A experiência do sagrado e o conceito de religião estão presente na vida do homem, e em muitas das vezes, torna-o capaz de entender e aceitar a religiosidade como uma possível experiência bastante relevante na compreensão de sua existência.

 

Dentre todas as experiências humamnas referentes ao processo vital, como trabalho de subsistência, preservação do meio ambiente, relação fraterna em sociedade, exercício da cidadania, etc., podemos constatar que tais atividades dependem da ação do próprio homem; ou seja, sem a intervenção humana, tais atividades não existiríam.

 

Quando nos deparamos com uma realidade que não depende da ação humana, tais como a regularidade da natureza, como o nascer e o pôr do sol; as estações do ano, primavera, verão, outono e inverno; chegamos à conclusão que tais realidades não dependem da ação humana. Em função deste parecer, logo tentamos buscar um sentido para tal realidade.

 

Logo se atribui a noção do sagrado, como responsável por esta força superior.

 

Surge com isto, a necessidade de uma busca fundamentada desta realidade superior que supra este espaço vazio no coração e na mente do homem, e que forneça subsídios para uma explicação e compreensão desta ação sobrenatural sobre a realidade terrena.

 

A busca da religiosidade envolve a noção da crença em divindades e se exprime na experiência do sagrado contida e abrangida na religião.

 

Em seu sentido etimológico, a palavra “religião” se origina do termo em latim “religio”, que por sua vez se origina do verbo “religare”; onde “re” significa novamente, e “ligare” unir, ou ligar. Sobre tal ponto de vista, “religião” significaria um “vínculo”, ou um “laço sagrado”.

 

A noção de religião envolve vários conceitos que se figuram como motivos da crença humana que possam suprir toda insegurança na vida do homem, tais como: a crença na vida após a morte, porque é um sentimento religioso que conscientiza o homem a respeito da efemeridade da vida terrrena; as noções do bem e do mal, que nos faz refletir sobre o porquê de tanta violência e de tanta maldade; a compreensão de que o ser humano é dotado de razão e liberdade para agir, diferente dos demais animais, fazendo com que possua este dom de refletir sobre tal dualidade.

 

Os ritos e objetos simbólicos afirmam a crença do homem na certeza do sagrado, pois participando de tais rituais religiosos, e aderindo os objetos simbólicos, reforça a busca deste envolvimento espiritual e faz do homem consciente da participação neste mistério divino.

 

No contexto social, a religião se torna um instrumento significativo de inclusão, pois fomenta no interior do homem a noção de solidariedade coletiva e amor ao próximo. Sobre este ponto de vista, a religião é entendida como um sistema de crenças solidário e suas práticas estão relacionadas ao envolvimento da sociedade às coisas sagradas. Crenças e práticas se unem numa mesma comunidade no convívio dos mistérios religiosos.

 

A noção de religião está atrelada às diversidades sociais, históricas e culturais. È comum precebermos a origem e a localização espacial da religião em diversos povos ao longo da história; ou seja, na Ásia é forte a presença do Islamismo, do Budismo, do Hinduísmo e outras de menos expressões; na África, a presença de religiões como o Candomblé, Umbanda e outras de origens tribais; no continente europeu, é forte o Cristianismo, difundido à suas respectivas colônias, como na América do Sul, Central e do Norte. O Judaísmo teve sua origem com o povo israelita e também se propagou pelo mundo através da diáspora.

 

 

 

Glossário:

 

 

 

Efemeridade – qualidade daquilo que não é duradouro

 

Sobrenatural – que ultrapassa as fronteiras do real

 

Etimológico – que se refere à origem da palavra

 

Subsídios – dados ou informações que contribuem para a elaboração de algum texto ou relatório

 

Atrelada – do verbo atrelar. Fortemente ligada por vínculos

 

 

 

 

 

Referências bibliográficas:

 

 

 

CHAUÌ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2003.