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Nos dias de hoje a palavra liberdade pode ser encontrada em todos os lugares, nas propagandas de cigarro e de roupas, nos falatórios da imprensa e explanações dos economistas, nos discursos de autoridades e políticos, e até mesmos nas falas de religiosos e de “personalidades” como o presidente norte americano Bush.

 

Se recorrermos ao que as pessoas em geral pensam a respeito desta palavra e suas implicações, poderemos perceber que as pessoas pensam que politicamente vivem em um “mundo livre”, onde a falta de liberdade é coisa do passado, ou mesmo um fenômeno restrito a alguns países atrasados que “resistem a se modernizar”, recusando a aceitar os “bons valores” do ocidente, que liberdade é uma coisa que todas as pessoas em “juízo perfeito” almejam se não para todos pelo menos para si, e que liberdade nada mais é do que um bem individual que está associado ao direito de se fazer àquilo que se deseja sem limitações.

 

Porém ao estudar o tema da liberdade humana, a Filosofia vai além deste primeiro entendimento sobre o assunto, propondo se pensar o que é de fato liberdade? Se recorrermos ao dicionário para obter tal significado, vamos ter como resposta, que “A liberdade é uma noção que designa, de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano.” Ou se não, alguma coisa semelhante. Para a filosofia, no entanto, liberdade é isso e também mais que isso, é um conceito1 complexo, que possui várias significações, que variam de acordo com as diversas posições de pensadores e correntes filosóficas que discutem o assunto.

 

Se analisarmos a primeira concepção de liberdade apresentada pelo texto, perceberemos que ela é própria do senso comum2 que diferentemente do saber filosófico é caracterizado por ser irrefletido e por determinar crenças fragmentadas, desorganizadas e muitas vezes contraditórias e equivocadas. Sendo assim, tais considerações fornecidas pelo senso comum acerca do que é liberdade podem não ser verdadeiras.

 

Optando aqui por uma abordagem “crítica” sobre a questão, poderemos perceber que mediante um pouco de reflexão não é difícil notar que a crença de que a liberdade é o direito de se fazer o que se deseja sem limitações é frágil ou mesma equivocada. Nem sempre a humanidade colocava a questão da ação humana da forma que coloca hoje, por exemplo, na idade medieval, a religião ditava as normas e crenças no ocidente fomentando a idéia de que a vida humana, sobretudo estava associada a um projeto divino, enquanto na antiguidade era comum se acreditar que os deuses determinavam o destino dos homens. Esta concepção de liberdade é típica de nossa sociedade capitalista que é extremamente individualista, e onde o bem estar individual é colocado acima dos interesses gerais da sociedade. Sabendo então que o que o senso comum prega sobre liberdade não é uma verdade inquestionável e sim uma construção ideológica especifica de uma determinada época, que nos é passada muitas vezes como crença irrefletida, poderíamos aqui começar a questioná-la com mais propriedade e testar sua veracidade.

 

Se pararmos para pensar, perceberemos que o homem não é uma ilha e sim um ser social que necessariamente se relaciona e convive com outros seres semelhantes a ele mesmo. Assim sendo, a idéia de liberdade como fazer o que vem a cabeça, ou não é apropriada ou é impraticável, pois todo ser humano vive em sociedade e todas as sociedades constroem regras e normas de condutas que regulam a atividade humana, limitando desta forma os impulsos do desejo individual a comportamentos aceitos pelo todo social. Liberdade não pode deixar de ser autodeterminação3, mas também tem a ver com responsabilidade, ou seja, com o compromisso de se assumir as conseqüências das ações que realizamos no mundo.

 

Munidos agora de um entendimento um pouco mais refletido em relação do significado do que é a liberdade humana, poderíamos neste momento também nos questionar sobre outras crenças do senso comum que foram apresentadas no inicio do texto.

 

Será que a liberdade pregada pelas propagandas de TV e pelos discursos dos economistas de plantão não é negativa, já que reduz toda discussão em relação à liberdade humana ao poder de consumir livremente os produtos apresentados pelas empresas privadas? Será que nossa sociedade ocidental judaica-crista é tão superior no que diz respeito à liberdade, as republicas Islâmicas e países não “alinhados” a democracia liberal como Cuba e Venezuela? Será que em um mundo tão desigual é possível existir liberdade social de fato? Será que muitas vezes o discurso de defesa da liberdade é usado como recurso retórico para o alcance de fins políticos duvidosos, como no caso das colocações de Bush acerca da necessidade de se levar a liberdade para o Iraque através da guerra?

 

Baseado no que foi comentado até aqui, poderíamos ainda pensar como a liberdade se relaciona com a sala de aula e ao espaço educacional. Podemos crer que a sala de aula é um espaço apropriado para a liberdade? Se for, como a liberdade deve se dar dentro da escola? Os estudantes devem possuir o direito de fazer aquilo que vem a cabeça, agindo para além de qualquer regra do colégio e interesse dos professores, ou a liberdade em sala de aula e na escola tem a ver sim é com o respeito mutuo entre estudantes e professores e um ambiente democrático onde as regras e normas escolares sejam discutidas por todos antes de serem aplicadas? Será que liberdade em sala de aula também não tem a ver com um relacionamento não hierárquico4, entre estudantes e professores, onde a idéia de professor como um provedor de conhecimento e comandante de turmas, dê lugar à idéia de professor como um facilitador de aprendizagem, que respeita e é respeitado pelos que aprendem junto a ele?

 

Não vou aqui responder nenhuma destas perguntas, muito pelo contrário, vou deixá-las em aberto para que os que lerem este texto possam refletir sobre estas questões. E não me incomodo em assim fazer, pois o que mais me importa aqui não é apresentar respostas prontas e acabadas acerca do assunto, mas sim propiciar uma discussão inicial sobre os assuntos que façam todos refletirem um pouco sobre esta questão, de modo a abalar as crenças irrefletidas do senso comum e abrir caminho para novos entendimentos críticos e mais elaborados.

 

 

 

1 Idéia abstrata e geral; representação intelectual, apreensão abstrata do objeto.

 

2 Conhecimento espontâneo, ou conhecimento vulgar, é a primeira compreensão do mundo resultante da herança fecunda de um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo efetuadas.

 

3 Capacidade de determinar a si mesmo, de escolher os próprios caminhos sem ser impelido por forças exteriores.

 

4 Hierarquia é a ordenação de elementos em ordem de importância.