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Heráclito de Éfeso: viveu na transição do sécilo VI para o século V. Diógenes Laércio, IX, 1 (= Diels-Kranz, 22 A 1), sem dúvida seguindo o cronógrafo Apolodoro, situa o apogeu da vida de Heráclito na 69ª Olimpíada, isto é, em 504-501 a.C.

 

 

 

O pensamento de Heráclito é válido atualmente?

 

 

 

Nunca podemos dizer que a tese de um filósofo vale ou não vale, se é verdadeira ou falsa, pois todos eles fundamentaram seus pensamentos, portanto não posso demonstrar aqui a validade ou não-validade do pensamento de Heráclito, prefiro enfatizar os pontos de maior relevância em seu pensamento. Mesmo que um determinado pensamento seja descartado em uma determinada época, se uma pessoa o aceita, ele continua sendo válido; atualmente ninguém duvida de que a terra não é o centro do universo, mas se uma pessoa acreditar no “geocentrismo”, o pensamento de Ptolomeu continuará sendo válido, mesmo que a maioria não concorde.

 



 



 

  • A unidade e a harmonia dos opostos:

 



 

Antes de Heráclito, os três milesianos1 já haviam percebido o “dinamismo universal da realidade”, o dinamismo do próprio princípio que dá origem às coisas porque é dotado de um interminável movimento, mas não refletiram sobre esse aspecto da realidade e suas múltiplas implicações; foi exatamente isso que fez Heráclito.

 

Heráclito percebeu que na multiplicidade existe a unidade: “Não de mim, mas do logos tendo ouvido é sábio homologar, tudo é um”2; para exemplificar melhor, é como se todas as coisas estivessem dispostas como os prédios desta escola, mas entre esses prédios existe uma interligação fundamental, que seriam as rampas que os unem; a essência do lógos seria a relação entre unidade e multiplicidade. Heráclito como um filósofo da natureza viu na própria natureza o princípio ordenador do cosmos, a “arché”, percebeu que há um dinamismo que é responsável pela ordenação do universo: lógos/phýsis/kósmos. Na multiplicidade das coisas se recolhe uma unidade dinâmica superior: “Conjunções o todo e o não todo, o convergente e o divergente, o consoante e o dissonante, e de todas as coisas um e de um todas as coisas”.

 

Heráclito também percebeu que da lutas dos opostos nasce a harmonia: “Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como de arco e lira”, e é por esta superior harmonia que os contrários, embora só podendo existir em oposição recíproca, dão um ao outro o seu verdadeiro sentido: “A doença torna doce a saúde, a fome torna doce a saciedade e a fadiga torna doce o repouso”3/ “Não conheceriam nem sequer o nome da justiça se não existisse a ofensa”4, é por essa e nessa harmonia que, no limite os opostos coincidem: “O caminho para cima e para baixo são um único e mesmo caminho”5. Os opostos se contrastam e, contrastando-se, pacificam-se em superior harmonia, então é claro que na síntese dos opostos está o princípio que explica toda a realidade. É bom lembrar que essa “guerra” é ao mesmo tempo paz, esse contraste é também harmonia: “O combate é de todas as coisas pai, de todas rei, e uns ele revelou deuses, outros, homens; de uns fez escravos, de outros livres”; quando duas pessoas estão em combate, é justamente nesse momento que elas “crescem”, que vigoram e que aumentam suas capacidades.

 

 

 

  • O fogo como pricípio ordenador:

 



 

A idéia essencial do pensamento de Heráclito é a de que o fogo é o elemento fundamental e a de que todas as coisas não são mais que transformações do fogo: “Todas as coisas se trocam por fogo e o fogo por todas as coisas, como as mercadorias se trocam por ouro e o ouro por mercadorias"6/ “Mutações do fogo: em primeiro lugar o mar, a metade deste a terra, a metade vento incandescente”7; Heráclito atribuiu ao fogo a “natureza” de todas as coisas, o fogo exprimiria as características do contraste, da harmonia...

 

O fogo em muitas religiões é compreendido como algo divino, como nos cultos órficos. No próprio cristianismo o fogo possui um caráter simbólico, o Espírito Santo que desceu como fogo...

 

A descoberta do fogo possibilitou a evolução dos seres humanos; com o fogo, eles puderam contruir armas para defesa, o fogo fornece energia para o funcionamento das indústrias... A vida na terra só é possível graças a uma gigante “bola” de fogo chamada sol, que nos fornece calor e que sem sua luz seria impossível a existência dos seres vivos; esse mesmo sol já era adorado pelos egípcios com o nome de “Rá” e entoavam o “hino ao sol”.

 



 

  • Pois só é a (coisa) sábia, possuir o conhecimento que tudo dirige através de tudo”:

 



 

Parece que Heráclito chamou este princípio de “lógos”, o que, como muitos sustentam, seria a regra segundo a qual todas as coisas se realizam e lei comum a todas as coisas e que a todas governa. Existiria uma sabedoria superior que governaria o universo, que organizaria, ordenaria o cosmos.

 



 

  • Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”:

 



 

O sentido é bem claro: o rio é, aparentemente, sempre o mesmo, mas ao mesmo tempo não é, pois sempre correm novas águas, que se acrescentam e que se dispersam; por isso nunca entramos duas vezes no mesmo rio, e também nós mesmos mudamos constantemente, por isso somos e ao mesmo tempo não somos; mas podemos notar que ao mesmo tempo em que as águas de um rio se renovam, o rio continua sendo o mesmo, nós também, pois há algo que sustenta nossa identidade e faz com que mesmo mudando, continuemos com algo que nos caracteriza; no Rio Amazonas sempre correm novas águas, mas o rio continua o mesmo, o nosso corpo muda, mas mesmo assim há algo que continua e que faz com que continuemos sendo nós mesmos, apesar das mudanças; “somos e não somos”: essa é uma passagem do ser ao ser, pois mesmo mudando e não sendo mais o que éramos antes, já somos algo, pois existimos.

 



 

CONCLUSÃO:

 



 

Sempre houve essa vontade humana de entender e descobrir o que está por tráz e o que é reponsável por toda a realidade, essa é uma busca que nunca se realizou por completo. Os gregos iniciaram a aventura mais empolgante da história da humanidade, esta aventura que se iniciou com Tales de Mileto, continua até hoje, com a ânsia humana de conhecer e espantar as trevas do desconhecido. Não importa que as soluções dadas pela filosofia ou pela ciência sejam superadas ou contraditadas, o que importa é que não abandonemos o esforço de encontrar soluções racionais para os problemas, esse é o verdadeiro progresso da filosofia.

 



 

Não obstante, se descobrirmos uma teoria completa, com o tempo terá de ser, em suas linhas mestras, compreensível para todos e não unicamente para uns poucos cientistas. Então todos, filósofos, cientistas, gente corrente, serão capazes de tomar parte na discussão sobre por que existe o universo e por que nós existimos. Se encontrássemos uma resposta a isso seria o triunfo da razão humana, porque então conheceríamos o pensamento de Deus!”

 

(Stephen Hawking)

 

1 Tales, Anaximandro e Anaxímenes.

 

2 Fragmento 50

 

3 Diels-Kranz, 22 B 111.

 

4 Diels-Kranz, 22 B 23.

 

5 Diels-Kranz, 22 B 60.

 

6 Diels-Kranz, 22 B 90.

 

7 Diels-Kranz, 22 B 31.