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Antes de mais nada, acho válido comentar o que seria a Filosofia nos tempos de Sócrates. A palavra Filosofia originariamente significa “Amor ao Conhecimento”, “Filo” significa amor e “Sofia”, conhecimento. O Amor considerado é diferente do amor sexual (“Eros”). A questão do amor tratado (“Filo”), significa apreço, amar sem envolver o sentimento de posse – é o amar pelo ato de amar, isto é, ter esse amor como um fim em si mesmo.

 

Mas, o que move o homem à busca pelo conhecimento?

 

É justamente esse amor (entendido como apreço) ao conhecimento que faz com que o homem queira compartilhar sua existência com o conhecimento. Mas esse compartilhar nunca pode ser integral, pois o homem, enquanto existente, é finito e o conhecimento, transcendente, é infinito. O homem contempla o conhecimento a partir de sua alma infinita, homem este composto por esta alma e por outras almas finitas, e cada uma dessas almas têm uma atribuição específica: as almas finitas são responsáveis pelo movimento do homem e pelo conhecimento terreno, isto é, pelo conhecimento das cópias e simulacros existentes na realidade; enquanto sua alma infinita é responsável pelo conhecimento das idéias verdadeiras. A alma infinita contempla as idéias durante sua estadia na planície do Rio Letés, onde chega por ocasião da morte do corpo material e enquanto aguarda pelo momento de uma nova encarnação. Porém, ao reencarnar (e, por conta do processo, atravessar o Rio Letés), a alma infinita se esquece das idéias contempladas, mas pode vir a se lembrar do que contemplou e, assim, tentar atingir o conhecimento das idéias verdadeiras.

 

Daí segue-se que Sócrates utilize o seu método chamado Maiêutica. Ele era filho de Fenareta, uma parteira em Atenas, e afirmava ter aprendido profissão semelhante à da sua mãe: ela ajudava as mulheres a trazerem seus filhos para o mundo, e ele se propunha a auxiliar as pessoas a formularem teorias que mais se aproximem das idéias verdadeiras. Fenareta dizia sobre sua profissão que “não é você quem faz o parto. Este acontece naturalmente por ação dos organismos da mãe e do filho. Você apenas conduz o nascimento” e Sócrates se valia dessa frase de sua mãe para justificar sua atividade.

 

Mas o que é Maiêutica? A palavra significa, literalmente, a arte de perguntar. Sócrates dificilmente respondia a qualquer pergunta, ele perguntava aos seus discípulos – o que obrigava seus discípulos a usar a cabeça de fato e refletir sobre o assunto em questão.

 

O método utilizado por Sócrates pode ser dividido em alguns passos. Primeiramente, Sócrates ironicamente perguntava o que o seu interlocutor sabia sobre o assunto. Este recebia várias definições sobre o assunto, mas principalmente exemplos de sua relação como objeto de conhecimento. Para este, não era suficiente nenhuma dessas categorizações, necessitava sempre de uma melhor explicação. Então, ele perquiria com base nas informações adquiridas sobre as contradições implícitas no discurso. Com base nessa problematização, ele fazia seu interlocutor duvidar de seu próprio conhecimento sobre o assunto tratado. Uma de suas mais famosas frases seria a que mais suportaria sua forma de agir, “só sei que nada sei”, pois só partindo do pressuposto de que não se conhece, poderia haver a tentativa de se alcançar conhecimento. Para tanto, ele guiava seu interlocutor à Aporia, que é a inexistência de certeza sobre o assunto.

 

Com a aceitação da falta de conhecimento necessário sobre o assunto se começaria a se alcançar seu passo principal do método, que é a construção de um significado mais preciso sobre a questão em debate. O que leva a um esclarecimento maior e menor freqüência de erro em acreditar que se conhece algo realmente. Assim se inicia o questionamento muito importante sobre quem é o verdadeiro sábio, o que é o conhecimento, como atingi-lo e como deve ser a postura de um mestre e de seu aluno.

 

O mestre deve ser não um professor, mas um guia que facilite a compreensão de que tudo pode ser estudado para ser compreendido mesmo que não se alcance o conhecimento total, mas ainda assim, o ajude a procurar a resposta mais correta às suas indagações. O mestre deve admitir que também não é senhor e dono da verdade, deve saber que apenas se encontra como mediador entre o que se pode ser conhecido e quem quer conhecer. Ao passo que um aluno deve se mostrar aberto a questionar o que considera como verdade absoluta. Caso contrário este permanecerá na escuridão do falso conhecimento e assim será sempre uma fonte de erro sem a possibilidade de suprir a carência de sua alma perante a realidade.

