Abordagem: Perspectivas históricas do pensamento pré-socrático.

 

Tema: Os Filósofos pré-socráticos.

 

Justificativa: Tendo como base a importância das ideias antigas sobre a constituição do universo, sobre o fundamento de todas as coisas e de como tudo se articula para formar a realidade, delineia-se o estudo do pensamento pré-socrático nos seus diferentes aspectos.

 

Objetivo geral: Mostrar em detalhe as diferentes vertentes de pensamento para a abordagem e discussão do pensamento pré-socrático.

 

TÓPICOS

PROBLEMATIZAÇÕES

Passagem do Mito ao Logos

- Discorrer como na história do pensamento ocidental a filosofia nasce na Grécia (entre os séculos VII e VI a.C.), promovendo a passagem do saber mítico ao pensamento racional.

- Caracterizar a Polis grega como espaço público para o debate político e sua relação com o nascimento do pensamento racional entre os gregos.

Os Primeiros Filósofos Gregos

- Situar, de acordo com a tradição histórica, o período pré-socrático como abrangendo o conjunto de reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (século VII a.C.) até o surgimento de Sócrates (século V a.C.).

Pensadores de Mileto

- Situar a filosofia tendo como berço a cidade de Mileto, que abrigou os três primeiros pensadores aos quais foi atribuída a denominação de filósofos: Tales, Anaximandro e Anaxímenes.

- Caracterizar o principal objetivo destes filósofos como à construção de uma cosmologia que substituísse a antiga cosmogonia para dar uma explicação racional e sistemática das características do universo.

Tales (623-546 a.C.) – É reconhecido como o primeiro a formular uma indagação racional sobre o universo. Para ele, a água – por permanecer basicamente a mesma, em todas as transformações dos corpos, apesar de assumir diferentes estados (sólido, líquido e gasoso) – seria a substância primordial, a origem única de todas as coisas, presente em tudo o que existe.

Anaximandro (610-547 a.C.) – Discípulo de Tales, procurou aprofundar as concepções do mestre e resolver os problemas que este lançara. Acreditava não ser possível eleger uma única substância material como princípio primordial, assim, para ele, o princípio deveria ser algo que transcendesse os limites do observável, ou seja, não se situaria em uma realidade ao alcance dos sentidos o qual denominou de ápeiron, termo grego para “o indeterminado”, “o infinito” no tempo. O ápeiron seria a “massa geradora” dos seres e do cosmo, contendo em si todos os elementos.

Anaxímenes (588-524 a.C.) Discípulo de Anaximandro, concordava que a origem de todas as coisas é indeterminada. Entretanto, recusou-se a atribuir a essa indeterminação algo fora dos limites da observação e da experiência sensível. Em discordância com o pensamento dos dois filósofos anteriores, mas buscando algo de comum entre eles, Anaxímenes incorporou argumentos de ambos e propôs o ar (pneuma) como o princípio de todas as coisas. O ar seria mais sutil que a água, quase inobservável, mas que nos anima e nos dá vida. Infinito e ilimitado, penetrando todos os vazios do universo.

Pensadores de outras partes da Grécia

Destacar que em outras partes do vasto mundo grego, caracterizado por múltiplas influencias culturais e um rico comércio, a busca do princípio universal para todas as coisas também florescia, onde destacam-se os seguintes pensadores:

Pitágoras de Samos (570-490 a.C.) Profundo estudioso da matemática, defendeu a tese de que todas as coisas são números. Para chegar a essa tese, primeiro percebeu que à harmonia dos acordes musicais correspondiam a certas proporções aritméticas. Supôs então que as mesmas relações se encontrariam na natureza.

Heráclito de Éfeso (535-475 a.C.) Concentrou sua reflexão na mudança, sobre o que muda. Assim, dirá que tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo. O ser não é mais que ovir a ser. Observou a atuação dos opostos na natureza, conferindo papel essencial a esse conflito. Para ele, o fluxo constante da vida seria impulsionado pela luta de contrários. Por isso, imaginou que se houvesse um elemento primordial da natureza, este seria o fogo, com chamas vivas e eternas, governando o constante movimento dos seres.

Parmênides de Eleia (510-470 a.C.) Achava que o principal equívoco nas concepções filosóficas existentes era conceder demasiada importância aos dados fornecidos pelos sentidos, negando tudo o que é aparente, inclusive o movimento e declarando que existe o ser e não é concebível sua não existência.

Empédocles de Agrigento (490-430 a.C.) Procurou conciliar as concepções de Parmênides e Heráclito. Aceitava a racionalidade que afirma a existência e permanência do ser, mas procurava encontrar uma maneira de tornar racional os dados captados por nossos sentidos. Defendeu a existência de quatro elementos primordiais: o fogo, a terra, a água e o ar. Esses elementos seriam movidos e misturados de diferentes maneiras em função de dois princípios universais opostos: amor (philia) – responsável pela força de atração e união e pelo movimento de crescente harmonização das coisas; ódio (neikos) – responsável pela força de repulsão e desagregação e pelo movimento de decadência, dissolução e separação das coisas.

Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) Junto com seu mestre, Leucipo é considerado responsável pelo desenvolvimento de uma doutrina conhecida como atomismo. Concordava com a necessidade da unidade do ser (como afirmava Parmênides), mas não aceitava que o não ser (o movimento e a multiplicidade) fosse uma ilusão. Para ele a experiência do movimento era justamente a prova da existência de um não ser – o vazio. Sem o vazio, nenhuma coisa poderia se mover. Segundo essa doutrina todas as coisa que formam a realidade são constituídas por partículas invisíveis e indivisíveis denominadas de átomos – palavra de origem grega que significa “não divisível” (a, negação; tomo, “parte, divisão”). O átomo de Demócrito seria equivalente ao Ser de Parmênides: uno, pleno e eterno.

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

Os Filósofos Pré-Socráticos in Os Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 1979.

 

BOMHEIM, G.(org) Os Filósofos Pré-Socráticos, São Paulo: Ed. Cultrix, 16ª Ed., 2009.

 

COTRIM, G.; FERNANDES, M. Fundamentos de Filosofia, cap. 10, São Paulo, 1ª Ed., 2010.