Ficha Técnica

 

MephistoAlemanha OcidentalHungriaÁustria1981

 

Gênero: DramaGuerra

 

Duração: 144 min.

 

Tipo: Longa-metragem / Colorido

 

Palavras-Chaves: ComunistaAtorRelacionamento inter-racial

 

Prêmios: Vencedor de 1 Oscar

 

Diretor(es): István Szabó

 

Roteirista(s): Péter DobaiKlaus MannIstván Szabó

 

Elenco: Klaus Maria BrandauerKrystyna JandaIldikó BánságiRolf HoppeGyörgy CserhalmiPéter AndoraiKarin BoydChristine HarbortTamás MajorIldikó KishontiMária BisztraiSándor LukácsBánfalvi Ágnes¹Judit Hernádi,Vilmos Kun

 

 

 

SINOPSE: Alemanha, 1930, Hendrik Höfgen, é um ambicioso ator que não se interessa por política, se dedicando somente à sua carreira. Porém, quando os nazistas começam a tomar o poder, ele aproveita a oportunidade para interpretar peças de propaganda nazista para o Reich, e logo acaba se transformando no mais popular ator da Alemanha. Consumido pela fama, Hendrik agora precisa sobreviver em um mundo onde a ideologia do mal é seu pior pesadelo e o verdadeiro preço da alma de um homem, se transforma na medida mas desprezível de todas.

 

Recordo-me de minha mãe que dizia que o diabo não é tão feio quanto pintam-no. Ele sempre é convincente e surge corredor a dentro quando mais precisamos de respostas para nossas idiossincrasias.

 

Mas não podemos olvidar que tanto na mitologia quanto nas narrativas religiosas as crenças do ser humano sempre foram permeadas por desígnios dos deuses, que fazem do homem joguetes e palco de suas diversões na dicotomia bem e mal. O bem, representado por deus (ou deuses), o mal; pelo maligno. Assim foi na mitologia grega quando Paris foi chamado a decidir, por engendramento da deusa Discórdia, qual era a mais bela deusa do olimpo. A sua decisão causou a derrocada de Ílion. Na Bíblia temos a narrativa de Job, homem que foi entregue à desdita por deliberação divina que o deixou à mercê de satanás. Se não estou mui equivocado, esse episódio teria motivado o poema dramático de Goethe (Fausto), que alinhavou a representação cinematográfica do filme Mephisto.

 

Mephisto foi o projeto pelo qual o realizador húngaro István Szabó recebeu, pela primeira vez, grande reconhecimento internacional. Ele, que na época já tinha carreira cinematográfica doméstica de mais de vinte anos, concorreu com este à Palma de Ouro no Festival de Cannes daquele ano, vencendo os prêmios da Federação Internacional de Críticos de Cinema e de melhor roteiro, além da consagração com o Oscar de melhor filme em língua estrangeira – coincidentemente ligado ao fato de que o longa-metragem fora a primeira co-produção internacional da carreira do cineasta, sendo patrocinado pela Alemanha Ocidental, pela Áustria e pela própria Hungria.

 

O filme faz essa adaptação literária para o cinema de forma acadêmica e grandiosa. Começa já com uma mise-en-scène de uma apresentação operística - o rococó visual de Szabó continua permeando todo o filme, seja em grandiosos cenários e figurinos elaborados, seja em grandes tomadas de câmera. Esse tom épico, “maior que a vida”, enquadra perfeitamente a figura central de Hendrik Hoefgen, encarnado num tour de force magistral pelo ator Klaus Maria Brandauer, que viria a fazer sucesso internacional por conta deste papel.

 

Hendrik Hoefgen é um ator ambicioso que deseja o sucesso, e para isso sacrifica tudo o que acredita: esquece-se de seus ideais bolcheviques, de sua mulata amante alemã e dos próprios escrúpulos para tornar-se o maior ator do regime nazista e, posteriormente, diretor do Teatro Nacional Alemão. Seu ego cresceu proporcionalmente ao tamanho de sua fama, o que acabou causando o seu trágico destino.

 

A peça Fausto possui duas vertentes dentro da narrativa. A mais óbvia é a que é representada dentro da própria trama, já que a peça serve como consagração definitiva de Hoefgen como ator, encarnando Mefistófeles, e que o permite conhecer o Primeiro Ministro alemão, que o proporcionará todos os seus almejos. A segunda vertente, a do filme como estrutura, subverte os papéis e coloca Hoefgen como o personagem Fausto, ambicioso e que trava um pacto com o diabo para ascender; papel este do diabo que cabe ao personagem do Primeiro Ministro (Rolf Hoppe, inspirado na figura real de Hermann Göring, um dos mais populares líderes nazistas).

 

A última frase proferida por Hoefgen no filme representa bem o seu personagem. “O que querem de mim? Eu sou só um ator” simboliza o dilema de toda a gama de artistas em regimes totalitários, que muitas vezes sacrificaram – e sacrificam – suas crenças políticas, religiosas e de outros âmbitos em nome da própria sobrevivência. No caso de Hoefgen, este teve culpa por sua trajetória, já que teve a chance do exílio. Morreu em nome da fama e do sucesso.

 

A análise da política de massa, uma das vertentes abordada pelo filme, não escapou à análise crítica de Walter Benjamim em “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” abordada no tópico Exposição perante a massa (pg. 183).

 

A ficha técnica foi retiraao do site: www.epipoca.uol.com.br