Mephisto é o título de uma adaptação cinematográfica feita em 1981 do romance de mesmo nome sobre a história do ator Hendrik Höfgen, baseada no pacto entre o demônio Mefistófeles e o médico-cientista Fausto.

O personagem Höfgen é um ator ambicioso que vive em uma Alemanha na qual o nazismo está prestes a se tornar o poder. Höfgen também é autor e suas peças têm influência Bolchevique, sendo suas idéias revolucionárias e antiburguesas. Nesse sentido, tem por amigos militantes revolucionários e uma amante negra.

Höfgen hesita um pouco, mas sede ao regime nazista sob a garantia de que não sofreria incômodo de qualquer espécie. Assim como Fausto vendeu a sua alma a Mefistófeles em troca de conhecimentos além de sua época, rejuvenescimento e o amor de uma mulher, sendo cheio de uma energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso; de maneira semelhante, Höfgen vende sua arte para o regime nazista em troca de riqueza, fama, glamour e ser considerado o maior ator da Alemanha.

Para o primeiro-ministro, homem culto e entendedor de teatro, o ator Höfgen e Mephisto (Mefistófeles) se mesclam, ambos tendo a ilusão como sua matéria-prima.

E assim, Höfgen mantém um agenciamento com o sistema vigente, obtendo bem-estar e sendo querido e aclamado pelas pessoas enquanto o regime nazista o usa como símbolo do “orgulho nacional”. Como Fausto ludibriado por Mefistófeles, assim está Höfgen cego pelas luzes de algo que está acima de suas forças.

A filosofia, em seus diferentes campos de estudo, não se desvincula da política. Seja em uma teoria do conhecimento ou uma teoria estética, é possível analisar o teor político das idéias.

Vejamos Platão com sua teoria do conhecimento, onde aquele o qual a alma esteve mais próxima das idéias e mais próximo do conhecimento verdadeiro, sendo esses homens os aristocráticos filósofos mais capacitados a governar.

Marx nos fala que os filósofos apenas pensaram o mundo e estaria na hora de mudá-lo. Com outro conceito de filosofia. Com outro conceito de filosofia, Deleuze e Guattari nos apresenta a filosofia como uma forma de intervenção no mundo, seja para conservá-lo ou para mudá-lo.

Como estudamos na obra de Benjamim, a arte pode pegar o caminho do valor de culto ou do valor de exposição, mas não aborda a multiplicidade abarcada por este dualismo.

Assim como em Mephisto, a arte é utilizada pelo partido. Mesmo que a pessoa não tenha um conteúdo político propagandístico explícito, a peça é de apelo emocional forte e uma intensidade estética que propaga valores vinculados ao nazismo. Apelos e afetos ao regime fazem parte da estetização da política praticada pelo nazismo.