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Problematizar um texto filosófico para o ensino médio.

 

Para esta tarefa foram escolhidos trechos dos livros I e II do livro A República, de Platão, um dos livros mais importantes da historia da Filosofia. Além dos temas propostos a partir das citações, a forma como o filósofo escreve, na forma de diálogos, demonstra para o estudante do ensino médio a importância de discutir as idéias até se chegar a um consenso.

 

Citação 1:

 

Sócrates - Ainda não é evidente que seja grande; mas é evidente que é necessário examinar se falas a verdade. Reconheço que o justo é algo vantajoso; mas tu acrescentas à definição que é o interesse do mais forte; por mim, ignoro-o: preciso analisá-lo.

 

Trasímaco – Analisa-o.

 

Sócrates – Assim farei. Agora, diz-me: não julgas ser justo obedecer aos governantes?

 

Trasímaco – Julgo.

 

Sócrates – Mas os governantes são sempre infalíveis ou passíveis de se enganarem?

 

Trasímaco – É evidente que são passíveis de se enganarem.

 

Sócrates – Logo, quando elaboram leis, fazem-nas boas e más?

 

Trasímaco – É assim que eu penso.

 

Sócrates – As boas leis são aquelas que instituem o que lhes é vantajoso e as más o que lhes é desvantajoso?

 

Trasímaco – Sim.

 

Sócrates – Mas o que eles instituíram deve ser obedecido pelos governados; é nisto que consiste a justiça?

 

Trasímaco – Com certeza.

 

Sócrates – Logo, na tua opinião, não é apenas justo fazer o que é vantajoso para o mais forte, mas também o contrário, o que é desvantajoso.

 

Trasímaco – Que estás dizendo?!

 

Sócrates – O que tu mesmo dizes, penso; mas examinemos melhor. Não concordamos que, às vezes, os governantes se enganam quanto ao que é o melhor, impondo determinadas leis aos governados? E que, por outro lado, é justo que os governados obedeçam ao que lhes ordenam os governantes? Não concordamos?

 

Trasímaco - Sim.

 

Sócrates - Então, acreditas também ser justo fazer o que é desvantajoso para os governantes e para os mais fortes, quando os governantes, inadvertidamente, dão ordens que lhes são prejudiciais, porquanto tu afirmas ser justo que os governados façam o que ordenam os governantes. Portanto, sábio amigo Trasímaco, não decorre necessariamente que é justo fazer o contrário daquilo que dizes? Com efeito, ordena-se ao mais fraco que faça o que é prejudicial ao mais forte.

 

Trasímaco – Por Zeus, Sócrates, isso é claríssimo!1

 

 

 

 

 

 

 

Neste trecho a questão principal a ser levantada em uma turma de ensino médio é sobre a obrigação dos governantes e dos governados. É uma boa passagem para mostrar ao jovem aluno a importância do voto, da Constituição que garante aos cidadãos direitos e deveres civis, e também como a mais de dois mil anos já se tinha a consciência de que se o governante acerta ou comete erros os cidadãos também têm responsabilidade em suas ações, na medida em que acatam leis más.

 

 

 

Pode-se também chamar a atenção deles para o fato de estar sendo chamada de justiça a obediência à lei, quando nos dias de hoje a noção comum é a de que justiça é alguém pagar por uma transgressão cometida. Por que o tempo passa, mas o homem não aprende a viver em paz?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Citação 2:

 

Ao proferir estas palavras, julgava ter-me livrado da discussão; mas, na verdade, não passava de um prelúdio. Com efeito, Glauco, que se mostrava corajoso em todas as ocasiões, não admitiu a retirada de Trasímaco:

 

Glauco – Contentas-te, Sócrates, em fingir que nos convenceste ou queres convencer-nos realmente de que, de qualquer maneira, é melhor ser justo do que injusto?

 

Sócrates – Preferiria convencer-vos de verdade, se isso dependesse de mim.

 

Glauco – Então não fazes o que pretendes. Com efeito, diz-me: não te parece que existe uma espécie de bens que buscamos não objetivando as suas conseqüências, mas porque os amamos em si mesmo, como a alegria e os prazeres inofensivos, que, por isso mesmo, não têm outro efeito que não seja o deleite daqueles que os possui?

 

Sócrates – Sim, acredito sinceramente que existem bens dessa espécie.

 

Glauco – E não existem bens que amamos por si mesmo e também por suas conseqüências, como o bom senso, a visão, a saúde? Com efeito, tais bens nos são preciosos por ambos os motivos.

 

Sócrates – Sim.

 

Glauco – Mas não vês uma terceira espécie de bens como a ginástica, a cura de uma doença, o exercício da arte médica ou de outra profissão lucrativa? Poderíamos dizer destes bens que exigem boa vontade; nós os buscamos não por eles mesmos, mas pelas recompensas e as outras vantagens que proporcionam.

 

Sócrates – Concordo que essa terceira espécie existe. Mas aonde queres chegar?

 

Glauco – Em qual dessas espécies tu colocas a justiça?

 

Sócrates – Na mais bela, creio, na dos bens que, por si mesmo e por suas conseqüências, deve amar aquele que quer ser plenamente feliz.2

 

 

 

A divisão platônica do Bem em três espécies é muito produtiva para iniciar discussões sobre o que é bom, o que parece ser, mas não é, o que não parece ser, mas é. Até aonde o que eu considero bom pra mim não prejudica o meu semelhante?

