Sin City é uma cidade decadente e violenta, que atrai todo tipo de pessoas, especialmente as mais insanas. Policiais corruptos, Canibais, prostitutas sedutoras e excêntricos da noite, fazem parte deste universo sombrio e sedutor. É nessa atmosfera que os personagens vivem suas estórias de vingança e justiça; como o caso de Marv (Mickey Rourke), um homem desfigurado e violento que vive uma jornada de sangue em busca dos assassinos de seu grande e único amor, a prostituta Goldie. John Hartigan (Bruce Willis) é um policial honrado que, a poucos instantes de sua aposentadoria, decide resolver um caso ainda sem solução, e para isso precisa eliminar um lunático estuprador de meninas, filho de um influente senador.

 

 

 

 

 

Introdução

 

 

 

 

 

 

 

Sin City, antes de qualquer análise mais apurada, é um filme que empolga e choca. É impossível, como resposta ao longa, manter-se indiferente ou “o mesmo” de antes de assisti-lo.

 

Sua estética, é por si só, motivo de aplausos e louvores, faz valer o preço do ingresso ou a conta na locadora.

 

O que me fez escolher esse filme, no entanto, não foi meu deslumbre por sua fotografia e sua estética marcante, e sim sua perspectiva filosófica existencial. Seus personagens são impactantes, estão “nus” no mundo. Cada um deles, constrói sua existência e vivem o inferno de assumir todo o risco por suas escolhas.

 

No filme podemos acompanhar o turbilhão interno dos personagens, compreender o que os movem. Nos é possível analisar suas questões éticas, suas hierarquias de valores e toda a angústia e incerteza que suas decisões provocam.

 

Todos estão, de certa forma, solitários. Vivem a “irracionalidade” e o vazio de estar vivo, buscam sentido em suas vidas. Algum motivo para continuar vivendo, ou mesmo, para morrer.

 

Esse “estar no mundo”, é um “estar abandonado”. Nesse sentido, se faz necessário criar suas leis. Isso porque, as leis e valores vigentes estão vazias de substância.

 

Sendo assim; para um debate sobre subjetividade, individualidade, liberdade, existencialismo e ética o filme é riquíssimo de elementos. A maestria na direção e fotografia, no roteiro, além das excelentes atuações, são detalhes que tornam a tarefa de assistir e debater o filme mais fácil e saborosa.

 

A barbárie e brutalidade humana, a dificuldade de estar entre outros e relacionar-se com eles, o incômodo e a solidão, a necessidade e dificuldade de amar alguém, enfim; o homem “sem Deus”, ou, o homem depois da “morte de Deus”, está aqui bem representado, tornando esse filme, um prato cheio de questões fundamentais do homem, portanto questões filosóficas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fundamentação teórica / Adaptação para o ensino médio

 

 

 

 

 

 

 

Fundamentalmente o existencialismo mergulha na condição do homem no mundo, em suas relações com esse mesmo mundo e com as outras pessoas das quais necessita conviver. Essa convivência, difícil e turbulenta, fica bem marcante na famosa frase de Sartre: “o inferno são os outros”.

 

Essa corrente filosófica nega as visões idealizadas do homem; o que temos é nossa existência. Aqui, é o homem, e somente ele, o responsável pelo seu percurso, por suas ações e conseqüências destas.

 

Segundo Sartre, é a existência que precede a essência; sendo assim, primeiramente estamos aqui, no mundo, existindo. E, a partir desta nossa condição de vivente, é que criamos e definimos nossa(s) forma(s) de agir, de atuar, de nos orientar. São suas ações e escolhas que os definem, não há a quem culpar, não se pode transferir responsabilidades, estamos condenados a sermos livres.

 

Termos como “natureza humana” ou “vontade de Deus” são desconsiderados; até porque, seguindo essa concepção, não poderíamos usar como desculpa para nossas ações, a vontade de Deus e muito menos uma suposta natureza.