 

Neste ponto, faz-se necessário discorrer um pouco sobre como Sócrates concebe o ato de aprender, um processo que tem sua melhor explicação no famoso Mito da Caverna, no livro VII do diálogo “A República”. No mito, Sócrates pede ao seu interlocutor que imagine uma caverna escura com uma fogueira em um ponto elevado, várias pessoas acorrentadas desde o nascimento de modo a ficarem imobilizadas e olhando sempre para a mesma parede da caverna e, entre essas pessoas e a fogueira, outras pessoas passam carregando os mais diversos objetos. Sócrates propõe ao seu interlocutor que todo o conhecimento da realidade que as pessoas acorrentadas possuem seria dado pelas sombras das pessoas que caminham entre elas e a fogueira, e por isso a realidade dessas pessoas acorrentadas é esse mundo de sombras.

 

Neste ponto, Sócrates pergunta ao seu interlocutor o que aconteceria se uma dessas pessoas acorrentadas fosse solta e arrastada para fora da caverna, e recebe como resposta que essa pessoa ficaria em um primeiro momento completamente ofuscada pela luz do Sol e não conseguiria enxergar nada, mas assim que seus olhos se acostumassem à claridade essa pessoa seria capaz de ver as coisas como elas são e não apenas as sombras delas. Sócrates então pede para seu interlocutor que diga qual desses dois conjuntos de conhecimentos (a saber, conhecimento sobre as sombras na parede da caverna e o conhecimento das coisas sob a luz do Sol) é o mais real, e seu interlocutor diz que a pessoa que foi solta toma ciência das coisas como elas são quando as vê iluminadas pelo Sol, e portanto esse conjunto de conhecimentos seria mais real para ela do que o obtido a partir das sombras da caverna.

 

Percebemos aqui que Sócrates concebe o ato de conhecer como um desvelamento das formas verdadeiras das coisas – mas a forma verdadeira das coisas nada mais é do que a idéia verdadeira que a alma infinita contemplou durante sua estadia na planície do Rio Letés, mas esqueceu quando reencarnou. Assim, para Sócrates ensinar é ajudar seu interlocutor a superar as sombras de seus “conhecimentos” terrenos a fim de tentar alcançar o conhecimento das idéias verdadeiras. Mas esse conhecimento nunca seria atingido em sua plenitude, pois, como vimos no início deste texto, o homem possui natureza finita (isto é, limitada) e o conhecimento é infinito. Daí pode-se afirmar que o processo de educação para Sócrates é um processo contínuo, como correr atrás de pombos tentando pegá-los.

 

Sócrates, pelo uso da Maiêutica, se propõe a auxiliar seu interlocutor a se livrar das amarras que o prendem à caverna e a dirigir-se para o mundo exterior, isto é, a livrar-se das suas opiniões mal formuladas (e, portanto, dúbias) e tentar atingir o conhecimento das idéias verdadeiras. Mesmo que esse conhecimento não possa ser atingido plenamente, é um dever do buscador da verdade empenhar-se para se aproximar ao máximo dele, e o buscador da verdade deve empreender essa tarefa por apreço ao conhecimento. Tentar atingir o conhecimento das idéias verdadeiras é nada mais do que tentar se lembrar de tudo aquilo que a alma infinita viu durante sua estadia nas planícies do Rio Letés.

 

Isso significa que se devotar a conhecer deve ser uma atitude desinteressada (no sentido de não esperar retorno de espécie alguma) por parte daquele que se esforça em tentar contemplar o conhecimento das idéias verdadeiras. O educador deve ser aquele que não apenas guie o educando até a saída da caverna, usando a imagem proposta pelo mito, mas infundir nele o apreço pelo conhecimento.

 

Adequando os ideais de Sócrates para nossa época, devemos questionar a posição de autoridade responsável de um professor que se considere detentor da verdade. O professor deve estar preparado para aproximar sua disciplina da realidade de seus alunos e prepará-los para que estejam convictos de que o conhecimento não é uma via de mão-única, mas sim, uma relação de troca e aprendizado eterno. Existe uma citação de Heráclito que diz que a Filosofia é como tentar agarrar pombos pode-se até mesmo agarrar um pombo, mas não todos, portanto, o conhecimento também não tem como ser alcançado total e irrestritamente, assim como tal. Pode-se atingir uma parte do conhecimento total, mas nunca sua totalidade, devendo então, estar pronto para embarcar em uma nova busca pela verdade.