ABORDAGEM: Oferecer uma perspectiva trans-histórica, para as consequências do pensamento grego no que concerne a physis. Seus desdobramentos em direção à formatação do pensamento sobre a natureza que desemboca na estrutura primordial da Ciência. Explorar a genética do pensamento grego erespectivas fases. Didaticamente abordar até o período sofístico.

 

 

 

TEMA: Physis e o Conhecimento, o processo, ou simplesmente o reconhecimento grego da natureza das coisas. A genética da Ciência, como a conhecemos. Toda cultura que atinge certo grau de desenvolvimento sente-se naturalmente inclinada à prática da educação. Assim foram os gregos em sua busca pelo entendimento, assim devemos reconhecê-los, como a nós mesmos.

 

JUSTIFICATIVA: Jaeger acredita que physis designa o processo de surgir e desenvolver-se, razão dos gregos a usarem muito com um genitivo, “mas a palavra abarca também a fonte originária das coisas, aquilo a partir do qual se desenvolvem e pelo qual se renova constantemente o seu desenvolvimento; com outras palavras, a realidade subjacente às coisas de nossa experiência”. Burnet, por sua vez, afirma que “na língua filosófica grega, physis designa sempre o que é primário, fundamental e persistente, em oposição ao que é secundário derivado e transitório”.

 

É denso e difícil definir physis, situando a compreensão em função do tempo histórico grego, destacamos três aspectos pivotais no conceito: 1) O que brota por si, se abre, irrompe, emerge de si, manifesta neste desdobramento tem uma dinâmica profunda e genética. Homero ao afirmar que: “O Oceano é a gênese de todas as coisas”, para Jaeger, ele quer dizer que o Oceano é a physis de todas as coisas. Neste sentido, a gênese da physis está em si mesma; ela é arché, princípio de tudo aquilo que vem a ser. 2) A nós, a natureza se contrapõe ao psíquico, ao anímico, ao espiritual, qualquer que seja o sentido das palavras. Mesmo depois do período pré-socrático, o psi também está na physis. O conceito tem uma origem mitológica, os deuses gregos não são sobrenaturais, mas integrantes de toda a natureza. Para Homero, ainda que surjam como superiores, são ao mesmo tempo próximos aos homens, e presentes em tudo o que ocorre e tudo ocorre através daqueles.

 

A sequência do pensamento dualista ou irracionalista grego é a racionalidade do gênio grego (sistemático ou antropológico). Anteriormente Tales anunciava: “tudo está cheio de deuses”, mas agora eles não vivem em uma região longínqua, separada, pois tudo, que rodeia o homem e que é oferecido ao seu pensamento, está cheio de deuses e dos efeitos de seu poder, “tudo está cheio de misteriosas forças vivas”. Assim, a distinção entre as naturezas animada e a inanimada não mais tem fundamento algum; tudo tem enfim, tem uma alma.

 

Ainda com os pré-socráticos, a idéia da alma, de forças misteriosas que habitam a physis, a transforma em algo inteligente, a confere espiritualidade, afastando-a do sem-sentido, anárquico e caótico. Heráclito afirma: “Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, abundância e fome. Mas toma formas variadas, assim como o fogo, quando misturado com essências, toma o nome segundo o perfume de cada uma dela”, ou em “O relâmpago (que é a arma de Zeus) governa o universo”. A idéia de que deus pertence à physis é característica do pensamento pré-socrático, e continua viva em Demócrito. A physis tem, portanto, um princípio inteligente reconhecido por suas manifestações, com outras denominações como Espírito, Pensamento, Inteligência, Logos, etc.

 

3) A physis compreendendo a totalidade de tudo o que é, apreendida em tudo o que ocorre: na aurora, no crescimento das plantas, na vida. Faz-se necessário dizer, que, a nós, o conceito de natureza se afasta do grego. Os pré-socráticos não a têm como uma espécie de naturalismo, e a eles também não significa o que compreendemos por natureza. Para eles, o conceito é amplo e radical, compreendendo em si tudo o que há. Não entendem o psíquico, a partir do modo de ser da natureza em seu sentido atual, como não entendem os deuses a partir de nosso conceito de natureza.

 

À physis pertencem o céu e a terra, a pedra e a planta, o animal e a homem, o acontecer humano como obra do homem e dos deuses, e, sobretudo, os próprios deuses. Assim, a palavra physis designa algo diferente do nosso conceito de natureza. Na base do conceito não está a nossa experiência da natureza, pois ela possibilita ao homem uma experiência totalmente outra que não a que nós temos frente a esta natureza. Assim, a physis compreende a totalidade daquilo que é e há. Além dela nada há que possa merecer a investigação humana. Por isto, pensar o todo real a partir dela não naturaliza os entes ou restringe-se a este ou aquele ente natural. Pensar o todo do real a partir da physis é pensar a partir daquilo que determina a realidade e a totalidade do ente.

