O processo de consolidação de uma tradição de livro didático de filosofia no Brasil encontra-se num estágio bastante inicial. Por isso, uma obra destinada aos alunos do Ensino Médio tem que apresentar uma visão ampla da filosofia, bem como a multiplicidade do debate filosófico, que deve advir de um bom trabalho em História da filosofia.

 

Permitindo assim, que o aluno entre em contato com a estruturação lógica do texto filosófico e que aprenda a construir rigorosa e criticamente enunciados e argumentação a partir do legado da tradição. Em suma, apresentar a filosofia em sua multiplicidade, sem dogmatismo ou proselitismo, propondo uma prática crítica que leve o aluno tomar uma posição em meio a um diálogo plural.

 

Ela tem, por extensão, estimular uma reflexão rigorosa, isto é, conceitual, que não necessariamente se limite ao contexto da filosofia, mas que possibilite uma autonomia intelectual que leve ao estabelecimento de uma interlocução com as demais áreas das humanidades, mas também das ciências e das artes. Com isso, a uma formação mais ampla e cidadã do aluno.

 

Dessa forma, com o intuito de realizar uma atividade proposta em sala de aula, a seguinte análise diz respeito a um comentário a (três) livros didáticos de filosofia. Os livros escolhidos para a análise foram: 1º “Pensando melhor/Iniciação ao filosofar” (4º edição reformulada, São Paulo: Saraiva, 2003) de Angélica Sátiro e Míriam Wuensch, 2º “Filosofia” (1º edição, São Paulo: Ática, 2001) de Marilena chaui e 3º “Filosofando” ( 2º edição revista e atualizada, São Paulo: Moderna, 1993) de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins.

 

Os critérios analisados têm o objetivo de abranger o que se espera de um material didático para o Ensino Médio.

 

 

 

Primeiro livro: “Pensando melhor/ Iniciação ao filosofar”. 1) Se o livro é adequado ao público alvo – é adequado ao público alvo. Portanto, aproxima os adolescentes da filosofia de um modo prazeroso, a fim de que se eles se acostumem à linguagem dos textos filosóficos e à prática filosófica.

 

2) Se o formato ajuda na compreensão, de forma a tornar o conteúdo atraente – o formato do livro é de grande proveito para a compreensão, a seleção dos temas é norteada pelo interesse de desenvolver nos alunos as competências necessárias para a construção do pensamento autônomo e da capacidade de argumentação crítica. No entanto, não apresenta a multiplicidade do debate filosófico, que deveria advir de um bom trabalho em História da Filosofia. Observa-se também a ausência de uma síntese no final de cada capítulo, bem como uma bibliografia auxiliar. Traz fragmentos filosóficos

 

3) Se a linguagem está de acordo – a linguagem está de acordo com o publico pretendido. Com uma linguagem filosófica mais acessível ao jovem e se utilizando de variedades de gêneros textuais, torna o estudo de filosofia mais atraente a esta faixa etária. Para isso, se vale de textos filosóficos, científicos, jornalísticos, míticos, ao lodo de cartuns, letras de música, imagem, filmes, proporcionando uma compreensão mais eficaz.

 

 

 

Segundo livro: “Filosofia”. 1) Se o livro é adequado ao público alvo – sim, torna os conteúdos filosóficos a principio complexos e abstratos em algo acessível aos alunos sem, para isso, incorrer em simplificações.

 

2) Se o formato ajuda na compreensão, de forma a tornar o conteúdo atraente – a estrutura da obra cumpre um propósito eminentemente didático. Apresenta ao aluno uma reflexão filosófica que se constrói sistematicamente, tanto a partir da referência à sua experiência cotidiana e sociocultural quanto mediante a reconstituição do desenvolvimento histórico de cada tema em diferentes perspectivas e concepções filosóficas. Promovendo a reflexão crítica e apresentando a filosofia como uma atividade racional que dialoga com outros saberes e práticas. Entretanto, falta uma síntese no final de cada unidade que possibilitaria uma compreensão mais eficaz, e também se observa a ausência de uma bibliografia auxiliar. Traz fragmentos filosóficos.

