Do início da ética ao fim do mundo Antigo

 

A partir da perspectiva de Max Stirner

 

 

 

Da mesma forma que nós, alemães, dificilmente teríamos um Kant, sem a Idade do Iluminismo, assim também os gregos dificilmente teriam um Sócrates ou uma filosofia socrática, sem os sofistas.

 

Zeller

 

 

 

A figura de Sócrates, ou o que conhecemos dela através dos diálogos platônicos, está intimamente ligada aos sofistas. Certamente, a marginalização dos sofistas do discurso filosófico e a visão pejorativa que se tem deles são devedoras da tradição de pensamento ocidental, inauguradas pela tríade Sócrates, Platão e Aristóteles.

 

 

 

Em nossos dicionários, sofisma é definido como um argumento capcioso, cujo intento é enganar, iludir, ou vencer o adversário no discurso. Quando alguém está sofismando, pretende dar aparências de verdade, isto é, fazer parecer que é o que não é.

 

 

 

Um estudo consistente sobre os sofistas devem se afastar dessas visões, apresentando a multiplicidade e riqueza deste pensamento. Mais ainda, leva-nos a analisar Sócrates, o grande inimigo dos sofistas, com outro olhar, mostrando como ele foi o início da grande decadência do mundo antigo, segundo Max Stirner ― e adotado por Nietzsche. Para ele, o mundo antigo gerou a inversão de valores que desembocou no cristianismo. Da crença na verdade da Natureza passaram para a crença na verdade do Espírito.

 

Objetivo geral

 

A compreensão do momento sofístico e contextualização do seu momento de eclosão; traçando como contraponto o pensamento socrático e seus desdobramentos para o mundo antigo.

 

 

 

Tópicos

Problematização

  1. Explicação dos sofistas e contextualização histórica.

 

    1. Virada antropológica”: do kosmós para o homem. Phýsis vs. nomos.

 

    1. Polis e democracia grega. Ágora, assembleia e aristocracia.

 

    1. A nova paideia grega: o ensino da areté ao cidadão.

 

    1. Tragédia grega: afastamento do mundo dos deuses e do mundo dos homens.

 

    1. O problema do devir e a métis.

 

  1. Os sofistas.

 

    1. Sophos, sophistes: sábio. Aquele que tem perícia em determinada capacidade.

 

    1. Relação entre sofista, poeta e os que praticam a arte da mousiké. (Ode de Píndaro e palavras de Ésquilo) Herança da palavra mágico-religiosa.

 

    1. Protágoras e seu agnosticismo: o ponto neutro de dois discursos opostos: o da crença e o da descrença. 2º momento: afirmação do homem-medida. “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são." 3º momento: elaboração de um discurso forte.

 

    1. Górgias e o Elogio de Helena e o Tratado do Não-serou Sobre a Natureza.

 

    1. Sofistas: natureza é a antítese da lei. Platão: a natureza, como produto de desígnio racional, é a incorporação suprema da lei e da ordem.

 

    1. O sofista opera com uma transformação de estados, passando do “menos bom” ao “melhor” (inversão dos estados). Enquanto o médico transforma por meio de remédios, o sofista opera pelos discursos.

  • De que modo os sofistas se relacionam com a prática democrática ateniense?

 

  • A virtude/excelência [areté] pode ser ensinada, ou é algo natural?

 

  • Qual é a dimensão trágica do sofista assinalada, por exemplo, no pensamento de Protágoras?

 

  • É possível estabelecer semelhanças entre o pensamento de Nietzsche e Protágoras? E sobre os momentos históricos de cada um, há semelhanças?

 

  • Por que os sofistas estão ligados à poesia e à música?

 

  • De que modo a ideia de ponto neutro no discurso de Protágoras contrapõe-se a uma dialética que culmina na síntese?

 

  • O que o título do livro de Górgias, Tratado do Não-Ser ou Sobre a Natureza denota no que diz respeito a uma virada na concepção grega do mundo?

 

  • Para que serve a lei? Quem a estabelece? Existem leis da natureza?

 

  • O posicionamento sofista frente à realidade implica em relativismo?

 

  • Normalmente, os sofistas são hoje associados a qual figura na sociedade?

