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A Ética tem suas origens no filosofar, entretanto, ela não é monopólio da filosofia: a Ética é a ciência da práxis que tem por objeto as ações humanas - a imprevisibilidade e a deliberação dessas ações-, as relações interpessoais e o caráter societário do homem, isto é, a interação humana, razão pelo qual é motivo de reflexão filosófica.

 

No campo da filosofia, a Ética é aquela que se apresenta sob uma luz mais concreta e acessível, pois trata essencialmente da práxis, naquilo que ela tem de justo e injusto, de Bem e de Mal; e reflete acerca de um aspecto fundamental da ação humana que designamos habitualmente sob o nome de Moral.

 

O primeiro sistematizador dessa ciência é Aristóteles, e, segundo ele, a ética é parte da ciência política e lhe serve de introdução.

 

Em geral, consideram-se três obras de Aristóteles dedicadas à Ética: a Ética a Nicômacos, a Ética a Eudemos e a Ética Maior; sendo que a autenticidade é conferida preferencialmente à Ética a Nicômacos.

 

A Ética a Nicômacos é uma obra esotérica, isto é, destinada aos estudos internos da escola, e é dividida em dez livros em formato de notas de aula, provavelmente dadas a Nicômacos, filho de Aristóteles.

 

Em linhas gerais, pode-se definir o conteúdo da Ética a Nicômacos e o objetivo da Ética da seguinte forma: “ determinar qual é o bem supremo para as criaturas humanas, (...), e qual é a finalidade da vida humana”. Abre-se assim, com Aristóteles, a tradição teleológica da filosofia, quer dizer, dos fins.

 

Mas o que nos move? O que move nossas ações e a que visam? Existe uma finalidade para as nossas ações? Qual ou quais são?

 

Segundo Aristóteles, se há uma finalidade para as nossas ações, se algo move e direciona os nosso desejos, as nossas vontades, esse algo só pode ser o bem, e o melhor dos bens: “ O Bem é aquilo a que todas as coisas visam” (EN 1094, pág, 17). Importa-nos então conhecer e determinar o que é este bem e de que ciência ou atividades ele é objeto.

 

A princípio, o bem parece ser objeto da ciência política, que Aristóteles define como a mais imperativa, posto que ela determina quais ciências devem ser estudadas em uma cidade e que cidadãos estão aptos a apreendê-las:

 

 

 

A finalidade da ciência política é a finalidade suprema, e o principal empenho dessa ciência é infundir um certo caráter nos cidadãos – por exemplo, torná-los bons e capazes de praticar boas ações (EN 1099b; p.28)

 

 

 

Para Aristóteles, é necessário ter experiência de vida, isto é, maturidade para tratar dos assuntos referentes a ciência política; por isso, um jovem na política, devido a sua inexperiência, seria problemático e improfícuo. Faz-se preponderante também, saber que tipo de vida se leva, pois, para aqueles que se deixam levar pelas paixões e pelos imediatismos da vida, o conhecimento de tais assuntos resulta em inutilidade, ao passo que para aqueles que agem segundo a razão, o conhecimento é fundamental.

 

É consenso entre os homens de alta qualificação, diz Aristóteles, que este Bem supremo visado é a felicidade. Mas a que felicidade se referem? Qual o conceito de felicidade?

 

Aristóteles define e diferencia três tipos principais de vida e suas respectivas concepções de felicidade: o primeiro refere-se à grande massa, que parece identificar felicidade ao prazer; o segundo refere-se ao homem de vida política, cuja felicidade é identificada às honrarias e a à excelência; finalmente,o terceiro refere-se aos homens de vida contemplativa, que concebem a felicidade no grau mais elevado da razão.

