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Heidegger foi um filósofo que se ocupou de pensar o mundo em que vivemos hoje. Quem de nós não percebe que vivemos o mundo da técnica – onde é possível contar com geladeira, elevador, etc - , o mundo das relações humanas superficiais – onde as pessoas valem segundo nossos próprios interesses e não por elas mesmas - , o mundo do consumo de massa – onde todo mundo quer tudo o tempo todo, mesmo que não precise - , o mundo onde todo mundo quer ser como alguém ao invés de ser alguém – muitos querem ser Ronaldinhos, outros preferem Gisele Bishen - . Mas o que isso quer dizer? Vamos saber ao nos propormos o nosso exercício mais nobre, a lembrar: Pensar.

 

Heidegger não dava aula em sala o tempo todo. Havia vezes em que saía com seus discípulos e fazia suas conferências numa caminhada pela floresta negra. Mas por que ele fazia isso? Que procedimento mais dispersante! Porém, o filósofo tinha lá as suas razões. Dispersante ou não o Pensar tem suas semelhanças com uma caminhada pela floresta: é um exercício num lugar que precisamos nos ambientar. A floresta tem seus mistérios assim como os caminhos que nos levam o Pensar. Saber disso é importante e torna tudo uma aventura. Retira aquele fardo que nos colocamos sempre por já sempre pré-julgar que Pensar é cansativo e chato. Portanto, tiremos esse fardo das costas...Pensar é cansativo, sim...pode ser tão cansativo quanto um divertido passeio na floresta, mas é o que nos aproxima mais de nós mesmos...portanto não deveria ser nada chato.

 

O caminho que estamos trilhando nos leva às idéias desenvolvidas em um texto chamado “Que quer dizer pensar?” . Neste texto, Heidegger nos lança a seguinte provocação: “O que quer dizer pensar é algo que se revela quando nós mesmos pensamos.” E ele completa: “...para sermos bem sucedidos é preciso que nos disponhamos a aprender a pensar.” Com isso, somos convidados a admitir que ainda não pensamos. Mas como assim? Não somos nós seres humanos? E os seres humanos não são os seres racionais? E os seres racionais não são pensantes? Ora, então somos pensantes.

 

Heidegger diz que realmente somos seres caracterizados pela possibilidade de Pensar já que a razão realmente se desdobra em pensamento. No entanto, Pensar não é uma faculdade que nos seja garantida independente de estarmos pensando. Pensar requer um esforço em permitir que algo segundo seu próprio modo de ser, venha para junto de nós, afirmando insistentemente essa permissão. Queremos esse algo como ele é. Mas só trazemos para junto de nós o que gostamos muito, aquilo que diz em nós algo especial. Não é assim quando gostamos de uma música? Não a escutamos reverberar em nós? Assim, esse algo tende para nós porque tendemos para ele. Por gostarmos desse algo, ele nos desperta cuidado e atenção, de modo que queremos guardá-lo próximo a nós. E a lembrança é exatamente isso: a concentração do pensamento que insistimos em trazer em nossa proximidade por estabelecermos uma relação afetiva com aquilo que concentramos.

 

Para que cheguemos mais adiante é preciso aprender a pensar. Mas o que é aprender? Heidegger nos responde que aprender é voltar nossa atenção para o que cabe pensar cuidadosamente. E o que cabe pensar cuidadosamente é aquilo para o qual nos entregamos ativamente. Concluímos, então, que o Pensar exige uma atividade de nossa parte. Mas em que medida? O filósofo nos mostra que não devemos fazer do Pensar algo passivo. E o Pensar se torna passivo quando se mostra reprodutivo, quando se estabelece no âmbito do discurso vazio e, por fim, quando não mantemos uma gravidade no nosso interesse, de modo que o Pensar se perde e nos tornamos indiferentes a ele. Agimos como se tudo fosse interessante, quando, de fato, nada nos interessa realmente.

