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Sinopse:O filme gira em torno de uma pequena vila da Pensilvânia, em 1897. Nessa comunidade supostamente idílica (reminiscente dos Quakers e Amish), os indivíduos relacionam-se de forma cordiais e pacíficas, cumprindo à risca todas as regras ditadas pelos governantes. Mas nem tudo é perfeito: é sabido que na periferia residem monstros que, de tempos a tempos, atacam os habitantes e deixam marcas vermelhas assinaladas nas portas. Essas marcas são como que ameaças de morte, sendo que toda a precaução se torna fundamental. Entre as regras da vila, encontramos as seguintes: a cor vermelha está proibida, pois atrai as bestas; estas são referidas pelos habitantes como sendo "Aqueles de quem não falamos"; e é expressamente proibido atravessar as delimitações da comunidade, pois isso constitui um enorme perigo de vida. Entre os residentes, encontramos Ivy (uma menina cega, filha de um dos líderes), o introvertido Lucius Hunt (o grande amor de Ivy) e o mentalmente desequilibrado Noah Percy. Quando Lucius ousa ir mais além, o futuro de toda aquela gente poderá estar ameaçado... e a vila nunca mais será a mesma...

 

Informações Técnicas
Título no Brasil:  A Vila
Título Original:  The Village
País de Origem:  EUA
Gênero:  Suspense
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 108 minutos
Ano de Lançamento:  2004
Estréia no Brasil: 03/09/2004
Estúdio/Distrib.:  Buena Vista
Direção:  M. Night Shyamalan

 



 

A questão central do filme “A Vila” é a (re)criação de uma comunidade. Os moradores vivem numa comunidade baseada em vilas do século retrasado. Para que estes moradores não desejem sair de lá e se depararem com a realidade do mundo de fora(este que conhecemos), cria-se uma lenda de que existem monstros na fronteira da vila. Dessa forma, esses monstros têm a função de estabelecer o equilíbrio e a manutenção daquela realidade imposta às pessoas que vivem lá. Assim, os moradores da vila não sairão da comunidade, permanecerão isoladas da sociedade (o que é da vontade dos seus criadores).

 

Alegoria da Caverna

 

Imaginemos a seguinte história: alguns homens estão como prisioneiros em uma caverna, acorrentados nela desde sua infância, presos de tal forma que a única coisa que conseguem enxergar são sombras projetadas na parede diante deles. Essas sombras são o reflexo de uma fogueira acesa atrás deles numa elevação. Como tudo que eles vêem e conhecem são aquelas sombras, acreditam ser aquela toda a verdade e realidades existentes.

 

Se um desses prisioneiros se soltasse e fosse forçado a sair da caverna, perceberia que as sombras na parede eram produzidas pela fogueira acima deles e indo até a entrada da caverna encontraria a esplendorosa luz do dia. Mas o brilho da luz seria muito forte para seus olhos que passaram tanto tempo na escuridão. Ele sofreria bastante até se acostumar com a luz, mas quando se acostumasse perceberia as plantas, as pedras, e a partir daí ele poderia encarar o próprio céu, com o Sol e outras estrelas. E a partir da contemplação do Sol perceberia que é ele que causa as estações e os anos e que tudo dirige no mundo visível.

 

Esta história é na verdade baseada num dos Diálogos de Platão (427 - 347 a. C), filósofo grego nascido em Atenas, discípulo de Sócrates que apresenta através desta alegoria (Alegoria da Caverna) uma reflexão acerca da realidade que conhecemos e o que de verdade ela é. A Alegoria da Caverna nos faz lembrar do filme “A Vila”. As duas histórias tratam de mundos paralelos, sendo que no primeiro, o mundo da Caverna na alegoria ou da Vila no filme, seriam mundos que não correspondem à verdade e quem mora nestes mundos não tem consciência que vive enganado e acreditam numa realidade distorcida. Além é claro de viverem presos, obrigados quer por correntes ou por lendas assustadoras a se manterem isolados.

 

Interpretação da Alegoria da Caverna

 

A Caverna, para Platão, é o mundo sensível onde vivemos. O fogo que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (do Bem e das idéias) sobre o mundo sensível. Somos prisioneiros. As sombras são as coisas sensíveis, que tomamos como verdadeiras, e as imagens ou sombras dessas sombras, criadas por artefatos fabricadores de ilusão, como as fantasias de monstros em “A Vila” ou mesmo os animais mortos que os criadores da cidade usavam para assustar e comprovar a existência da lenda. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa certeza e confiança em nossos sentidos, nossas paixões e opiniões. O prisioneiro que sai é o filósofo. O instrumento que quebra os grilhões e permite escalada do muro, para Platão, é a dialética.