 

Apesar dessas diferenciações e diversificações, Aristóteles conclui ser a Felicidade; absoluta, auto-suficiente e desejável em si mesma, pois, ainda que escolhamos honrarias, prazeres ou inteligência, escolhemos sempre por causa da felicidade, isto é, pensando que através dessas escolhas seremos felizes. Portanto, para Aristóteles “ a felicidade é algo final e auto-suficiente, e é o fim a que visam as ações” (EN 1097, p.24)

 

Mas, como pode o homem atingir esse bem supremo tão visado? Pode o homem aprender a ser feliz? Se pode, como se daria esse aprendizado? Seria pelo hábito, por algum exercício específico, pela graça divina, ou seri pela mera sorte?

 

Segundo Aristóteles “ quem quer que não seja deficiente quanto a sua potencialidade paraa excelência, tem aspirações a atingí-la mediante um certo tipo de aprendizado e esforço” (EN 1099b; p.27). Assim, fica claro aqui, que para o nosso autor, a felicidade é acessível, quer dizer, ela é atingível e se dá por meio de uma práxis da alma racional, conforme a excelência.

 

Vale ressaltar, porém, que a felicidade é peculiar ao homem, ou seja, não se pode dizer dos animais que eles são felizes, pois eles não são capazes de participar dessa atividade política; e, para Aristóteles, tampouco se pode considerar as crianças como seres humanos felizes, pois devido a sua pouca idade, ainda não possuem a experiência existencial necessária para a excelência.

 

 

 

A felicidade pressupõe não somente excelência perfeita, mas também uma existência completa, pois, muitas mudanças e vicissitudes de todos os tipos ocorrem no curso da vida, e as pessoas mais prósperas podem ser vítimas de grandes infortúnios na velhice ( EN 1100; p.28)

 

 

 

Cabe então perguntar: O que define a completude da existência? Se a existência mostra-se imprevisível em seu curso, o que determina essa completude? Seria o seu fim? O fim da existência? A morte? Se assim for, será válido chamar de feliz ao homem depois de morto. Seria isto?

 

Na verdade, considerar esta afirmação, de que o homem só é feliz depois da morte, porque já teria completado seu percurso, seria não apenas absurdo mas totalmente incoerente, haja visto que o próprio Aristóteles define a felicidade como atividade. Por outro lado não há que temer pelo movimento e pelas transformações que perfazem a vida. A felicidade não é uma roda da fortuna, tampouco um momento isolado da vida, ela é completa, e completa no sentido de permanentemente imanente à práxis. A felicidade não está pois no além da morte ou no inatingível, ao contrário, ela está no atingível, é uma atividade da alma segundo a razão e em consonância com a virtude. Por isso, para Aristóteles, o homem feliz deverá ser feliz por toda a sua vida

 

 

 

pois ele estará sempre, ou pelo menos frequentemente engajado na prática ou na contemplação do que é conforme à excelência. Da mesma forma ele suportará as vicissitudes com mais galhardia e dignidade. (EN 1100 b; p. 29)

 

 

 

Desse modo, Aristóteles sustenta que as pessoas realmente boas e sábias jamais serão desgraçadas, e que seua sorte jamais será inconstante, pois, sendo boas e sábias (sabedoria prática) saberão agir sempre em conformidade com a excelência, suportando inclusive, e com dignidade, toda e qualquer vicissitude que se lhes apresente.

 

Ao fundamentar e justificar, portanto, a ação humana no Bem, chamando cada homem, individual e coletivamente, a deliberar sobre suas próprias escolhas, através de uma atividade em sintonia com um télos não transcendente mas imanente ao exercício da própria ação, Aristóteles mostra que o caminho para o bem, para a felicidade e para a virtude deve de ser buscado e trilhado não alhures, mas tem de ser exercido na própria vida, ou em outras palavras, tem de realizar-se na práxis da existência humana, no “etos”.

 

 

 

 

 

GLOSSÁRIO

 

 

 

Télos: finalidade;

 

Práxis: mais que ação a práxis é o realizar-se do homem na ação pela ação;

 

Etos: costumes, maneira concreta de viver na sociedade;

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Trad. de Mário da Gama Kury. 3ª edição. Brasília: Editora Universidade de Brasília, c 1985, 1999.