 

O campo onde o pensamento se desenvolve é a filosofia, o que não significa, que qualquer interesse pela filosofia, seja já uma ativa disposição ao Pensar. O Pensamento genuíno acontece quando nos deparamos com algo que dá o que pensar e esse algo faz com que sintamos necessidade de nos voltar para ele, mesmo que parcialmente, mesmo que não estejamos preparados para lidar com a sua totalidade. Por isso, não importa tanto se ele nos escapa, porque mesmo quando ele nos escapa ainda assim ele não sai inteiramente da nossa mira. Estamos sempre sinalizando para ele porque faz parte da nossa essência essa disposição ou indisposição para o Pensar. De qualquer forma, o Pensar está sempre na nossa perspectiva, mesmo quando não queremos nos entregar a ele. Quando estabelecemos uma relação negativa com o Pensar, mesmo assim essa relação é estabelecida.

 

Trata-se do homem se entregar a algo que se mostra de forma fundamental toda vez que ele mesmo se doa a esse encontro: é aí que aparece pensamento e conhecimento. Pensar é buscar o sentido do que percebemos. Mas isso não tem nada a ver com uma relação controladora onde o conhecimento é apropriado para que se possa controlar as situações. Deve haver aqui a disposição de gratuidade para o Pensar, pois o sentido das coisas só pode ser pensado no momento em que elas aparecem envoltas em seu mistério. O importante é ter em mente que já sempre, de certa forma, pensamos quando dizemos algo acerca do que percebemos. Mas não pensamos genuinamente porque desconsideramos que o nosso próprio modo de considerar as coisas é sempre incompleto. Precisamos nos livrar dos prejuízos da nossa pré compreensão para pensar o novo. Precisamos recuperar o pensamento que evoca o mais antigo, o mito, o que de vital se pode encontrar no Pensar, ao invés de nos mantermos pensando de um modo particular que considera o mundo sem a vitalidade que nele impera. Quando estivermos nesta região será como se tivéssemos nos jogado na água para aprender a Nadar, pois o elemento do Nadar é a água, assim como o elemento do pensar é o que de vital, percebemos no pensamento. E então não teremos dúvida de que, assim como para nadar é preciso saltar na água, para pensar é preciso saltar para o outro lado do abismo onde habita o desconhecido. É essa a aventura.

 

Procuramos aqui aprender como acontece o Pensar. Percorremos conjuntamente um caminho para tentarmos alcançar que: aprender a pensar significa levar o que se faz e deixa de fazer à sintonia com o que a cada vez, essencialmente, se dirige a nós. Dependendo da forma desta coisa essencial, dependendo do âmbito do qual vem esse chamamento, é diferente a sintonia e, com isso, a forma do aprendizado.

 

 

 

Glossário:

 

(Dicionário da Língua Portuguesa Online - http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)

 

 

 

Âmbito – do Lat. Ambitu S.m., recinto, contorno, campo de ação; esfera; contexto.

 

Dispersante – relativo a disperso. do Lat. Dispersu. Adj., espalhado; disseminado; derramado; posto em debandada; destroçado; desordenado.

 

Fardo – do Ár. fard, pano, trouxa; s. m., coisa ou um conjunto de coisas, mais ou menos pesadas e volumosas, que, depois de embrulhadas, se destinam a transporte; pacote, embrulho; carga;

 

Genuinamenterelativo a genuíno. do Lat. Genuinu. adj., puro; natural; sem mistura nem alteração; próprio, natural, verdadeiro; legítimo, exato; franco; sincero.

 

Gratuidade – Relativo a gratuito. do Lat. Gratuitu. Adj., feito ou dado de graça, sem remuneração; desinteressado; sem motivo.

 

Reverberar – do Lat. reverberare, dar varadas em retorno. Refletir. Persistência de um som em recinto limitado.

 

Sintonia – do Gr. Sýntonos. s. f., ato de sintonizar; estar de acordo, simultaneidade; circunstância em que dois ou mais circuitos eléctricos estão na mesma freqüência.