 

Não há uma força manipuladora que já definiu nosso futuro, essa responsabilidade(de criar) é toda nossa. O que faremos adiante é tarefa de nossas vontades e escolhas, assim, para alguns pode parecer tarefa muito árdua essa responsabilidade, no entanto, ela nos oferece a possibilidade de dar um sentido e um toque todo pessoal a nossas vidas. Podemos projetar um futuro com todas as nossas melhores escolhas.

 

É claro, que essa condição de “solidão” traz consigo uma constante angústia e muita incerteza, disso não podemos fugir. Saber se esse caminho é o melhor à percorrer, a falta de uma “entidade divina” que nos oriente ou que acreditamos estar nos guiando, tudo isso gera muita insegurança, mas, é esse o preço da liberdade incondicional, da autonomia.

 

Essas relações existenciais (que dão margem para debates sobre ética), fundamentam minha opção por esse filme, já que o mesmo, tem como ponto principal a perspectiva subjetiva de seus personagens.

 

Nele podemos acompanhar as trajetórias de pessoas mergulhadas nessa condição de ter que, por conta própria, tomar suas decisões e agir conforme suas criações éticas.

 

 

 

 

 

 

 

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São muitas as questões pertinentes para uma discussão em sala de aula. Até porque, não há jovem que não considere interessante uma abertura no sentido de poder falar e ouvir opiniões sobre diferentes visões de mundo, ética e comportamento.

 

 

 

 

 

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Baseando-nos no filme escolhido, vamos agora problematizá-lo em suas diversas possibilidades.

 

Ficou claro no filme, que os personagens vivem de forma autônoma, criam suas próprias regras, colhendo suas conseqüências.

 

Podemos indicar como ponto inicial, um debate sobre valores. Perguntas como; “porque temos certos valores?”, “como adquirimos nossos valores?” ou “como justificamos nossos valores”, são perguntas fundamentais.

 

O aluno pode apresentar um texto sobre esse tema, usando perguntas básicas como as citadas acima. É possível também, um debate com todos os alunos. Coloca-se uma dessas questões na turma, e á partir delas iniciar uma aula.

 

No filme, os personagens vivem uma perspectiva existencialista, interagem com o mundo, desbrava-o, não seguem regras pré-estabelecidas, rompem com a lei, criam suas próprias.

 

À partir disso, podemos colocar em jogo outras indagações a serem debatidas. Como por exemplo: “ Existe Deus?” , “ estamos a sós no mundo, sem um ser poderoso que nos observa?”, “Se existe Deus, como ele é? Seria ele diferente de tudo aquilo que nos é ensinado?”.

 

Essas questões, sem dúvidas, são um ótimo material para debates em sala de aula. Obviamente, por se tratar de um tema delicado, envolvendo assuntos de fé, é necessário cautela e respeito por parte de todos os envolvidos. É bom que se lembre, que o objetivo é o debate argumentativo, e não a imposição de uma vertente sobre a outra.

 

Partindo então de uma perspectiva existencialista, e entendendo a dificuldade que o homem tem em se comunicar e de se relacionar, podemos então debater sobre os limites de nossas ações, sobre nossa liberdade. Perguntas fundamentais como: “O que é a liberdade? O que é estar livre?”, “podemos viver em liberdade absoluta?”, “podemos ser livres efetivamente?”, são questões de muito apelo, e que, sem dúvidas envolverão os participantes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão

 

 

 

 

 

O propósito deste exercício, é criar no aluno, uma atmosfera de reflexão sobre temas básicos da vida. O interesse aqui é criar um certo choque, fazer com que o estudante perceba que as possibilidades são muitas, e que a conduta da vida, não é necessariamente aquela que nossos pais nos ensinaram.

 

Aqui o aluno se vê em um universo de construções diferentes das que ele vive, desta forma, seus valores entram em choque com outros valores, e se, bem conduzida a aula, pode-se cultivar no aluno, um espírito de flexibilidade e de criação existencial.

 

 

 

 

 

Bibliografia

 

 

 

SARTRE. Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo – 1946

 

 

 

SARTRE. Os Pensadores – Ed. Abril