Em nosso dia a dia escutamos ou mesmo falamos em ideologia. Quase sempre essa palavra nos remete a algo bom que esperamos para nossas vidas, realmente é uma bela palavra ! Como já dizia o poeta Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. Mas o que será realmente que ela significa?

 

Analisando o dicionário brasileiro, de forma sintética encontra-se o seguinte: “Ciência da formação das idéias, sistemas de idéias.” No dicionário de filosofia, o conceito vai um pouco mais além, em sua definição geral significa: “ Representação ou idéias apresentadas como racionais mas que exprimem os interesses da classe dominante: trata-se de uma mentira voluntária, de um processo realizado com uma consciência falsa”. Sendo assim a palavra ideologia começa a perder um pouco de sua graça.

 

Discutindo o que o dicionário filosófico nos aponta, podemos perceber que esse termo tem haver com dominação, controle, logo nos remete que deva existir alguém para dominar e outro para ser dominado. Como nossa experiência nos mostra diariamente, um número muito pequeno de pessoas ocupam o lugar de domínio, em detrimento de um grande número de pessoas dominadas. Esses que estão no domínio utilizam-se de diversos meios para manter o controle sobre a maioria, esses meios são chamados aparelhos ideológicos, que podem ser reconhecidos através das instituições que participam ativamente de nossas vidas. Como por exemplo, a religião, a escola, a mídia, a justiça, a política, a família, e até mesmo a cultura.

 

Àqueles que estão no domínio nos impõe modos de vida de forma que nos pareçam naturais e assim conseguem nos manipular e moldar fazendo com que realizemos as coisas do exato modo que querem, sem questionar ou reivindicar o que de fato nos é de direito. Na política é fácil perceber essa situação, nos projetos assistencialistas que são oferecidos a população, “bolsa disso , cheque daquilo”, e assim as reformas que realmente deveriam ser feitas ficam esquecidas. Na mídia somos atacados o tempo todo, na moda que as novelas e programas populares lançam, nas músicas de qualidade duvidosa que repetem sem parar em rádios e programas de auditório, que de tanto tocar acabamos nos “acostumando”. Um dos papéis da ideologia dominante de nosso tempo está ai: fazer com que nos acostumemos com as coisas que nos oferecem de forma rápida , já que todos os dias a moda muda, as músicas são outras, a fofoca do artista é outra, o acontecimento da novela. O político que foi acusado por desviar verbas fica esquecido porque, ao mesmo tempo o time de futebol tal venceu determinado campeonato. Em fim tudo acontece de maneira rápida , sem nos dar oportunidade de assimilarmos a notícia.

 

A essa forma dinâmica de propagar as notícias, toda a diversidade de informações, sejam de caráter cultural, político, religioso, servem para não nos dar tempo de questionar os acontecimentos. Não há tempo para reflexão e dessa forma continuamos a ser dominados e reféns de uma ideologia de alienação e isolamento.