 

  1. Sócrates

 

    1. Afastamento das cosmologias e do pensamento pré-socrático.

 

    1. Oráculo de Delfos; gnôthi seautón [conhece-te a ti mesmo].

 

    1. Ter conhecimento da própria ignorância.

 

    1. Ironia e maiêutica.

 

    1. Daímon socrático.

 

    1. Dialética socrática: técnica de perguntar, responder e refutar (em Platão, verdadeiro método para alcançar as ideias).

 

    1. Escritos de Platão: diálogos socráticos.

 

    1. Questionava as pessoas em praça pública e fazia com que as pessoas percebessem que não sabiam o que pensavam que sabiam.

 

    1. As Nuvens, Aristófanes.

 

    1. Similaridades entre Sócrates e os sofistas.

 

    1. Virada no modo de pensamento. Antes: “O que esta coisa tem de verdadeira?”. Depois de Sócrates: “O que é a verdade?”.

 

    1. As aporias socráticas.

 

    1. A Apologiade Sócrates.

 

 

  • Como o saber que não se sabe pode ajudar na busca do conhecimento?

 

  • O conhecimento é algo a ser conquistado ou é uma criação?

 

  • O pensamento filosófico depende das questões socráticas (ex.: perguntas sobre o conceito, a essência das coisas) para atuar?

 

  • Por que se busca o conhecimento? Qual o valor desta busca?

 

  • O que é a verdade? Existe uma verdade absoluta?

 

  • É válido morrer em nome do que se acredita? (relacionamento da questão com o julgamento de Sócrates)

Para os Antigos, o mundo era uma verdade” (Feuerbach) – contraponto com o postulado cristão da “vanidade e transitoriedade do mundo”.

 

  1. A Antiguidade gera uma inversão de valores. Da natureza para o espírito.

 

    1. Época clássica, século de ouro de Péricles (V-IV A.C.). ― Expansão da cultura sofista.

 

    1. Máxima dos sofistas: “Não te deixes surpreender!” – Uso do entendimento como melhor arma para enfrentar o mundo (o engenho, o espírito).

 

    1. Porém... Se o coração permanecer dominado pelos apetites e paixões, o entendimento estará sempre a serviço do “mau coração”.

 

    1. Sócrates: O importante é saber a causa na qual o entendimento se empenha. Servir à “boa causa”. ― ser moral. Fundação da ética.

 

    1. Pelo princípio da sofística – o escravo pode ser um excelente sofista, e adaptar tudo a seu favor.

 

    1. 1º período da libertação intelectual grega: a onipotência do entendimento, com os sofistas.

 

    1. Sócrates: “Tendes a ser puros de coração”. 2º período: a educação do coração. Ex.: Cuidado-de-si [epiméleia heautoû] de Foucault.

 

    1. Luta do coração para libertar-se do mundo. “Essa guerra é declarada por Sócrates, e a paz só se fará no dia em que morre o mundo antigo”. (STIRNER, 2009: 27).

 

    1. Sócrates: marco da decadência da Grécia e do mundo antigo. Similaridades com Nietzsche.

 

    1. Período de consumação: ceticismo ― o coração não se deixa afetar por mais nada.

 

    1. Fim do mundo antigo. Início do pensamento cristão.

 

  • Existe uma natureza humana?

 

 

 

 

 

  • O que é o homem? Podemos falar do homem, como entidade universal, ou isto é apenas uma abstração?

 

 

 

 

 

 

 

 

  • O devir pode ser aceito como tal, ou ele é um problema que exige uma solução?

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Qual foi a solução dada por Nietzsche ao problema do devir?

 

 

 

 

 

 

 

  • De que modo podemos entender melhor nossa forma de pensar a partir do que foi exposto?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

CASSIN, Barbara. O efeito sofístico: sofística, filosofia, retórica, literatura. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira, Maria Cristina Franco Ferraz e Paulo Pinheiro. São Paulo: Ed. 34, 2005.

 

 

 

DETIENNE, Marcel.; VERNANT, Jean-Pierre. Métis: as astúcias da inteligência. São Paulo: Odysseus, 2008.

 

 

 

GUTHRIE, W. K. C. Os sofistas. Tradução de João Rezende da Costa. 2. Ed. São Paulo: Paulus, 2007.

 

 

 

STIRNER, Max. O único e a sua propriedade. Tradução, glossário e notas de João Barrento. São Paulo: Martins Fontes, 2009. (Coleção Dialética).