Objetivo: tendo em mente que tanto professor quanto o aluno são suportes de conhecimentos, experiências, criações e originalidades, tentar inserir a filosofia no quadro da produção humana, seja esta compreendida como animal, animal racional, ser político etc. Ou seja, a filosofia é menos um saber originário em algum momento específico da história que um posicionamento crítico e imanentista em relação à existência, à vida, às potências e singularidades.

 

 

 

Tópicos:

 

  1. Filosofia: o que é? Opinião, compreensão, reflexão, comunicação, razão e devir.

  2. A flor pode ser explicada pelo adubo? Filosofia é pensamento original – assim como a pintura, o cinema, os jogos, a gastronomia etc.- ou extensão necessária de outros pensamentos necessariamente limitados e por isso mesmo passíveis de serem compreendidos em sua totalidade?

  3. Existe alguma necessidade em filosofar?

  4. É possível ensinar filosofia?

 

 

 

Problematizão:

 

Em virtude da inserção da filosofia no Ensino Médio, é necessário que se pense criticamente o que significa esta filosofia que entra em uma instituição de ensino e em qual medida sua entrada está limitada às explicações e justificativas que possibilitem sua prática no cotidiano escolar. Assim como a arte está em uma instituição, pelo menos dita e tida em uma, será que sua prática limita-se às abordagens oferecidas pelas instituições? Que tipo de abordagem é esta? Portanto, o que está em questão é o quanto a filosofia tem ou não de institucional, e se sua compreensão e prática estão ou não vinculadas entre si de modo indiscernível no interior das instituições.

 

Diante da proliferação dos modelos, dos sábios, dos santos, dos doutores e dos mestres, será que existe a necessidade de traçar linhas de fuga de toda obsessão pela verdade, pelos limites da razão, pela cautela em disciplinar e domesticar as pulsões? Seria a filosofia um repeteco eterno ou a possibilidade mesma de criação de novos modelos que durem pelos menos um instante? Quais modelos se alegrariam com pelo menos um instante?

 

Novas compreensões surgem do pensamento, mas as tolices que nós mesmos nos prendemos e nos fixamos para um pouco de conforto, segurança, conservação e mesmice, carecem exaustivamente por atenção e repetições que se pretendem esgotar-se na pura potência do real. Artaud grita, Alice cresce e diminui simultaneamente, Kafka não dorme, os nômades produzem suas matilhas, Buñel dança com a imaginação, Bacon distorce a carne... Nossos problemas não têm tempo nem atenção pelas universalidades dos homens. A turbulência da razão é o espaço da dança dos conceitos.

 

 

 

Bibliografia:

 

MORENTE, Manuel García. Fundamentos de Filosofia I, Lições preliminares. Tradução de Guillermo de la Cruz Coronado. São Paulo: Editôra Mestre Jou.

 

GUSDORF, Georges. Mito e Metafísica. Tradução de Hugo di Primio Paz. São Paulo: Convívio, 1979.

 

LAÊRTIOS, Diôgenes. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Tradução de Mário da Gama. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2008.

 

OLIVEIRA, João Vicente Ganzarolli de. Arte e beleza no pensamento de Gerd Bornheim. Rio de janeiro: EdUERJ, 2003.

 

CAPRA, Fritjof. O Tao da física: um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental. Tradução de José Fernandes Dias. São Paulo: Cultrix, 2006.

 

GUATTARI, Félix. As três ecologias. Tradução de Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas, SP: Papirus, 1990.

 

 

 

Obs: a escolha dos livros tem como fundamento a possibilidade de que o mergulho na filosofia possa advir de múltiplos e diferentes ambientes e perspectivas, ou seja, de que não se tem um fundamento preciso; a única lei é não limitar: a indiscernibilidade da entrada e da saída, do começo e do fim.