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Segundo Kant explicita na 2ª seção da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, “tudo na natureza age segundo leis.” E só um ser racional tem a capacidade de agir segundo princípios (leis), ou seja só ele tem vontade; ele escolhe só aquilo que a razão, independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário; portanto tal vontade não é senão razão prática.

 

Mas nem sempre tal vontade é em si plenamente conforme à razão, ou seja, ela deixa-se guiar por condições subjetivas (móbiles). Então faz-se necessário a determinação desta vontade à leis objetivas, que para ela se dão sob a forma de obrigação, isto é, como um imperativo. E a necessidade objetiva de uma ação por obrigação é um dever.

 

Há um imperativo da moralidade que não se baseia em nenhuma intenção a atingir um certo fim, ou um dado comportamento; pois o que é essencialmente bom na ação é somente a disposição ao fazê-la, seja qual for o resultado dela. Tal imperativo, pois, ordena imediatamente tal comportamento e é portanto categórico.

 

Daí resulta a fórmula da lei universal, que define então, o imperativo categórico que é: “ Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal.”

 

À este princípio deve estar inseparavelmente ligado o conceito de vontade de um ser racional, e isto se dá totalmente a priori. Trata-se portanto da relação de uma vontade consigo mesma enquanto essa vontade se determina só pela razão. E está ai justamente o fato de a vontade estar presente somente nos seres racionais, pois ela é determinada só pela razão; por isso tem que valer igualmente para todos eles.

 

A vontade seria pois a faculdade de se determinar a si mesmo a agir em conformidade com a representação de certas leis. Porém pensando-se assim seria como admitir que o homem só via-se ligado à tais leis, pelo seu dever, como uma vontade subordinada. Mas isto não é verdade pois só o homem possui autonomia (conceito ligado à sua liberdade). Ele tem autonomia porque a vontade humana é uma vontade legisladora de suas próprias leis, ou seja, só os seres racionais podem ser autores das leis segundo as quais eles próprios agem.(esta vontade nos é possível na idéia)

 

Aí está o princípio supremo da moralidade, a autonomia da vontade. A capacidade de cada indivíduo (através de sua vontade) ser para si a sua lei, independentemente da natureza (conceito totalmente a priori).

 

O homem pode ser, pois, visto como um legislador de suas leis porque como ser racional, ele existe como fim em si mesmo, e não só como meio para uso desta ou daquela vontade. Ele tem de dirigir suas ações tanto em relação a ele mesmo, quanto a outros seres racionais, sempre simultaneamente como fim. Todas as inclinações têm somente valor condicional e, portanto devem ser repelidas. Por ser esse, um princípio que não depende de nenhum móbil, é objetivo, e provém só da razão, por isso tem que ser ele, válido a todos os seres racionais como uma lei universal. Portanto a idéia de vontade de todo o ser racional tem de ser concebida como uma vontade legisladora universal. Tal princípio baseia-se na fórmula do fim em si mesmo que é: “ Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio.”

 

Deste modo, os imperativos categóricos só podem ordenar que tudo se faça em conformidade com uma máxima de uma vontade que simultaneamente se possa ter a si mesma por objeto como legisladora universal; pois só assim o princípio prático e o imperativo poderão ser incondicionais, porque não haverá nenhum outro interesse (a não ser o da própria vontade).

 

Do conceito da “fórmula do fim em si mesmo” deriva um outro, não menos importante, que é o do “reino dos fins”. Seria este, um reino em que os seres racionais estariam ligados sistematicamente por meio de leis objetivas comuns.( Este reino é na verdade ideal)

 

Em tal reino dos fim, que só é possível pela liberdade da vontade, o ser racional tem de considerar-se como membro, quando é legislador universal deste reino, estando ele porém também submetido à estas leis; e como chefe quando, como legislador, não está submetido à vontade de um outro.

 

Um reino dos fins só é possível por analogia com um reino da natureza. O reino dos fins, porém, só segundo máximas, ou seja, regras que se impõe a si mesmo (autonomia) e no da natureza só segundo leis de causas eficientes externamente impostas (heteronomia).