 

3) Se a linguagem está de acordo – a linguagem está de acordo com o público alvo. A linguagem usada na construção do texto-base e dos exercícios propostos é clara, didática e objetiva. Tal característica contribui para que os estudantes se apropriem dos conteúdos com relativa autonomia. Os elementos gráficos existem e permitem uma razoável exploração didática.

 

 

 

Terceiro livro: “Filosofando”. 1) Se o livro é adequado ao público alvo – sim, promove uma prática filosófica que tenha efeitos reais na formação do aluno, e ainda, representa a diversidade das posições filosóficas e convida o aluno a refletir criticamente sobre as mesmas.

 

2) Se o formato ajuda na compreensão, de forma a tornar o conteúdo atraente – sim, a concepção didática pauta-se pelo cuidado de apresentar conceitos, ideias e doutrinas filosóficas, situando-os no contexto histórico em que foram produzidos. Dessa forma, a filosofia aparece organicamente integrada à sua história, exigindo que sua aprendizagem dependa do contato direto com os textos clássicos e com um modo específico de ler e interpretar tais textos. Assim os conceitos são apresentados de forma precisa e adequada.

 

O exame dos temas evita corretamente a forma comportamentalizada, por isso, muitos conceitos são discutidos em mais de um capítulo e sob diferentes perspectivas temáticas e históricas.

 

Não apresenta síntese no final de cada unidade, nem uma bibliografia auxiliar. Mas existem fragmentos filosóficos nas unidades. Os elementos gráficos permitem uma ótima exploração didática.

 

3) Se a linguagem está de acordo – a linguagem, embora muito clara, é exigente na exposição dos conteúdos, demandando do estudante a reflexão rigorosa própria à filosofia. O texto está associado, em pontos estratégicos, a um conjunto diversificado de elementos complementares: pinturas, fotografias, gravuras, tiras de jornais, desenhos, charges e diagramas que facilitam a compreensão. Portanto, a correlação dos veículos escrito-visual é ótima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Livros Didáticos de Filosofia

 

 

 

-ALVES, Dalton. A Filosofia no Ensino Médio. Campinas: Autores associados, 2002.

 

 

 

-CHAUÍ, Marilena. Primeira Filosofia. Lições Introdutórias. São Paulo: Brasiliense, 1984.

 

 

 

-HÜHNE, Leda (org). Fazer Filosofia. Rio de janeiro: UAPÊ, 1995.

 

 

 

-NIELSEN NETO, Henrique (org). O Ensino de Filosofia no 2º Grau. São Paulo: Sophia/SEAF, 1986.

 

 

 

-REZENDE, Antonio (org). Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Sophia/ Zahar, 1986.

 

 

 

-BUZZI, Arcângelo. Filosofia para principiantes. A Existência Humana no Mundo. Petrópolis: Vozes, 2007.

 

 

 

-CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia. São Paulo: Atual, 2004.

 

 

 

-CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2005. Série Brasil.

 

 

 

-CORDI, Cassiano (org). Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.

 

 

 

-COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia - história e Grandes Temas. São Paulo: Saraiva, 2006.

 

 

 

-FEITOSA, Charles. Explicando Filosofia com Arte. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

 

 

 

-SÁTIRO, Angélica; WUENSCH, Ana Miriam. Pensando melhor. Iniciação ao Filosofar. São Paulo: Saraiva, 2003.

 

 

 

- CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2001. Série Novo Ensino Médio.

 

 

 

-HRYNIEWICZ, Severo. Para Filosofar Hoje; Introdução e História da Filosofia. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1999.

 

 

 

-ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria helena Pires. Filosofando- Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1993.

 

 

 

- COTRIM, Gilberto. Filosofia – Ensino Médio. São Paulo: Saraiva, 2011.

 

-CHAUI, Marilena. Convite a Filosofia. São Paulo: Ática, 2010.

 

-CHAUI, Marilena. Filosofia – Série Novo Ensino Médio. São Paulo: Ática, 2008.

 

-WAGNER, Herman. Filosofia – Pensar e Agir. Editora: Edjovem.

 

 

 

-DIMENSTEIN, Gilberto; GIANSANTI, Álvaro César; STRECKER, Heidi. Dez lições de filosofia para um Brasil cidadão – Ensino Médio. Editora: FTD, 2008