Aristóteles: o mais influente entre os filósofos do Período Clássico.

 

Enfoque: síntese sobre as idéias, a obra e a vida de Aristóteles.

Questões: Filosofia Antiga. A formulação e sistematização das idéias do filósofo. As categorias. A lógica (o silogismo). A Metafísica. A Ética e a Política. A Biologia e a Poética aristotélica.

Finalidade: melhor compreensão do Período Clássico. Refletir sobre o trabalho de Aristóteles e a relevância deste pensador no estudo filosófico da atualidade.

 

 Assunto

Contextualização

 

 

 

 

 

 

A vida de Aristóteles

        Nasceu em 384 a.C. Em Estagira, colônia da Trácia. Filho de um médico, Aristóteles estudou na academia de Platão por vinte anos, sendo aluno mediano em matemática, mas exemplar estudante de história natural.

Objetou o idealismo platônico e buscou um estudo aprofundado da natureza. Nesses estudos, adotava uma postura empírica, tendo contato direto com a biologia marinha.

Aristóteles criou uma escola, o Liceu, em 335 a.C.  Rival da academia de Platão, o Liceu ensinava aos alunos, enquanto estes faziam caminhadas. Por esse motivo, os alunos do Liceu eram conhecidos por peripatéticos.

Posteriormente, o filósofo foi tutor de Alexandre III da Macedônia durante três anos e em 323 a.C. Alexandre (o Grande) morreu. Isso acarretou problemas para Aristóteles, pois, quando Alexandre III morreu, Atenas declarou guerra a Macedônia e Aristóteles foi nomeado ímpio, ou seja, ele foi tido como opositor de Atenas. Não querendo seguir o caminho de Sócrates, que foi morto pela cicuta, Aristóteles fugiu de Atenas, mas morreu dois anos depois.

 

A formulação do sistema de idéias em Aristóteles

        As opiniões se dividem, quando o assunto são os escritos aristotélicos. Alguns pensadores modernos acham Aristóteles enfadonho, outros o estimam e primam por seus ensinamentos.  A obra de Aristóteles não produz o mesmo fascínio que a obra Platônica, no entanto, independente disso, é em Aristóteles que temos os tratados mais bem fundamentados, e foi através dele que muitas ciências foram estabelecidas.

 

A Lógica

(o silogismo)

        Para Aristóteles, os argumentos são construídos em blocos, chamados de silogismos. Há silogismos válidos e inválidos, e o filósofo os demonstrou através das premissas e das conclusões. Posteriormente, matemáticos com Euler, Boole e Lewis aprimoraram o estudo da lógica. Ainda hoje, podemos estudar a lógica aristotélica nos cursos de filosofia das universidades.

 

 

 

As Categorias

 

         Superior a Platão em exatidão e abrangência, Aristóteles concebeu as categorias, que especificam o que as palavras expressam por elas mesmas. As categorias se subdividem em: substância, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação, propriedade.

Após criar os fundamentos relacionados à lógica, Aristóteles passou a estudar a estrutura da língua (linguagem). Assim, as idéias de Aristóteles podem ser vistas como fundamentais para a formulação das concepções linguísticas posteriores.

 

A Metafísica

e a

Causalidade

        É atribuída a Aristóteles a frase: “A natureza não age sem objetivo” e, através dessa linha de raciocínio, o filósofo conceituou a matéria e a forma como bases para a substância. Algo traz em si a potência, que poderá ser evidenciada por meio de uma ação, como uma pedra (matéria), que, ao ser esculpida (forma), torna-se uma substância (escultura).

Material, formal, eficiente e final são as causas enumeradas por Aristóteles. Nos dias atuais, somente a causa eficiente (o impulso) é entendida como algo relevante.

Em Aristóteles vemos três questões, que ocasionam uma problematização do conhecimento:

·         A experiência ou conhecimento sensível – privilegia o conhecimento individual (particular) obtido por cada sujeito;

·         A técnica e o saber fazer – privilegia o universal. A ideia das coisas e sua finalidade;

·         A sabedoria (sofia) – Determina as coisas e os princípios das coisas.

 

 

 

 

 

 

Ética

e

 Política

        Fugindo do absolutismo platônico, Aristóteles formulou o conceito da “razão ativa” para explicar sua relação com a ética. Ninguém pode precisar o que inspirava Aristóteles, mas ele acreditava que o bem era o fim de todas as coisas. Nesse entendimento, o filósofo acreditava que o “meio termo” era o ponto de equilíbrio, ponto que proporcionaria o bem. Exemplificando, o homem não poderia ser corajoso e nem covarde, pois, para encontrar o bem, o homem deveria ter temperança para equilibrar suas vontades e ações.

Na atualidade, os ensinamentos políticos de Aristóteles não seriam vistos com bons olhos, já que ele achava as mulheres inaptas para obterem a liberdade e os escravos despreparados para exercer a cidadania. Apesar desses conceitos, condizentes os seu período histórico, Aristóteles definiu em testamento que seus escravos fossem libertos após a sua morte. No mais, seus pensamentos políticos não foram muito além dos ensinamentos imbuídos por Platão.

 

Biologia

e

Poética

       Aristóteles catalogou mais de quinhentas espécies dentro da sua biologia. Foi um exímio estudioso, classificando as formas de vida e expressando sua tentativa de classificar o conhecimento.

A poética aristotélica mostra a tragédia com a piedade e o terror, sendo sentimentos que podem despertar a catarse no expectador. Ainda hoje, esse modelo aristotélico é usado no teatro, trazendo sentimentos como a piedade e como o medo para mexer com o imaginário e purificar as emoções dos expectadores.

Bibliografia:

1.   Vinicius de Figueiredo. Filósofos na sala de aula -Vol 3. [S.l.]: Berlendis & Vertecch, 2007.

 

  1. História do Pensamento Ocident. [S.l.]: Ediouro Publicações, 2004.
  2. Compreender Aristóteles. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2006. 
  3. Dicionário de filosofia. 2. (E - J) Volume 2 Por José Ferrater-Mora. Barcelona: Ariel, 1994.