio no privado, coube agora à esta instância a má utilização e descuido, na medida que o bem se tornou um hábito.

 

O governo do Estado deve manter um limite, não intervindo na vida privada do cidadão, mas também incorporar objetos com fins do Estado.

 

Ressalta aspectos ditos perigosos para a juventude, como liberdade concedida pelos pais, a partir das quais podem, os jovens, terem práticas além daquelas que simples e inocente liberdade permite, não só esta mas a tentativa de inserção do jovem no mundo a fim de propiciar uma convivência social (nos prazeres e distrações dos adultos), pois ato este não se daria como necessário, uma vez que ainda que se mantivessem centrados em seu desenvolvimento interior não prejudicaria a sua inserção no mundo social e suas “manifestações exteriores”.

 

Há ainda outro fator de perigo, a auto- suficiência, tendo em vista a complexidade dos objetos que já se inserem, sendo assim necessária a vigilância dos pais, não permitindo assim que tomem controle absoluto de suas atitudes. Ressalta incansavelmente a necessidade de centralização dos jovens, de um recolhimento, sugerindo esquivamento de toda e qualquer distração, e da necessidade de vigília e zelo dos pais pelos jovens, a fim de propiciar um ensinamento moral e torná-lo um indivíduo que trabalha não só pela felicidade em uma esfera coletiva como também individual, buscando sua própria felicidade.