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Vivemos em um mundo plural. Diversas culturas. Diversas formas de entendimento. Nestas desigualdades existentes, onde a intransigência e o fundamentalismo encontram hábitat adequado, é difícil encontramos pontos que tornem o estado de paz, um estado permanente.

 

Segundo Huntington, estamos vivendo um período de transitório onde:

 

a fonte fundamental dos conflitos em nossa sociedade, não será essencialmente de ordem ideológica e nem econômica. As grandes divisões da humanidade e a fonte predominante dos conflitos serão de ordem cultural1.

 

Assim, percebemos a importância que a cultura possui nos dias atuais. Tanto na esfera da política entre Estados, quanto nas relações entre indivíduos. Sejam eles de um mesmo grupo social ou de segmentos distintos.

 

Percebemos que grupos sociais, assim como sociedades políticas, são motivados agir segundo suas Ideologias. Norberto Bobbio, afirma que a Ideologia2, implica um elemento de falsa consciência e a única forma de julgá-la é o seu critério de eficácia prática.

 

Entendemos que nenhuma Ideologia é mais forte e eficaz que as ideologias religiosas, pelo fato de seu teor de verdade estar acima daquilo que os homens podem conceber como racionais.

 

Tratar de racionalidade é abordar o conhecimento. E todo conhecimento, é fundamentado na verdade ou na crença de estar seguindo a verdade. Toda a história da humanidade foi marcada com quebras de verdades. Caíram por terra mitos3, nasce a era da razão. Surgem teorias científicas que são contestadas e substituídas por movas teorias.

 

Estes fatores nos permitem notar a importância de teorias filosóficas, como a desenvolvida por Bertrand Russell. Russell em Ensaios Filosóficos 19664. Nesta teoria Russell levanta alguns questionamentos tais como: Em que sentido, se existe algum, a verdade é dependente da mente? - Existem verdades diferentes, ou existe somente a Verdade?

 

É pertinente abordarmos esta teoria pelo fato de que percebemos que as Ideologias estão ligados a crença de uma verdade. Onde como pudemos verificar acima o que pode comprovar a sua veracidade é o seu grau de eficácia prática. Relativamente a esta questão, podemos nos utilizar da sentença de Russel de que:

 

..aqueles que levantam determinada questão provavelmente já tem em suas mentes alguma idéia com a relação ao que a “verdade” significa de outro modo a questão e sua resposta não poderia ter nenhum significado para eles5”.

 

 

 

Falar sobre a Verdade é sempre complicado, pois aborda-las muitas vezes significa enfrentar nossas crenças. É aceitar uma provável possibilidade, de que toda a sua concepção de realidade seja falsa. Como demonstra Platão no livro sétimo da República, na sua Alegoria da Caverna.

 

Se anteriormente afirmamos que as ideologias religiosas são as mais fortes e eficazes, isso se deve a também ao fato de que as “experiências religiosas tendem a ser um fenômeno particular inerente a cada indivíduo6”. Um ponto que deve ser somado ao argumento anterior7.

 

Vemos a particularidade como uma das origens da intolerância não só religiosa, mas principalmente cultural. Em Genealogia da Moral, vemos Nietzsche discorrer críticas a modelos de culturas (podemos dizer também, crítica a modelos educacionais) que ao inverso de transformar o homem naquilo que ele pode e deve ser; força e potencia. Transforma-o em Ressentimento e Fraqueza8.

 

É possível que a primeira visão, venha surgir a indagação da razão pela qual alguém que se propõem escrever sobre pluralismo cultural, utilizaria uma obra que tece criticas fortes a determinado tipo de cultura? A resposta está nas próprias linhas da obra em análise.

 

No parágrafo oito, da segunda meditação9, Nietzsche fala da Culpa, conceito no qual o indivíduo mensura seus atos e através disto também mede o valores referente a outros indivíduos. Essa ação comparativa pode em muitos casos embrionar o surgimento das diferenças culturais, que não só originam conflitos e guerras, mas acima de tudo dá a falsa impressão de alguns homens são melhores que outros. Nesta estrutura de fenômenos quando os homens não se julgam melhores que os outros, trata-se a verdade como um objeto que pode possuir propriedade.