 

Tal reino dos fins é pois, a totalidade de todas as máximas que podem se tornar leis. E o homem por ser um ser racional, portanto, é legislador deste reino.

 

Do exposto acima, pode-se chegar agora à questão da moralidade. Sendo esta a relação das ações com a autonomia da vontade, isto é, com a legislação universal possível por meio das máximas de tal autonomia.Agora faz-se necessário dizer que a chave da explicação da autonomia da vontade é o conceito da liberdade.( Tal explicação já é exposta na 3ª seção do mesmo)

 

A vontade é a causalidade dos seres vivos enquanto racionais, ou seja, a possibilidade dos indivíduos escolherem alguma coisa em detrimento de outra; e ao fazerem tal escolha, criam uma lei a si mesmos, que é de não agir senão em conformidade com tal escolha. Assim liberdade é a propriedade desta causalidade, pela qual ela pode ser eficiente ( ou seja, pode se autodeterminar)independentemente de causas estranhas. Ser livre é agir segundo a vontade própria.

 

O conceito de causalidade traz consigo o de leis, que diz que por meio de uma causa, tem de ser posto um efeito: A liberdade é submetida à leis imutáveis, válidas universalmente, ou seja, à leis morais. Portanto no campo da moralidade, vontade livre e vontade submetida à leis morais são uma e mesma coisa, porque o homem se submete às leis morais (como já dito) como autor das mesmas, como legislador universal e portanto plenamente de acordo com a sua vontade ( que é livre), que cria suas próprias leis, independentemente de influências estranhas (autonomia da vontade). Enfim, eu não seria livre se não tivesse submetido à leis. Como a moralidade nos serve de leis que têm que valer para todos os seres racionais, então a todo ser dotado de razão e vontade, temos que atribuir-lhe a propriedade de se determinar a agir sob a idéia de sua liberdade. ( A liberdade é uma idéia da razão, não há como a determinar empiricamente, por isso ela é incognoscível).

 

Para Kant, a liberdade é a ratio essendi (razão de ser) da lei moral. E a lei moral é a ratio cognoscendi da liberdade. Conheço o que é liberdade através da lei moral. E a lei moral é a razão de ser da liberdade.( Não seria livre sem a lei moral.) A liberdade tem de ser entendida como aquilo que se manifesta através da lei moral, a condição de existir da lei moral. E a lei moral é a condição de conhecer a idéia da liberdade.

 

Kant nos alerta que ao deduzir o conceito de liberdade da lei moral, e vice-versa, entramos num círculo vicioso, sem saída. Porém Kant acha uma solução e “sai” desse círculo propondo que: os seres humanos habitam dois reinos ao mesmo tempo ( ou seja, propõe a divisão do mundo em dois): um mundo sensível ( que varia segundo a diferença de sensibilidade de cada pessoa) e um inteligível ( mundo das coisas em si, das idéias). E nos dois mundos, o homem, que sempre permanece idêntico, está submetido à leis. Só que no sensível são leis da causalidade natural, nas quais são todas heterônomas, ou seja, não são leis que são determinados por nós mesmos, e sim, nos são externas, já que nos são impostas ( no caso os animais, que são irracionais, são determinados por tal causa).

 

E no mundo inteligível são leis da liberdade, portanto autônomas, fundadas apenas na razão. Só sou livre porque posso me determinar, se assim não o fosse, eu já seria determinado por outras causas (heteronomia).

 

Kant diz que o homem é o único ser dotado da faculdade da razão, que tem como uma de suas funções maiores, a distinção que estabelece entre o mundo sensível e o inteligível, marcando assim os limites do próprio entendimento.

 

Para Kant essa possibilidade de sair desse círculo vicioso se dá justamente quando o homem se vê como inteligência, como pertencente ao mundo inteligível e não ao sensível. E por isso, agora, o homem quando se pensa livre, ele se transpõe ao mundo inteligível como um membro dele e reconhece a autonomia da vontade, que se “dá” sem a influência de causas determinantes do mundo sensível ( da natureza), e juntamente com ela (autonomia), sua conseqüência- a moralidade; mas quando o homem pensa nele como obrigado (heteronomia), ele se considera também como pertencente ao mundo sensível ( além do inteligível).