 

 

 

Sobre a posição de Sócrates sobre a justiça, um bem tanto em si quanto por suas conseqüências, pode-se levantar a questão: de que forma a justiça poderia ser um bem em si? Em que ela se assemelha à alegria, por exemplo? Discutir sobre como é difícil pensar com clareza na justiça antes da injustiça, como a última parece ser a causa da primeira. Como pode algo tão bom como a justiça ser preterida por grande parcela da sociedade?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Citação 3:

 

Sócrates - O que causa o nascimento de uma cidade, penso eu, é a impossibilidade que cada indivíduo tem de se bastar a si mesmo e a necessidade que sente de uma porção de coisas; ou julgas que existe outro motivo para o nascimento de uma cidade?

 

Adimanto - Não.

 

Sócrates – Portanto, um homem une-se a outro homem para determinado emprego, outro ainda para outro emprego, e as múltiplas necessidades reúnem na mesma residência um grande numero de associados e auxiliares; a esta organização demos o nome de cidade, não foi?

 

Adimanto – Exatamente.

 

Sócrates – Porém, quando um homem dá e recebe, está convencido de que a troca se faz em seu proveito.

 

Adimanto – Sem dúvida.

 

Sócrates – Construamos, pois, em pensamento, uma cidade, cujos alicerces serão as nossas necessidades.

 

Adimanto – Certo.3

 

 

 

 

 

 

 

É comum para as pessoas em geral, mas devido às circunstâncias, principalmente para os jovens não se darem conta da grandeza da estrutura de uma cidade e da importância que cada segmento do conjunto tem para o todo. Esse trecho demonstra essa importância, e pode-se fazer os alunos pensarem sobre as figuras que normalmente não são percebidas em sua função, como os professores, trabalhadores da escola em geral, a profissão dos pais num contexto social maior. Como pode uma cidade – que dirá o mundo – ser grande como é?

 

Citação 4:

 

Sócrates – Em que circunstância, então, se trabalha melhor, quando se exerce um só ofício ou vários ofícios de uma só vez?

 

Adimanto – Quando se exerce só um.

 

Sócrates – Parece-me também que, quando se deixa passar a oportunidade de fazer uma coisa, essa coisa perde-se.

 

Adimanto – É verdade.

 

Sócrates – Porque o trabalho a ser realizado não se acomoda às conveniências do operário, mas este à natureza do trabalho, sem perda de tempo.

 

Adimanto – Sem dúvida.

 

Sócrates – De onde se deduz que se produzem todas as coisas em maior número, melhor e mais facilmente, quando cada um, segundo as suas aptidões e no tempo adequado, se entrega a um único trabalho, sendo dispensado de todos os outros.

 

Adimanto – É como dizes.4

 

 

 

 

 

 

 

Essa parte demonstra a importância da disciplina e da dedicação em qualquer área da vida, inclusive nos estudos. No caso dos alunos principalmente nos estudos. Nunca é demais incentivo para o jovem na direção de um futuro melhor. E não tem maneira melhor de alcançar esse objetivo do que com dedicação a estudos, com a preparação para o futuro, buscando o conhecimento necessário para isso. É importante também para desencorajar qualquer atividade que prejudique os estudos, como trabalhar.

 

 

 

Roteiro

Problematização

 

1ª citação:sobre obrigações dos governantes e dos governados.

Relacionar com os dias atuais o que foi apresentado na citação.

 

 

 

Como são determinadas as obrigações de cada um dos grupos?

Por que são aceitos governantes que fazem leis ruins para todos? Sobre a legitimidade da escolha dos governados.

Como mudar o que está errado?

 

2ª citação:divisão do bem em vantajoso em si, por suas conseqüências, e em si e por suas conseqüências. Justiça como um bem em si e por suas conseqüências.

Buscar exemplos atuais para cada uma das concepções.

 

Essa distinção basta? Buscar alternativas.

A colocação da justiça em uma dessas categorias de bem é certa? Deveria ser? Como poderia ser?

 

3ª citação:a incapacidade dos homens de viverem isolados e a necessidade do surgimento das cidades.

Demonstrar a crescente evolução das cidades ao longo dos séculos.

 

Se precisamos mesmo uns dos outros, por que existem preconceitos?

Por que, apesar da necessidade de todas as partes para constituir o todo, algumas partes são mais valorizadas que outras?

Hoje em dia, o que pode ser visto como necessário para a cidade e como necessário para quem se aproveita da cidade?

 

4ª citação:sobre a melhor maneira de desempenhar determinada atividade.

Exemplificar.

 

Por que é exigido dos estudantes mais do que são capazes de aprender, e menos do que o necessário para que eles desempenhem bem suas atividades?

Como se dedicar melhor?

Por que se dedicar aos estudos?

 

 

 

1 PLATÃO. A República. Ed. Nova Cultural. 1997. Livro I, pg. 21-22.

 

2 PLATÃO. A República. Ed. Nova Cultural. 1997. Livro I, pg. 41-42.

 

3 PLATÃO. A República. Ed. Nova Cultural. 1997. Livro I, pg. 54.

 

4 PLATÃO. A República. Ed. Nova Cultural. 1997. Livro I, pg. 55.