A palavra método vem do grego méthodos (meta – “ao londo de”; hodós “via, caminho”). Para alcançar um objetivo determinado é necessário agir com métodos. Em nossa vida cotidiana, muitas vezes, precisamos desenvolver um conjunto de procedimentos racionais e ordenados que nos leve em direção o nosso objetivo. Quando fazemos uma viagem, quando temos que resolver problemas pessoais ou simplesmente quando temos que ir à escola agimos usando métodos determinados. Nas ciências o rigor para utilização desses métodos é muito maior.

 

 

 

O MÉTODO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA:

 

 

 

O avanço das ciências naturais é baseado nos problemas que desafiam a compreensão dos cientistas. A cada problema resolvido, surgem outros novos problemas que vão dar curso ao desenvolvimento científico, ou seja, a ciência sempre está inserida em novos questionamentos. Mas, para chegar a resolução desses problemas é necessário que os cientistas naturais utilizem determinados procedimentos que os façam chegar até a sua meta. Esses procedimentos são chamados de Método Científico.

 

 

 

As etapas do Método Científico:

 

 

 

O Método Científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência científica a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. Didaticamente estas são as etapas do Método Científico:

 

1 – OBSERVAÇÃO:

 

 

 

A observação científica é rigorosa, precisa, metódica e orientada para explicação dos fatos. Nem sempre só os nossos sentidos são suficientes para a observação, muitas vezes é necessário o uso de instrumentos (microscópio, telescópio, sismógrafo, balança, termômetro, etc) para que haja mais rigor e objetividade. Por exemplo: é mais rigorosa a temperatura medida no termômetro do que a percebida pela pele.

 

 

 

2 – HIPÓTESE

 

 

 

Explicação provisória dos fenômenos observados. Interpretação antecipada que deverá ser ou não confirmada. Propõe uma solução, reorganiza os fatos de acordo com uma ordem e tenta explicá-los provisoriamente.Para ser aceita precisa ter relevância, possibilidade de ser submetida a testes e compatibilidade com outras hipóteses já confirmadas.

 

 

 

3 – EXPERIMENTAÇÃO

 

 

 

Estudo dos fenômenos em condições que foram determinadas pelo experimentador. É a observação provocada para fim de controle de hipótese. Quando a experimentação refuta alguma hipótese o trabalho precisa ser recomeçado.

 

 

 

4 – GENERALIZAÇÃO

 

 

 

Formulação de leis universais a partir da análise dos fenômenos. As leis são enunciados que descrevem regularidades ou normas e podem ser de dois tipos: Leis Particulares ou generalizações empíricas e Leis Teóricas ou teorias.

 

 

 

LEIS PARTICULARES OU GENERALIZAÇÕES EMPÍRICAS: São inferidas da observação de alguns casos particulares. Nem sempre é possível atingir uma universalidade rigorosa

 

Ex.: ao nível do mar, água ferve a 100ºC” (Lei dos Gases de Boyle)

 

 

 

LEIS TEÓRICAS OU TEORIAS: São leis mais gerais e abrangentes que reúnem as diversas leis particulares sob uma perspectiva mais ampla.

 

Ex.: Teoria da Gravitação Universal.

 

 

O MÉTODO NAS CIÊNCIAS HUMANAS:

 

 

 

 

As ciências humanas demoraram muito tempo para se tornarem autônomas. Elas possuem como objeto de estudo o próprio homem e a sua relação com o meio em que vive. Existe uma grande dificuldade em determinar um método único de investigação para esses tipos de ciências por causa da complexidade de seu objeto de estudo. Há uma proximidade entre o objeto de estudo e o sujeito que o investiga (o homem estuda o homem).

 

A base das ciências humanas é a compreensão dos fatos. Compreender é ser capaz de estabelecer a conexão entre os fenômenos humanos (que são sempre culturais) e entre esses e o observador, sem anular a singularidade. Procura-se assim encontrar formas de enquadrar a singularidade sem que a riqueza e a complexidade dos fenômenos humanos seja perdida.

 

A primeira ciência humana a se desenvolver foi a Economia, tendo como principal teórico Adam Smith. Até o século XVII estava somente ligada a relações de troca entre indivíduos. A partir do século XVII o funcionamento do sistema econômico começou a ser explicado por termos matemáticos. A Sociologia também surge no século XIX tendo como principal teórico Augusto Comte (1798-1857). Ela é a ciência dos fatos sociais, das instituições, dos costumes e crenças coletivas. A Psicologia como ciência apareceu na Alemanha no século XIX, voltada para o exame das questões relativas a percepção.

 

Existem varias dificuldades metodológicas que fazem com que não seja possível a utilização de um único método nas ciências humanas tais como: Dificuldade de simplificação dos fenômenos humanos psíquicos, sociais e econômicos; Dificuldade de controlar os diversos aspectos que influenciam os atos humanos na hora da experimentação; Os fenômenos são essencialmente qualitativos dificultando a matematização; Dificuldades decorrentes da subjetividade gerando contaminação dos dados observacionais.

 

 

 

QUADRO COMPARATIVO

 

DIFERENÇAS ENTRE OS MÉTODOS
CIÊNCIAS HUMANAS X CIÊNCIAS NATURAIS

 

E a Filosofia?

 

 

 

A Filosofia era considerada até a modernidade como Grande Ciência. Todas as disciplinas das ciências naturais e humanas faziam parte dela. O Filosofo na Grécia Antiga era aquele que dominava conceitos relativos a todas as ciências. Com a autonomia das disciplinas que pertenciam à Filosofia e com a chegada do cientificismo foi disseminada a idéia de que um domínio de conhecimento só pode ser incorporado à ciência na medida em que se liberta de toda a influência filosófica. No entanto, se a filosofia traz realmente verdades sobre a natureza do homem, toda tentativa de eliminá-la torna falsa a compreensão dos fatos humanos. Neste caso, as ciências humanas precisam ser filosóficas para serem científicas.

 

 

 

 

 

Bibliografia:

 

 

 

 

 

FOUREZ, Gerard. A construção das ciências: introdução À filosofia e à ética das ciências. São Paulo, Ed. Unesp, 1995.

 

 

 

KNELLER, George F. A ciência como atividade humana. São Paulo, Edusp; Rio de Janeiro, Zahar, 1980.

 

 

 

ARANHA, MARIA Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando – Introdução à Filosofia. São Paulo, 3ª Edição, Moderna, 2003. Capítulos 14 e 15.

 

 

 

MARCONDES, Danilo. Iniciação a Filosofia: dos Pré-Socráticos a Wittgenstein. São Paulo, Jorge Zahar, 1ª Edição, 2004.

 

 

 

JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1990.