Objetivos do Guia

 

 

 

1- Instrumentalizar os professores da disciplina para uma abordagem crítica dos problemas filosóficos no nível do Ensino Médio.

 

2- Organizar e publicar textos didáticos de filosofia que forneçam aos professores do Ensino Médio alternativas para um trabalho com a disciplina.

 

3- Oferecer recursos didáticos aos alunos do Ensino Médio que motivem sua capacidade crítico-reflexiva a partir da problematização de suas próprias experiências.

 

 

 

Passos do roteiro do Plano de Aula

 

 

 

1- Levantamento do problema em pauta, fio condutor do tema de reflexão a partir do nível do senso comum, isto é, da experiência vivida pelo aluno.

 

O que é o tempo? É simplesmente a passagem das horas e dos minutos contados no relógio? Mas porque então quando nos divertindo parece passar mais rápido do que quando o dever nos “chama” e precisamos estudar ou alguma obrigação que não queremos fazer?

 

Será que sempre se entendeu o que era o tempo como hoje entendemos?

 

Porque nos parece que algumas horas são mais propícias a algumas atividades do que outras? Porque a hora de dormir é a noite ou porque têm pessoas que acreditam que estudar de manhã é melhor do que a tarde ou mesmo a noite?

 

2- Apresentação do histórico do tema à luz da história da filosofia ocidental. O que dizem os filósofos sobre este tema/problema?

 

O tema do que é o tempo é uma questão que preocupavam os pensadores na antiguidade clássica. Mesmo antes de entendermos com uma relação com o movimento dos astros. (movimento da terra, do sol e da lua)

 

Desde Homero até Platão e Aristóteles, em todas as época na Grécia antiga, perguntou-se o que seria o tempo? Existiria diferentes formas de experimentá-lo? A seguir seguem algumas imagens trazidas por alguns pensadores de destaque nesse tema, mas antes vale a pena ressaltar que não usamos o termo conceito para as noções abaixo, pois muitas delas são noções pré-filosóficas não havendo ainda exatamente um sistematização sobre os termos:

 

 

 

Figura 1: Na grécia Arcaica (Século VII), foi quando uma referência a questão temporal apareceu primeiramente. Em Homero e Hesíodo, o termo Êmar e Hóra era utilizado para determinar certo período de tempo. Esta noção de tempo era concreto e heterogêneo, assim como não era definido linearmente como hoje acreditamos, nem circularmente, como alguns povos como os índios por exemplo, acreditam se comportar o tempo. Enquanto concreto e heterogêneo, o tempo era visto como qualitativo, ou seja, favorecia determinada atividade. Esta forma de ver o tempo veio da observação da natureza, pois via-se como existia algumas época em que era propício ao plantio ou a colheita. Esta noção de tempo deu origem a idéia de métis, que era o tempo oportuno, um tempo propício a uma determinada atividade.

 

 

 

Figura 2: Na passagem da Grécia Arcaica para a Grécia Clássica (entre os séculos VI e V), foi quando pela primeira vez o termo Khrónos apareceu em textos de escritores como Píndaro e Ésquilo. O termo Khrónos que mais tarde mudou para cronos e que hoje designa o termo que utilizamos, a palavra tempo propriamente dita.

 

Esta noção está ligada a idéia linear de tempo, pois como era usada em obras como algumas tragédias gregas, se ligava à ideia de uma irreversibilidade do tempo, daquilo que não se pode voltar atrás. Ou seja, o tempo era causador de acontecimentos que não poderiam ser mais desfeitos, como a morte por exemplo.

 

 

 

Figura 3: Ainda, no mesmo período que o anterior (entre os séculos VI e V), foi quando pela primeira vez se teorizou sobre o tempo. Os pré-socráticos, como Anaximandro, Heráclito e Empédocles, começaram a pensar qual seria a relação do tempo com a physis. Neste momento a noção de tempo começou a se sedimentar como uma ideia mais geral, abstrata e Homogênea. Diferente das outras figuras em que existia uma qualidade inerente a uma determinada fatia do tempo, começou-se a pensar o tempo como quantitativo, pois era pensado em relação ao movimento (Kínesis) dos astros, as mudanças do dia e da noite etc. Por isso mesmo essa figura foi a primeira a se relacionar com a ideia de tempo como circular, pois ao observar os astros percebia-se que havia uma regularidade em seu movimento e um retorno contínuo deles. Foi neste momento também que surgiu a ideia de eternidade (aión), mas aqui se pensava o tempo eterno como um estender-se infinitamente no tempo.

 

 

 

Figura 4: Já na Grécia Clássica (séculos IV e III), Platão e Aristóteles demarcam uma ruptura da noção de tempo com a noção de eternidade. Onde as coisas do mundo sensível estava na ordem do tempo e daquilo que perecia e as ideias estavam na ordem do que era eterno e imutável. Neste momento associa-se a ideia de eterno e infinito a imutabilidade, sendo portanto assim oposto ao tempo que é pensado na ordem do movimento. Para alguns pensadores, esta dicotomia inaugura a ideia de transcendencia temporal ou melhor transcendencia ligado à eternidade. Platão e Aristóteles ainda teorizaram sobre outras concepções de tempo, como por exemplo o súbito (Exaíphnes) e o tempo ligado à ação, além da métis ligado ao tempo oportuno. Não me dediquei a estes temas pois considero de um aprofundamento muito grande ao ensino médio, no entanto na bibliografia podemos encontrar detalhes maiores quantos a esses temas.

 

 

 

3- Uma bibliografia básica de onde devem ser retirado textos para comprovar os posições dos pensadores que trabalhavam o tema/problema.

 

 

 

REY PUENTE, Fernando. Ensaios sobre o tempo na Filosofia Antiga. 1. Ed. São Paulo: Annablume. 2010

 

BRAGUE, Rémi. O tempo em Platão e Aristóteles. Tradução de Nicolás Nyimi Campanário. 1. Ed. São Paulo: Loyola. 2006

 

DETIENNE, Marcel; VERNANT, Jean-Pierre. Métis: As astúcias da inteligência. Tradução de Filomena Hirata. 1. Ed. São Paulo: Odysseus, 2008