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Faziam parte de um grupo de teatro há vários anos. Já estavam acostumados com a rotina: textos, ensaios dos mesmos textos, estudos dos mesmos textos. Mas naquele dia foi diferente. Chegaram e logo ficaram sabendo que não havia texto para estudar. Imediatamente puseram-se a conversar sobre o que havia acontecido no final de semana.

 

Porém, o diretor da peça, vendo o falatório que se instaurou no palco, deu um banho de água fria nos atores dizendo:

 

­- Nós temos uma peça a preparar, não podemos ficar conversando enquanto o tempo passa.

 

Os atores não entenderam, pois não tinha texto para iniciar o ensaio. Um deles disse:

 

­- Podemos fazer o que quisermos, já que não temos um texto.

 

Foi nesse momento que o diretor explicou sua proposta para a nova peça a ser apresentada: improviso, puro improviso. O nome da peça era Palco da Liberdade. Depois da explicação, toda o falatório se transformou em silêncio. Os atores olhavam um para o outro; tinham uma interrogação estampada em seus olhos. Não sabiam o que fazer. Sempre tiveram textos para ensaiar e depois repetir, mas agora tudo dependia inteiramente deles, mas principalmente de cada um deles. Uma das atrizes disse:

 

- Adorei a idéia! Podemos deixar a nossa imaginação fluir livremente. Essa liberdade nos deixa tão soltos!

 

Sua amiga a contestou:

 

- Não concordo. Toda essa liberdade deixa tudo muito indeterminado. Não teremos noção do que iremos fazer. Não teremos um caminho a seguir.

 

O ator retoma a palavra fazendo uma pergunta ao diretor:

 

- E se o que eu disser forçar uma mudança no roteiro da peça?

 

O diretor deu-lhe uma resposta contundente:

 

- Não há roteiro, apenas improviso. O desfecho de uma cena e os caminhos que a peça irá seguir depende unicamente do que cada um disser n o palco.

 

Alguns atores ficaram preocupados, pois perceberam que o êxito da peça estava nas mãos de cada ator. Começaram, então, a discutir se deveriam continuar ou não no grupo. Na verdade sentiram o peso da responsabilidade e não queriam tomar para si este encargo.

 

Um dos anões, aproveitou o ensejo e disse que se a peça se basearia no improviso ele começaria a sua fala dizendo que era o rei:

 

- Já estou cansado de fazer papel de anãozinho alegre que só canta musiquinhas ritmadas!

 

Os outros atores acharam graça e disseram que era inadmissível um anão como rei, porém não assumiram a responsabilidade de fazer tal papel. A atriz mais velha do grupo retrucou:

 

- Se for pra ficar esta bagunça, eu prefiro as certezas limitantes de um ensaio do que os improvisos da liberdade!

 

- Mas os ensaios de textos conhecidos nos prendem à mesmice das outras peças. Se não almejarmos nem nos lançarmos no desconhecido com coragem, não teremos algo novo, algo que seja nosso realmente. Precisamos marcar nossa trajetória com algo novo! Discordou a atriz mais nova com olhar sonhador.

 

Alguns atores começaram a criar desculpas para a mudança da proposta do diretor, mas no fundo estavam com medo das conseqüências de suas falas e ações. Foi quando foram interrompidos pelo diretor:

 

- Não adianta fugir. O simples fato de se negar a subir ao palco já traz conseqüências, pois aqueles que subirem terão que lidar com a falta dos que se negarem a subir.

 

A atriz mais velha lhe perguntou:

 

- Como iremos interpretar um personagem que não existe?

 

O diretor, olhando para cada ator, respondeu a pergunta:

 

- Hoje os personagens dados não estão prontos, acabados, enfim, eles não existem antes da peça. Eles serão revelados pouco a pouco, fala após fala, ação após ação. Serão criados no decorrer da peça!

 


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Durante os seis meses que antecederam a estréia da peça os atores discutiram a proposta: “E se as pessoas não gostarem?”; “E se eu não gostar do papel ou da fala que outro inventou?”; “Iremos ser entendidos?” etc, etc, etc.

 

Durante esse tempo alguns atores escolheram abandonar o grupo, outros decidiram utilizar falas e ações encontradas nas outras peças, dando um trabalho ainda maior aos poucos que optaram pelo improviso.

 

A peça foi apresentada em um grande teatro. Todas as poltronas estavam ocupadas. Havia pessoas de todos os tipos: governantes, intelectuais, empresários, proletários, banqueiros, atores, estudantes...

 

Nos dias que se seguiram, todos os jornais noticiaram a peça. Havia crítica brotando de todos os meios de comunicação. Não falavam dos que abandonaram a peça no meio do caminho, pois não os conheceram; não lembraram dos que optaram pelas falas e ações pré-estabelecidas, pois já estavam acostumados a elas. Porém, os poucos atores que se lançaram no improviso, não saíram das revistas e entrevistas por muito tempo. Foram elogiados, criticados, magoados, mas não esquecidos.