 

 

OBJETIVO GERAL: Mostrar ao aluno a importância desta temática, na saga do conhecimento humano, do mito à construção mais elaborada. Oferecendo ao aluno uma distensão da filosofia como prática a ser utilizada em qualquer atividade humana, e não só para dentro de si mesma. Apresentar o conceito e o papel da irracionalidade no processo de entendimento, do conhecimento e do formato do pensamento grego, o papel do Logos e do Mito. As primeiras inquirições do homem. O conceito grego e abrangente da phýsis. A presença da sofística com fenômeno da história da educação e seu papel no conhecimento. A atitude social perante a lei, a natureza humana, a natureza e a lei. Enfim pavimentar a estrada do pensamento e edificar o firmamento da epopéia grega como fonte importante do modelo do homem ocidental que resultou daí.

 

 

 

Ainda que em seus primórdios a sua busca (phýsis), tenha se apoiado em pilares mítico- metafísicos, abstrata de si e para si mesma, muita vez de difícil compreensão e aceitação, sobretudo, em algumas searas da própria filosofia atual (fenomenologia) isto não terá sido vão, falso ou inútil. Teremos diante de nós, dois consolos: ter vivido esta busca e contemplado a Thauma em seus desencontros pela βios, e o outro em termos chegado até aqui com o logos vigoroso e apto.

 

 

 

 

 

TÓPICOS apresentados

PROBLEMATIZAÇÃO para os alunos

1-O Mito. A autoridade de um fato natural. A arqueologia do mito. A pretensão à ciência.

1.2- Quanto mais solitário se torna, mais se ama as histórias, é no fundo estas mesmas histórias (os mitos), que fornecem as pistas ao conhecimento.

 

2- A Cultura grega e seus desdobramentos.

2.1- A importância universal dos gregos como educadores.

2.2- O Homem grego e a ideia de Cultura.

 

3- O apogeu da filosofia grega.

4- Hesíodo e a Cosmogonia. Tentativa de unificar as histórias dos deuses.

 

4.1- A produção do mito A mitologia pode ser apenas, um lugar semântico onde se cruzam discursos onde, um fala sobre o outro e daí depende nossa interpretação.

 

4.2- Do irromper a instauração da articulação mente-imagem-pensamento. A ciência dos mitos, e a mitologia comparada.

4.3- Os dispositivos mentais e factuais estratificaram e romperam os mitos na direção de uma estrutura mais elegante no pensamento humano.

4.4- Para a linguística do Iluminismo, a mitologia nunca é gratuita; ela não pode ser a fabulação ingênua de uma infância da humanidade.

 

 

1-Objetivo: Compreender a origem do mito como a primeira manifestação metafísica e simultaneamente a metafísica como a raiz simétrica do mito. Pensar acerca do ilusório e de onde procederia a mitologia, objeto de seu saber. Imaginar o mundo da aparência como uma maneira de ficção, com a realidade das coisas. Avaliar Hesíodo e seus elementos Chaos e Eros, como os mais antigos estratos da imaginação humana. Compreender que Chaos representa um distinto esforço em emoldurar o início de todas as coisas, e Eros a representar o impulso da produção universal, que deu origem a todos os processos da natureza e da vida.

 

5- Da passagem do mito ao embrião do conhecimento.

 

5.1- O lugar do homem grego na história da educação. A Paideia, o seu caráter particular, o seu desenvolvimento histórico.

 

5.2- A individualização do homem, a formação do espírito grego

 

2- Objetivo- Observar, com cuidado, a passagem do movimento cosmogônico aos cosmologistas da Jônia, aos primeiros filósofos, os primeiros homens de Ciência em Mileto, que numa bela manhã decidem que não vão mais escrever contos acerca do mundo do ainda não havido, mas tratariam do que todas as coisas são na realidade. Na physys, os primeiros passos da ciência, a decisão de desfazer-se do fabuloso e do sonho. Observar a transformação de Hesíodo, que racionaliza como os filósofos de Mileto. Situar o movimento do pensamento e inferir intuitivamente de onde ele vem, como ele se forma e de quem é a voz primeva do mito. Analisar o papel da ciência linguística neste ponto da história do pensamento grego e, clarear este lugar de sombras onde nossas ilusões sobre o mito redobram os fantasmas e as ficções produzidas pelos primeiros emissores.

 

1- Como estruturar a ideia do mito na constituição do conhecimento? A estruturação dos fatos e objetos míticos foi suficiente para escalonar os mitos à sua pretensão?