 

A dialética é, propriamente falando, a arte de discutir. A arte do diálogo. Como, porém, não discutimos só com os outros, mas também conosco próprios, ela acaba sendo considerada o método filosófico por excelência. Entre os gregos, anteriores de Sócrates, chamava-se ainda dialética a arte de separar, distinguir as coisas em gêneros e espécies, classificar idéias para poder discuti-las melhor (cf. Platão, Sofística, 253c). Sócrates inaugura uma nova dialética, que compreende duas partes: a ironia e a maiêutica. Na ironia ou refutação do que achamos que são as coisas. Sócrates procurava confundir o interlocutor acerca do conhecimento que este tinha das coisas. Posteriormente, fazia-o penetrar em novas idéias. Dizia que seu método consistia em parir idéias, à semelhança de sua mãe, que era parteira, não dava “à luz” as crianças, mas auxiliava a mãe a tê-las . Para Platão, a dialética é o movimento do espírito que marcha para a verdade, movimento cujo símbolo ele deu na Alegoria da Caverna.Por isso mesmo, Platão apresenta sua filosofia através de diálogos onde Sócrates, o filósofo mestre faz com que o interlocutor alcance o conhecimento verdadeiro refutando suas certezas.

 

A Alegoria da Caverna de Platão trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis e o domínio das idéias. Para o filósofo, a realidade está no mundo das idéias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo ilusório das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens que são somente aparência ilusória o que corresponde à enganosa opinião sensível, o conhecimento verdadeiro é aquele que se refere às essências, às idéias. A Alegoria da caverna é uma metáfora da condição humana perante o mundo, no que diz respeito à importância do conhecimento filosófico e a educação como forma de superação da ignorância, isto é, a passagem gradativa do senso comum (aquilo que sem muito conhecimento achamos meramente que são as coisas) enquanto visão de mundo e explicação da realidade para o conhecimento filosófico, que é racional, sistemático e organizado. Buscando, dessa forma, respostas não no que achamos que é a verdade, mas através do conhecimento filosófico mediante ao método dialético.

 

No filme “A Vila”, os criadores da Vila temiam que os outros saíssem da comunidade indo além do bosque e através do mito de monstros aterrorizantes eles mantinham as regras e o sistema pelo medo dos outros moradores. Pensemos que o mito (algo o qual nunca questionamos ou experimentamos, nunca nos interrogamos o porquê ser dessa maneira e não de outra ou mesmo de que forma acontece) pode fazer com que continuemos ignorantes e tenhamos meramente conhecimentos superficiais sobre as coisas, sobre o mundo e até mesmo sobre nós mesmos. Lucius, o rapaz que pede autorização para cruzar a fronteira é a alusão ao filósofo com atitude filosófica de experimentação e questionamento. Procura respostas além do mito, passo que inauguram a Filosofia. Lucius experimenta ultrapassar a fronteira da Vila, ele interroga seu amigo se ele já pensou nas cidades. Questionar é um dos primeiros passos para a atitude filosófica. Quais certezas irrefutáveis podemos realmente ter?A Alegoria da Caverna é somente mais uma reflexão da Filosofia acerca dessas nossas “tais certezas”.

 

Alusão: referência vaga e indirecta a; sugestão.

 

Essências: aquilo que constitui a natureza de uma coisa; o ser; substância; idéia principal.

 

Gradativa: do Latim   gradativu < gradatu, disposto em degraus; que procede gradualmente; progressivo.

 

Maiêutica: arte de realizar um parto.

 

Manutenção: ato ou efeito de manter; conservação.

 

Método: processo racional que se segue para chegar a um fim; modo ordenado de proceder; processo; ordem; conjunto de procedimentos técnicos e científicos.

 

Refutação: ato ou efeito de refutar; contestação; objeção.

 

Sensível: que tem sensibilidade; que tem sentidos; que recebe facilmente as impressões ou sensações externas; perceptível; impressionável.

 

Superficiais: pouco profundo; pouco sólido; pouco fundamentado; sem descer a minúcias; leviano; ligeiro; aparente.