 

Percebemos que na escola estas diferenças tornam-se mais acirradas. Pois ali temos um universo de pluralidade de culturas, aonde cada indivíduo vem com uma Ideologia formada segundo o credo religioso familiar e com uma concepção do que vem a ser a Verdade. Pois é na escola que temos o primeiro contato com o diferente, tanto no contato educacional enquanto cultura e conhecimento, quanto na disciplina e sociabilidade.

 

É por estas razões que a figura do professor deve ser valorizada. Não pelo de ele ser um transmissor de conhecimento. Mas sim por ele ser um educador no mais no mais forte sentido do termo. Pois no dicionário de Língua-Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira define Educar como: “Promover o desenvolvimento da capacidade intelectual, moral e física de (alguém), ou de si mesmo10”.

 

Isso mostra que o Professor, não pode ser dispensável, uma vez que é ele quem terá que mediar estas diferenças. E por possuir esta responsabilidade social não poderá sucumbir nas ações como os demais membros da sociedade. Também por isso não deve e nem pode agir sozinho. Uma ação semelhante a dos filósofos que deve agir acima das diferenças e ver a humanidade através do todo e das partes, pois esta ultima facilita para que hajam erros. É o que nos descreve Nietzsche: “Não temos o direito de atuar isoladamente em nada: não podemos errar isolados, nem isolados encontrar a verdade11”.

 

 

 

 

 

DOCUMENTAÇÃO TEXTUAL E BIBLIOGRAFIA

 

 

 

BOBBIO, Norberto. Teoria Geral da Política:a filosofia e as lições dos clássicos RJ. Editora Campus 2000.

 

 

 

CANDAU, Vera. Magistério: construção cotidiana.Petrópolis. Editora Vozes 1977.

 

 

 

FRIEDDRICH, Nietzsche. Genealogia da Moral. SP. Companhia das Letras 2004.

 

 

 

PLATÃO. A República. Tradução: Pietro Nasseti. São Paulo, SP. Editora Martin Claret 2002.

 

 

 

RUSSELL, Bertrand. Ensaios Filosóficos. Tradução de Pablo Rubén Mariconda. São Paulo. Editora Abril S.A, Coleção os Pensadores) 1978.

 

 

 

_________________Por que não sou cristão. Tradução de Pablo Rubén Mariconda. São Paulo. Editora Abril S.A, Coleção os Pensadores) 1978.

 

 

 

1 Huntington. Revista Foreign Affirs. Universidade de Harvard; apude CANDAU,Vera. Magistério: Construção Cotidiana. ED. Vozes 1977. Pág240.

 

2 BOBBIO, Norberto. Teoria Geral da Política. Editora campus 2000. pág. 418. e pág. 640.

 

3W. Robertson Smith e Jane E. Harrison. Lectura on the religion of the semites 1889. Ambos pesquisadores da escola de Cambridge, resumidos, na obra de Sir James George Frazer. The golden Bough. London. Royal Anthropological Institute 1890. Segundo a teoria desses autores, o Mito apresenta-se como narrativas que foram ou são mal compreendidas, são contos ou histórias que se encontram ligados não só a costumes, mas também a fatos vividos pela sociedade.

 

4Teoria Monística da Verdade . Capítulo VI.

 

5 RUSSELL, Bertrand. Ensaios Filosóficos. Cap. VII (Da verdade e da falsidade).

 

6 RUSSELL, Bertrand. Por eu não sou cristão. Cap. XIII (da Existência de Deus - A experiência religiosa). 1964

 

7 Ver pág. 2 § 1.

 

8 Genealogia da Moral. Passim.

 

9  Idem.

 

10 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira 2001. Pág. 251.

 

11 Genealogia da Moral. Prólogo, § 2º.