1.2- O quanto de solidão se exige na reflexão do mito? Assim é simetricamente o destino do cientista, a busca de pistas exige um determinado ascetismo científico?

 

 

2- Como o conhecimento grego se relacionou com a cultura e com o saber?

2.1- Derivada da concepção do lugar do indivíduo na sociedade, o que os alunos podem entender por isto?

2.2- Como definir, cultura para o grego? Nova concepção do lugar do individuo na sociedade?

 

3- Pode-se dizer que aí está o nascimento da razão científica?

4- Qual o papel de Hesíodo cosmogônico, tem na fundação da Cosmologia?

 

4.1- Quem faz o que chamamos de mito está tomado, ou possuído, pela necessidade de falar, por um desejo de saber, uma vontade de buscar o sentido e a razão de seu próprio discurso?

 

4.2- Afinal os mitos seriam os motores, as matrizes do pensamento, do conhecimento científico?

 

 

4.3- Como se demarcaram estes territórios na imaginação humana?

4.4- Seria ao contrário então, uma necessidade inerente à linguagem, esta forma exterior do pensar. Mais precisamente a Mitologia é “a sombra obscura” que a linguagem lança sobre o pensamento no momento de sua gênese?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5- Como se dá a emergência do conhecimento? Em meio a uma longa noite, povoada de contos bizarros e infantis, atravessada por histórias selvagens e relatos chocantes como pensar a origem das coisas?

5.1- Como se dá a transformação deste novo homem, que agora tem conhecimento?

 

 

5.2- O quão importante é este processo de individualização do novo homem que surge ávido de respostas, repleto de perguntas, pronto para o conhecimento?

 

 

6- Do dualismo grego, o sistema metafísico-teologico e o conhecimento.

7- A transformação do Irracionalismo e suas consequências.

8- Os elementos do pessimismo. A formação do genio filosófico grego.

9- O papel dos pré socráticos. As principais escolas filosóficas e a physis para eles. O naturalismo jônico.

10- O período antropológico. Suas preocupações. Platão e o conhecimento. A estratificação dos mundos. Conceito de ciência e de inteligível. O apogeu do pensamento grego.

10.1- A crise cética da Sofística. Surge um importante contraponto. Seus pontos de vista. A gnosiologia relativista, a moral hedonista.

10.2- Os efeitos imediatos à Ciência.

10.3- Os principais sofistas. Seus pensamentos e as consequencias de seus modos de pensamento.

6- Quais as consequencias deste dualismo?

7- Como foi representado na prática e os traços fundamentais do Racionalismo, o conhecimento do sensível?

8- Como operou o otimismo grego?

9- Diante das diversas e antagônicas correntes de pensamento, como identificá-las com seus respectivos desdobramentos no que tange ao conceito da physis?

10- Como podemos analisar o interesse pela natureza integrado com o entendimento do espírito. Como está dividido o mundo platônico? Quais as consequências deste movimento, no que concerne aos conceitos? Por que podemos considerar este tempo como apogeu do pensamento grego?

10.1- Houve importância geográfica para o desenvolvimento da sofística?

10.2- O que pretende a ideia “o homem é a medida de todas as coisas” e quais os efeitos da sentença de que “nada existe, se existe, seria incognoscível, e mesmo se tal fosse, seria incomunicável”?

10.3- Quais são os quatro principais sofistas e o que decorre deles para o que segue da filosofia?

Objetivo: Apresentada e compreendida as características fundamentais, os diversos períodos do pensamento grego. Estratificar, alinhar historicamente e entender com o intuito de tornar palatável a concepção e a compreensão do resultado, e de como caminhou o conceito da physis, no tempo. Observar as nuances sutis e pivotais, na filosofia ocidental, ou para a história do pensamento deste homem nossos dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA.

 

Roteiro para apresentação das teses e dissertações da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dib, S. F. (Coord). Rio de Janeiro: UERJ, Rede Sirius, 2007. 133 p. Disponível em: http://www.bdtd.uerj.br/roteiro_uerj_web.pdf>. Acesso em: 12. mai. 2011.

 

JAEGER, Werner. Paidéia. A Formação do Homem Grego. 4a Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

 

 

 

DETIENNE, Marcel. A invenção da mitologia. Trad. André Telles, Gilza Martins Saldanha da Gama. Rio de Janeiro. Fundação José Olímpio: Brasília. Editora Universidade de Brasília. 1992.

 

 

 

BURNET, John. Early Greek Philosophy.3a. Ed. London: A&C Black. 1920.

 

 

 

LENOBLE, Robert. Historia da ideia de natureza. Trad. Teresa Louro Pérez. Lisboa. Edições 70. 1990.

 

 

 

PADOVANI, Umberto. CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia. 10a Ed. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1974.

 

 

 

 

 

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